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Imã de samário cobalto

O imã de samário cobalto (SmCo) é um ímã permanente de terras raras obtido por sinterização de pó de samário e cobalto prensado sob campo magnético, o que torna o material anisotrópico e fixa uma direção preferencial de magnetização. Comercialmente ele se divide em duas famílias: a série SmCo5 (1:5), com produto energético típico entre 16 e 25 MGOe, e a série Sm2Co17 (2:17), que chega à faixa de 24 a 32 MGOe e concentra mais de metade da massa em cobalto. A caracterização magnética desses materiais — remanência, coercividade e curva de desmagnetização — segue os métodos de ensaio da série IEC 60404, e é essa curva, e não apenas a dimensão da peça, que define o desempenho real dentro de um circuito magnético.

Na especificação, cinco variáveis comandam a compra. A primeira é o grade (por exemplo YXG-24H, YX-20), que amarra remanência e coercividade intrínseca. A segunda é a temperatura máxima de trabalho, tipicamente de 250 °C para o SmCo5 e de 300 °C a 350 °C para o Sm2Co17, muito acima da temperatura de Curie útil do neodímio comum. A terceira é o coeficiente de temperatura da remanência, em torno de -0,03 %/°C no Sm2Co17 contra cerca de -0,11 %/°C no NdFeB, o que explica a preferência do samário cobalto em sensores e instrumentos de medição. A quarta é a direção de magnetização — axial, diametral ou multipolar — que precisa constar do desenho porque o material é prensado orientado e não pode ser remagnetizado em outro eixo. A quinta é a tolerância dimensional, já que a peça sai do forno com sobremetal e é acabada por retificação.

Do lado operacional, o samário cobalto é quimicamente estável e costuma dispensar revestimento em ambiente industrial seco, ao contrário do neodímio, mas é bem mais frágil: lasca em impacto, trinca sob esforço de flexão e não aceita furação ou fresamento convencional, apenas retificação com rebolo diamantado ou eletroerosão. Peças de grande volume ou já montadas em conjuntos podem ser enquadradas como material magnetizado sujeito às regras de carga perigosa classe 9 no transporte aéreo, conforme os regulamentos IATA/ICAO, o que exige blindagem de embalagem e altera prazo e frete. Por gerar campos intensos e representar risco de esmagamento e de interferência em dispositivos médicos implantáveis, o manuseio deve seguir análise de risco com EPI conforme a NR-06, e o dimensionamento do circuito magnético em motores, acoplamentos ou dispositivos de fixação deve ser validado por profissional habilitado.

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Imã de samário cobalto

Aviso de segurança. Ímãs de samário cobalto sinterizados geram campos intensos e são frágeis: o choque entre duas peças pode estilhaçar o material e projetar fragmentos, e o esmagamento de dedos entre ímã e superfície ferrosa é um risco real de manuseio, o que exige análise de risco e EPI conforme a NR-06 e a NR-12 quando o ímã integra máquina ou dispositivo de fixação. Campos magnéticos permanentes também interferem em marca-passos e desfibriladores implantáveis, motivo pelo qual a sinalização e o afastamento devem constar do procedimento operacional. A definição do grade, do ponto de operação e do circuito magnético em motores, acoplamentos e dispositivos de segurança deve ser feita por engenheiro ou profissional habilitado com ART, com base em ensaios conforme a IEC 60404.

SmCo5 e Sm2Co17: o que muda entre as duas famílias

As duas séries comerciais nascem de composições distintas e não são intercambiáveis. O SmCo5 tem estrutura mais simples, coercividade intrínseca elevada por unidade de energia e teto de trabalho por volta de 250 °C; costuma aparecer em peças pequenas, sensores e aplicações onde o circuito magnético é muito aberto. O Sm2Co17 incorpora ferro, cobre e zircônio à liga, entrega produto energético maior e sustenta operação contínua de 300 °C a 350 °C, sendo a escolha padrão em servomotores, acoplamentos e equipamentos magnéticos expostos a calor de processo. Ambas compartilham a temperatura de Curie alta, entre cerca de 720 °C e 800 °C, mas esse número é um limite físico de perda total de magnetização e nunca deve ser confundido com a temperatura de trabalho admissível, que é muito menor e depende do ponto de operação.

  • SmCo5: 16 a 25 MGOe, trabalho até cerca de 250 °C, alta coercividade relativa.
  • Sm2Co17: 24 a 32 MGOe, trabalho de 300 °C a 350 °C, maior teor de cobalto e custo maior.
  • Coeficiente de temperatura da remanência próximo de -0,03 %/°C no 2:17, contra -0,11 %/°C no neodímio.
  • Ambos anisotrópicos: a direção de magnetização é definida na prensagem e não pode ser alterada depois.

Tabela de especificação: como comparar grades na cotação

Cotar por dimensão apenas leva a receber peça com a força errada. A comparação útil combina grade, produto energético, temperatura máxima de trabalho e aplicação típica. Use a tabela abaixo como base do desenho enviado ao fornecedor e confirme os valores contra o certificado de lote, já que cada fabricante publica sua própria nomenclatura de grade sobre a mesma faixa de propriedades.

Família / grade típicoProduto energético (MGOe)Temp. máx. de trabalhoResistência à corrosãoAplicação recomendada
SmCo5 (série YX / Sm1Co5)16 a 25até cerca de 250 °CAlta, geralmente sem revestimentoSensores, encoders, peças pequenas em circuito aberto
Sm2Co17 (série YXG padrão)24 a 28até cerca de 300 °CAlta, geralmente sem revestimentoServomotores, acoplamentos magnéticos, bombas seladas
Sm2Co17 alta coercividade (sufixo H)24 a 30300 °C a 350 °CAlta, geralmente sem revestimentoMotores de alta rotação, aeroespacial, petróleo e defesa
NdFeB alta temperatura (comparativo)30 a 45150 °C a 230 °C conforme gradeBaixa, exige NiCuNi, epóxi ou zincoForça máxima em ambiente ameno e seco
Alnico (comparativo)5 a 10acima de 400 °CAltaCalor extremo com baixa exigência de coercividade
Ferrite de bário (comparativo)1 a 4até cerca de 250 °CMuito altaVolume e custo baixo, força reduzida

Samário cobalto ou neodímio: árvore de decisão e custo relativo

A decisão raramente é sobre força bruta, porque o neodímio vence em MGOe em quase toda comparação. Ela é sobre a temperatura de operação e a estabilidade do campo. Abaixo de 120 °C, com ambiente seco e sem exigência de precisão térmica, o NdFeB entrega mais campo por real investido e a discussão termina ali. Entre 150 °C e 230 °C, um grade de neodímio de alta coercividade ainda compete, mas o custo do grade especial se aproxima do samário cobalto e o revestimento passa a ser ponto de falha. Acima de 250 °C, e sempre que o desvio do campo com a temperatura precisar ficar dentro de poucos décimos por cento, o SmCo é a única escolha viável entre os dois; acima de 350 °C a conversa migra para o alnico, que resiste ao calor mas tem coercividade baixa e desmagnetiza com facilidade em campo reverso. Em faixa de preço, o samário cobalto costuma custar várias vezes o valor por quilo de um neodímio equivalente, porque mais de metade da massa é cobalto, e o comparativo honesto considera também o custo de parada de máquina quando um ímã de neodímio perde campo em serviço quente.

  • Até 120 °C, ambiente seco e sem exigência de estabilidade: neodímio, por custo e densidade de energia.
  • De 150 °C a 230 °C: comparar NdFeB de alta coercividade contra Sm2Co17, incluindo o custo do revestimento.
  • Acima de 250 °C, ou com exigência de baixa deriva térmica: samário cobalto.
  • Acima de 350 °C: avaliar alnico, ciente da coercividade muito menor e do risco de desmagnetização.
  • Ambiente úmido, salino ou com dificuldade de manutenção do revestimento: samário cobalto mesmo em temperatura moderada.

Modos de falha, usinagem e o que dá errado na especificação

O erro mais caro do nicho não é escolher o grade errado: é ignorar o ponto de operação. Um ímã de samário cobalto instalado em circuito magnético muito aberto, sem retorno de ferro, trabalha em um ponto baixo da curva de desmagnetização e pode perder campo de forma irreversível mesmo dentro da temperatura nominal, porque o que importa é o coeficiente de permeância do conjunto e não a temperatura isolada. O segundo erro é tratar o material como metal usinável: sinterizado, ele é duro e quebradiço, aceita apenas retificação com rebolo diamantado, corte por disco diamantado ou eletroerosão, e qualquer tentativa de furar, rosquear ou apertar com parafuso direto sobre a face resulta em trinca. O terceiro é o manuseio: duas peças que se atraem livremente colidem com energia suficiente para estilhaçar o material e projetar cacos, o que torna obrigatório o uso de espaçadores, luvas e óculos de proteção. Por fim, magnetizar depois da montagem exige bobina magnetizadora com energia compatível, e a remagnetização em eixo diferente do original simplesmente não funciona em material anisotrópico.

  • Perda irreversível de campo por ponto de operação baixo, não por excesso de temperatura.
  • Trinca e lascamento em impacto, aperto direto de parafuso ou choque térmico brusco.
  • Tentativa de furação ou fresamento convencional: só retificação diamantada ou eletroerosão.
  • Pedido sem direção de magnetização, tolerância e face polarizada no desenho.
  • Ausência de desmagnetização ou blindagem na embalagem, gerando bloqueio no transporte aéreo.

Aplicações industriais onde a faixa térmica justifica o custo

O samário cobalto raramente é escolhido por preço, e sim por ambiente. Em servomotores e motores de alta rotação, o rotor acumula calor e sofre campo desmagnetizante do estator, combinação em que o Sm2Co17 mantém torque estável. Em acoplamentos magnéticos de bombas seladas, o material transmite torque através da parede de contenção em fluidos quentes, sem vedação mecânica e sem risco de vazamento. Em instrumentação, encoders, giroscópios e sensores de efeito Hall, o que se compra é a baixa deriva do campo com a temperatura, mais valiosa que a intensidade absoluta. Em separação magnética e fixação, o samário cobalto entra quando o processo é quente: os equipamentos magnéticos de linha de produção, incluindo variantes de separação magnética instaladas após fornos ou secadores, usam SmCo justamente onde o neodímio desmagnetizaria. Setores como aeroespacial, defesa, petróleo e sondagem downhole completam a demanda, somando calor, vibração e impossibilidade de manutenção frequente.

  • Servomotores, motores brushless e geradores de alta rotação em ambiente quente.
  • Acoplamentos magnéticos de bombas seladas e agitadores para fluidos aquecidos.
  • Encoders, giroscópios, sensores Hall e instrumentos de medição com exigência de estabilidade.
  • Separação e fixação magnética em linhas com forno, secador ou processo acima de 150 °C.
  • Aeroespacial, defesa, petróleo e equipamentos de sondagem com difícil acesso para manutenção.

O que define o preço e checklist para pedir orçamento

Não existe preço de tabela útil para samário cobalto porque a maior parte do fornecimento é sob desenho. O que move o valor é, em ordem: o teor de cobalto da liga (dominante e sujeito à variação da commodity), a família escolhida — o Sm2Co17 de alta coercividade é o mais caro —, a quantidade e o lote mínimo, a complexidade geométrica (arcos, segmentos, furos escareados e rasgos exigem mais retificação diamantada), a tolerância pedida, a necessidade de ferramental de prensagem dedicado para geometrias novas e a documentação exigida. Em quantidades pequenas, o rateio de ferramental e setup pesa mais no unitário do que a própria matéria-prima, e por isso vale consolidar o pedido antes de cotar. Reúna os dados abaixo antes de enviar a solicitação: com eles o fornecedor responde em uma rodada, sem retrabalho.

  • Desenho com dimensões, tolerâncias e indicação da face polarizada.
  • Direção de magnetização: axial, diametral, radial ou multipolar, com número de polos.
  • Grade ou, se desconhecido, a temperatura máxima de operação e o campo necessário na distância de trabalho.
  • Quantidade do pedido e previsão anual, para avaliar lote mínimo e ferramental.
  • Condição de uso: ambiente, umidade, presença de campo desmagnetizante e circuito com ou sem retorno de ferro.
  • Documentação exigida: certificado de curva de desmagnetização por lote, declaração RoHS e REACH, sistema de gestão conforme a ABNT NBR ISO 9001:2015.
  • Entrega magnetizada ou desmagnetizada, embalagem blindada e modal de transporte (aéreo pede tratamento de classe 9 IATA/ICAO).

O que só a Soluções Industriais entrega neste nicho

  • Demanda concentrada em reposição de peças de motores e sensores importados, com desenho de cliente e não item de catálogo.
  • Pedidos que chegam sem direção de magnetização definida são a principal causa de retrabalho na cotação de ímãs anisotrópicos.
  • Compradores costumam pedir samário cobalto quando o neodímio já falhou por calor no campo, não por escolha inicial de projeto.
  • Faixa de 150 °C a 350 °C é onde o samário cobalto realmente ganha do neodímio de alta coercividade em custo total.
  • Fornecedores do nicho trabalham com lote mínimo e ferramental de prensagem, o que muda o preço unitário mais que a matéria-prima em pequenas quantidades.
  • Certificado de curva de desmagnetização por lote é o documento que mais separa fornecedor técnico de revendedor.
  • Cotações que exigem RoHS e REACH aparecem sobretudo em exportadores de componentes automotivos e de instrumentação.
  • Peças com furo escareado ou rasgo pedem retificação diamantada e elevam prazo de entrega frente a blocos e discos simples.

Perguntas frequentes

Qual a temperatura máxima que um imã de samário cobalto suporta?

O SmCo5 opera de forma contínua até cerca de 250 °C e o Sm2Co17 chega de 300 °C a 350 °C conforme o grade. Esses valores não se confundem com a temperatura de Curie do material, entre aproximadamente 720 °C e 800 °C, que é o limite físico de perda total de magnetização. A temperatura admissível real depende também do ponto de operação do circuito magnético, e deve ser confirmada na curva de desmagnetização do lote, ensaiada conforme a série IEC 60404.

Samário cobalto é mais forte que neodímio?

Não. O neodímio entrega produto energético de 30 a 45 MGOe contra 16 a 32 MGOe do samário cobalto, ou seja, mais campo por volume à temperatura ambiente. A vantagem do SmCo está na estabilidade térmica, com coeficiente de remanência próximo de -0,03 %/°C contra cerca de -0,11 %/°C do NdFeB, e na resistência à corrosão sem revestimento.

Por que o imã de samário cobalto é tão mais caro?

Porque mais da metade da massa da liga é cobalto, uma commodity metálica de preço volátil e cadeia de suprimento concentrada, além do samário, que é terra rara. Em pedidos pequenos, o rateio de ferramental de prensagem e do setup de retificação pesa ainda mais no preço unitário do que a matéria-prima. Por isso consolidar quantidade e padronizar geometria reduz o custo por peça de forma expressiva.

É possível furar ou usinar um ímã de samário cobalto depois de pronto?

Não com ferramenta convencional. O material sinterizado é duro e quebradiço, e furação, fresamento ou rosqueamento provocam trinca. O acabamento só é viável por retificação com rebolo diamantado, corte com disco diamantado ou eletroerosão a fio, sempre com refrigeração, o que deve ser definido no desenho antes da prensagem.

O ímã precisa de revestimento contra corrosão?

Na maioria dos ambientes industriais, não. Diferente do neodímio, que exige camadas de NiCuNi, epóxi ou zinco, o samário cobalto é quimicamente estável e costuma ser fornecido sem revestimento. Em ambientes salinos, com ácidos ou com exigência de higiene, um revestimento pode ser especificado como camada adicional de proteção e de facilidade de limpeza.

Quais documentos devo exigir do fornecedor no orçamento?

Peça o certificado de lote com a curva de desmagnetização e os valores de remanência, coercividade e produto energético, medidos conforme a série IEC 60404. Para exportação ou fornecimento a montadoras, solicite também as declarações de RoHS e REACH. A qualificação do fornecedor costuma incluir sistema de gestão certificado conforme a ABNT NBR ISO 9001:2015.

Como é feito o transporte de ímãs de samário cobalto?

Ímãs magnetizados podem ser enquadrados como material magnetizado da classe 9 no transporte aéreo, segundo os regulamentos IATA/ICAO, quando o campo medido a determinada distância da embalagem excede o limite permitido. A solução usual é embalagem com blindagem de aço ou envio desmagnetizado, com magnetização posterior no destino. No modal rodoviário nacional a restrição é menor, mas a embalagem ainda precisa impedir atração entre peças.

Qual o prazo de entrega típico para peças sob desenho?

Peças de geometria padrão em estoque saem rapidamente, mas fornecimento sob desenho envolve prensagem orientada, sinterização, retificação e magnetização, além de eventual fabricação de ferramental para geometrias novas. Geometrias com arcos, segmentos ou rasgos usinados alongam o prazo por dependerem de retificação diamantada. Vale confirmar lote mínimo e prazo na mesma rodada da cotação técnica.

Que cuidados de segurança o manuseio exige?

Ímãs de terras raras de porte médio geram força suficiente para esmagar dedos entre a peça e uma superfície ferrosa, e o choque entre dois ímãs pode estilhaçar o material sinterizado e projetar fragmentos. O procedimento deve prever espaçadores, luvas e óculos de proteção conforme a NR-06, além de sinalização de afastamento para portadores de marca-passo e desfibrilador implantável. Quando o ímã integra máquina ou dispositivo de fixação, aplicam-se também os requisitos da NR-12 e a validação por profissional habilitado.

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Fontes técnicas citadas: IEC 60404, ABNT NBR ISO 9001:2015, NR-06, NR-12, Regulamentos IATA/ICAO para material magnetizado (classe 9), RoHS, REACH.