Aviso de segurança. O anel anti-corona integra sistemas de alta e extra-alta tensão: sua especificação, instalação e inspeção devem seguir a NR-10 (segurança em instalações e serviços em eletricidade) e a NR-35 quando houver trabalho em altura, sempre sob responsabilidade de profissional habilitado (engenheiro eletricista com ART). Erro de dimensionamento ou fixação pode gerar descargas parciais e falha de isolamento.
O que é o efeito corona e o papel do anel
O efeito corona surge quando o campo elétrico na superfície de um condutor ou ferragem supera a rigidez dielétrica do ar, ionizando as moléculas ao redor e formando descargas luminosas. Em alta tensão isso gera perdas de energia, ruído audível, geração de ozônio, rádio-interferência (RIV) e, principalmente, erosão do isolamento nos terminais. O anel anti-corona é uma superfície toroidal lisa e de grande raio de curvatura que 'suaviza' as linhas de campo no ponto crítico, reduzindo o gradiente máximo e elevando a tensão em que o corona começa. A caracterização desses fenômenos e a interferência em radiofrequência estão tratadas na CISPR 18.
Anel anti-corona x anel equalizador: não são a mesma peça
Na prática de sourcing, os dois termos são frequentemente confundidos, mas cumprem funções distintas. O anel anti-corona (corona ring) foca em suprimir a descarga superficial no terminal energizado, protegendo a extremidade do isolador ou da bucha. O anel equalizador (grading ring) tem a função adicional de redistribuir o potencial ao longo de toda a cadeia de isoladores, uniformizando a tensão entre unidades e reduzindo a tensão sobre o primeiro disco. Em classes mais altas, um mesmo conjunto duplo executa as duas funções. Especificar um quando o projeto pede o outro é um erro clássico de compra.
- Anel anti-corona: suprime corona no terminal energizado
- Anel equalizador: distribui o potencial ao longo da cadeia
- Conjunto duplo: combina as duas funções em EAT
Como dimensionar por classe de tensão e aplicação
O dimensionamento parte da tensão nominal do sistema e do tipo de terminal. Em geral, quanto maior a tensão, maior o diâmetro do toroide e mais provável a adoção de anel duplo ou múltiplo. A tabela abaixo resume as configurações típicas por faixa; ela orienta a cotação, mas o diâmetro final deve sair de estudo de campo elétrico do projeto, seguindo os requisitos de ensaio de ferragens da IEC 61284 e os critérios de isoladores da ABNT NBR 5032.
| Classe de tensão | Configuração típica | Material | Aplicação recomendada |
|---|---|---|---|
| 72,5–145 kV | Anel simples no terminal energizado | Liga de alumínio | Isoladores poliméricos de suspensão |
| 230 kV | Anel simples de maior diâmetro | Liga de alumínio | Buchas e cadeias de isoladores |
| 345–500 kV | Anel duplo (corona + equalizador) | Liga de alumínio | Para-raios e cadeias de EAT |
| ≥ 750 kV | Anéis múltiplos ou toroide de grande diâmetro | Liga de alumínio | Linhas e subestações de extra-alta tensão |
Material e acabamento: por que liga de alumínio
O corpo do anel é fabricado em liga de alumínio — leve, não magnética e boa condutora —, o que evita aquecimento por indução e reduz o peso pendurado na cadeia. Ele se distingue dos condutores de cobre das linhas e dos componentes isolantes de fenolite usados em painéis, cada um com sua função no sistema. Já as ferragens de fixação galvanizadas a fogo, conforme a ABNT NBR 6323, garantem resistência à corrosão em ambiente externo. Em atmosferas agressivas (litoral, indústria química), o aço inox pode substituir partes das ferragens, com custo maior, mas o toroide permanece em alumínio para não introduzir campo indutivo.
Modos de falha e erros de especificação
O anel só protege se o campo residual ficar abaixo do limiar de corona — e isso depende de geometria. Diâmetro de toroide pequeno demais para a tensão mantém pontos de campo elevado; altura de instalação errada aproxima o anel de outras ferragens e cria novos pontos de concentração. Superfície riscada, rebarba ou solda mal acabada viram focos de descarga. Especificar por preço, sem estudo de campo elétrico, costuma resultar em anel bonito e ineficaz. O ensaio de poluição artificial da IEC 60507 e as técnicas da ABNT NBR 6936 ajudam a validar o desempenho antes da energização.
- Toroide subdimensionado para a classe de tensão
- Altura ou distância de instalação fora do projeto
- Acabamento superficial com rebarbas ou riscos
- Fixação incompatível com a ferragem do isolador
Como cotar e o que exigir do fornecedor
Para orçar anel anti-corona com precisão, reúna os dados que definem a peça antes de acionar fornecedores. Isso qualifica a cotação e evita retrabalho de compatibilidade. Peça sempre o desenho dimensional, o certificado de material da liga de alumínio e o relatório de ensaios aplicável (IEC 61284 / ABNT NBR 6936). O que move o preço não é só o diâmetro: material das ferragens, tipo de acabamento, volume do pedido e nível de personalização da fixação pesam tanto quanto o toroide.
- Classe de tensão e tensão de operação do sistema
- Tipo de terminal (isolador polimérico, bucha, para-raios)
- Diâmetro do anel e do tubo definidos em projeto
- Padrão de fixação e ferragem existente
- Certificado de material e relatório de ensaio exigido
O que só a Soluções Industriais entrega neste nicho
- Configuração de anel simples versus duplo definida pela classe de tensão
- Distinção prática entre anel anti-corona e anel equalizador de potencial
- Faixa de tensão a partir da qual o anel deixa de ser opcional
- Erros de diâmetro do toroide e altura de instalação que anulam a proteção
- Motivo técnico da liga de alumínio no corpo e do aço galvanizado nas ferragens
- Checklist de cotação com classe de tensão, tipo de terminal e ferragens compatíveis
- Efeito do corona sobre RIV, geração de ozônio e ruído audível
- Compatibilidade dimensional com isoladores poliméricos, buchas e para-raios
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre anel anti-corona e anel equalizador?
O anel anti-corona suprime a descarga superficial (corona) no terminal energizado; o anel equalizador redistribui o potencial ao longo da cadeia de isoladores. Em extra-alta tensão, um conjunto duplo cumpre as duas funções. Confundir os dois na especificação é um erro comum de compra.
A partir de qual tensão é necessário instalar anel anti-corona?
Não há valor único: depende do projeto e do tipo de terminal. Na prática, isoladores poliméricos de suspensão passam a receber anel a partir de faixas de 72,5–145 kV, e o uso torna-se regra em 230 kV e acima. A decisão sai de estudo de campo elétrico, não de regra fixa.
De que material é feito o anel anti-corona?
O corpo é quase sempre em liga de alumínio, por ser leve, não magnético e boa condutor, evitando aquecimento por indução. As ferragens de fixação costumam ser aço galvanizado a fogo conforme a ABNT NBR 6323, com inox como opção em ambientes agressivos.
O anel anti-corona serve para isolador polimérico e bucha de transformador?
Sim. As aplicações mais comuns são isoladores poliméricos de suspensão, buchas de transformador, para-raios e cadeias de isoladores. O que muda é o padrão de fixação e o diâmetro do toroide, que devem ser compatíveis com o terminal específico.
Quais normas regem o anel anti-corona?
As ferragens de conjuntos isolantes se enquadram na IEC 61466 e na IEC 61284; os isoladores na ABNT NBR 5032; os ensaios de alta tensão na ABNT NBR 6936 e IEC 60507; e a rádio-interferência na CISPR 18. A instalação segue NR-10 e, em altura, NR-35.
Como dimensionar o diâmetro do anel?
O diâmetro do toroide e do tubo é definido por simulação de campo elétrico do projeto, para manter o gradiente residual abaixo do limiar de corona na classe de tensão. Diâmetro pequeno demais mantém pontos de campo alto e torna o anel ineficaz, mesmo instalado.
O que mais influencia o preço do anel anti-corona?
Além do diâmetro, pesam o material e o acabamento das ferragens, o volume do pedido, o nível de personalização da fixação e as certificações/ensaios exigidos. Peça sempre certificado de material e relatório de ensaio no orçamento para comparar propostas de forma justa.
Preciso de profissional habilitado para instalar?
Sim. Por operar em sistemas energizados de alta tensão, especificação, instalação e inspeção devem seguir a NR-10 e a NR-35 em trabalho em altura, sob responsabilidade de engenheiro eletricista habilitado com ART. Instalação incorreta pode gerar descargas parciais e falha de isolamento.
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Página revisada pela equipe técnica de Materiais Elétricos da Soluções Industriais. Última revisão: 14 de julho de 2026. Conteúdo elaborado com base nas normas técnicas brasileiras vigentes e em referências de fabricantes homologados no marketplace.
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Fontes técnicas citadas: IEC 61466, IEC 61284, IEC 60507, ABNT NBR 6936, ABNT NBR 5032, ABNT NBR 6323, CISPR 18, NR-10, NR-35.