{"id":60965,"date":"2026-10-25T12:00:00","date_gmt":"2026-10-25T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.solucoesindustriais.com.br\/news\/?p=60965"},"modified":"2026-10-26T07:44:24","modified_gmt":"2026-10-26T10:44:24","slug":"lago-koroneia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.solucoesindustriais.com.br\/news\/cases-e-analises\/lago-koroneia\/","title":{"rendered":"Lago Koroneia perde mais de 90% da \u00e1rea no norte da Gr\u00e9cia"},"content":{"rendered":"<div class=\"tts_content_wrapper_1\" >\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Lago Koroneia encolheu de 34,4 km\u00b2, em 2016, para apenas 2,7 km\u00b2, uma redu\u00e7\u00e3o que evidencia a velocidade da crise h\u00eddrica registrada no norte da Gr\u00e9cia.<\/h3>\n\n\n\n<p>Uma \u00e1rea que j\u00e1 sustentou pesca, turismo e popula\u00e7\u00f5es numerosas de aves hoje apresenta extens\u00f5es de solo exposto, vegeta\u00e7\u00e3o escassa e pequenos bols\u00f5es de \u00e1gua. A transforma\u00e7\u00e3o do Lago Koroneia, no norte da Gr\u00e9cia, mostra como um ecossistema pode perder fun\u00e7\u00f5es ambientais e econ\u00f4micas quando a reposi\u00e7\u00e3o h\u00eddrica deixa de acompanhar as perdas provocadas pelo clima e pelo consumo humano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um lago pode perder sua fun\u00e7\u00e3o antes de desaparecer<\/h2>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do Koroneia mostra que o colapso de um ambiente aqu\u00e1tico n\u00e3o exige necessariamente que toda a \u00e1gua desapare\u00e7a por completo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2016, a superf\u00edcie ocupava 34,4 quil\u00f4metros quadrados, enquanto a medi\u00e7\u00e3o mais recente aponta somente 2,7 quil\u00f4metros quadrados, segundo o Observat\u00f3rio Nacional de Atenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa diferen\u00e7a significa que o reservat\u00f3rio conserva hoje menos de um d\u00e9cimo da \u00e1rea observada naquele per\u00edodo, embora ainda existam trechos com \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>A consequ\u00eancia aparece na substitui\u00e7\u00e3o de grande parte da antiga superf\u00edcie por solo exposto, pequenas acumula\u00e7\u00f5es isoladas e cobertura vegetal bastante limitada.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema adquire outra dimens\u00e3o porque o Koroneia sustentava fun\u00e7\u00f5es que dependiam de uma \u00e1rea \u00famida muito maior do que aquela dispon\u00edvel atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de flamingos e outras aves migrat\u00f3rias fazia parte desse equil\u00edbrio, assim como atividades pesqueiras e fluxos de visitantes atra\u00eddos pela regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o espa\u00e7o dispon\u00edvel diminui de forma t\u00e3o acentuada, cada uma dessas fun\u00e7\u00f5es passa a disputar condi\u00e7\u00f5es ambientais que deixaram de existir na mesma escala.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o caso grego permite analisar a perda de um recurso natural n\u00e3o apenas pelo volume restante, mas tamb\u00e9m pela capacidade que ele ainda conserva para sustentar biodiversidade e atividades humanas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A recupera\u00e7\u00e3o fica mais dif\u00edcil quando v\u00e1rias press\u00f5es coincidem<\/h2>\n\n\n\n<p>O desafio do Koroneia est\u00e1 na combina\u00e7\u00e3o de fatores que atuam sobre a mesma reserva, sem que exista uma \u00fanica causa capaz de explicar toda a redu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o recebeu cerca de 400 mil\u00edmetros de chuva por ano durante os \u00faltimos cinco anos, aproximadamente 150 mil\u00edmetros abaixo dos n\u00edveis registrados em d\u00e9cadas anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o aumento das temperaturas acrescentou entre 100 e 150 mil\u00edmetros anuais \u00e0s perdas por evapora\u00e7\u00e3o, o que diminuiu ainda mais a quantidade de \u00e1gua dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>As nascentes tamb\u00e9m passaram a contribuir menos para o lago, porque a redu\u00e7\u00e3o das chuvas comprometeu parte da reposi\u00e7\u00e3o que anteriormente chegava ao reservat\u00f3rio por outras vias.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse quadro cria uma diferen\u00e7a crescente entre a \u00e1gua que entra no sistema e aquela que desaparece ou \u00e9 retirada ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>A agricultura acrescenta outra vari\u00e1vel importante, pois lavouras irrigadas e animais continuam a exigir \u00e1gua mesmo quando a disponibilidade regional passa por per\u00edodos prolongados de escassez.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema, portanto, n\u00e3o est\u00e1 apenas no consumo agr\u00edcola, mas na manuten\u00e7\u00e3o dessa demanda dentro de um cen\u00e1rio no qual a reposi\u00e7\u00e3o natural perdeu capacidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois dos anos mais chuvosos de 2015 e 2016, a sucess\u00e3o de per\u00edodos com precipita\u00e7\u00e3o abaixo da m\u00e9dia e calor acima do padr\u00e3o reduziu progressivamente a margem dispon\u00edvel para compensar essas retiradas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Koroneia funciona, assim, como um caso de press\u00e3o h\u00eddrica acumulada, no qual clima e uso econ\u00f4mico do recurso passam a produzir efeitos maiores quando atuam ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para outras regi\u00f5es dependentes de reservat\u00f3rios, zonas \u00famidas ou aqu\u00edferos fr\u00e1geis, a principal leitura est\u00e1 justamente nessa intera\u00e7\u00e3o, porque uma fonte de \u00e1gua pode permanecer fisicamente presente mesmo depois de perder grande parte de sua capacidade ambiental e econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <em>Reuters<\/em><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Lago Koroneia encolheu de 34,4 km\u00b2, em 2016, para apenas 2,7 km\u00b2, uma redu\u00e7\u00e3o que evidencia a velocidade da crise h\u00eddrica registrada no norte da Gr\u00e9cia. 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