Aviso de segurança. Qualificação de soldadores sustenta a integridade de juntas em caldeiras, vasos de pressão, tubulações e estruturas, com risco direto de vida em caso de falha. O planejamento dos testes, a emissão da EPS e a aprovação dos corpos de prova devem ser conduzidos por profissional habilitado (engenheiro com ART registrada no CREA e inspetor de soldagem certificado conforme ABNT NBR 14842), observando NR-13 e o código de projeto aplicável. Este conteúdo é informativo e não substitui laudo, procedimento ou parecer técnico assinado.
Qualificação de procedimento, qualificação de soldador e certificação não são a mesma coisa
São três entregáveis diferentes e é comum o comprador cotar o errado. A qualificação de procedimento valida a receita de soldagem — material, consumível, corrente, aporte térmico, pré-aquecimento — por meio de ensaios mecânicos no corpo de prova, e resulta no RQPS que sustenta a EPS. A qualificação de soldador testa a pessoa contra essa EPS já aprovada e resulta no registro individual. A certificação por terceira parte é um passo adicional, em que um organismo independente atesta o processo, exigido em contratos de exportação, obras navais e fornecimento para grandes contratantes. Fora desse escopo estão os reparos provisórios feitos com solda a frio à base de resina epóxi, que não formam junta metalúrgica por fusão e, por isso, não são cobertos por código de soldagem nem por qualificação de soldador.
- RQPS/PQR conforme ISO 15614-1:2017 ou ASME BPVC Seção IX: valida o procedimento, não a pessoa.
- Registro de qualificação de soldador: valida a habilidade dentro da faixa da EPS.
- ISO 14732:2013: aplica-se a operadores e ajustadores de soldagem mecanizada, automática e robotizada.
- Certificação de terceira parte: exigência contratual, não substitui o dossiê interno da fabricante.
ASME IX, ISO 9606-1 ou AWS D1.1: qual código o seu contrato exige
O código não se escolhe por preferência, e sim pelo que o contrato, o projeto e o órgão fiscalizador exigem. Equipamento sob pressão sob escopo da NR-13 costuma puxar ASME BPVC Seção IX combinado com os códigos de projeto ASME. Estrutura metálica em aço carbono, galpão e passarela vão para AWS D1.1/D1.1M. Dutos de transporte seguem API 1104, que tem critérios de aceitação próprios. ISO 9606-1:2012 aparece quando a engenharia de detalhamento é europeia ou quando a fabricante mantém sistema de qualidade conforme ABNT NBR ISO 3834-2. Materiais especiais mudam o jogo: um tanque criogênico em aço com 9% de níquel exige controle de tenacidade e ensaio de impacto que não fazem parte de uma qualificação corriqueira em aço carbono, e o mesmo vale para inox duplex e ligas de níquel. Qualificar no código errado significa refazer tudo às vésperas da inspeção.
| Código de referência | Onde costuma ser exigido | Base da qualificação do soldador | Continuidade e validade |
|---|---|---|---|
| ASME BPVC Seção IX | Caldeiras, vasos de pressão e tubulações sob NR-13 | Variáveis essenciais por processo: P-Number, F-Number, posição, espessura e diâmetro | Qualificação suspensa quando o soldador fica mais de 6 meses sem usar o processo |
| ISO 9606-1:2012 | Fabricação com sistema de qualidade em soldagem conforme ABNT NBR ISO 3834-2 | Grupos de material e de consumível, faixa por espessura e por diâmetro | Confirmação periódica pelo empregador e prorrogação nas condições previstas na norma |
| AWS D1.1/D1.1M | Estruturas metálicas soldadas em aço carbono | Ensaio em chapa ou tubo por processo e por posição | Validade cessa após período sem soldar o processo qualificado |
| API 1104 | Dutos e tubulações de transporte de óleo e gás | Teste em tubo, por tipo de junta e posição, com critérios próprios de aceitação | Reavaliação conforme requisito do operador do duto |
| ISO 14732:2013 | Soldagem mecanizada, orbital e robotizada | Qualificação do operador e do ajustador de máquina, não do gesto manual | Vinculada ao sistema da qualidade do fabricante |
A posição do teste define quanto o soldador pode soldar depois
Cada posição de ensaio libera uma faixa de posições em produção, e essa é a variável que mais economiza dinheiro quando bem planejada. Testar tudo em posição plana sai barato e não serve para quase nada em campo; testar em 6G custa mais, exige soldador experiente e tem índice de reprovação maior, mas libera praticamente todas as posições em chapa e tubo de uma só vez. A regra prática de dimensionamento é qualificar na posição mais severa que o serviço realmente vai exigir nos próximos doze meses, não na posição em que o soldador tem mais confiança. A faixa exata sempre sai da tabela de posições do código adotado — o quadro abaixo resume o comportamento típico e serve para montar o plano de testes antes de cotar.
| Posição do teste | Descrição | Faixa tipicamente liberada em produção |
|---|---|---|
| 1G / 1F | Plana, com chapa na horizontal ou tubo girando | Somente serviços em posição plana |
| 2G | Horizontal, tubo com eixo vertical | Plana e horizontal |
| 3G | Vertical, na progressão testada (ascendente ou descendente) | Plana, horizontal e vertical na mesma progressão |
| 4G | Sobrecabeça | Plana e sobrecabeça |
| 3G + 4G em chapa | Combinação de dois cupons | Todas as posições em chapa |
| 6G | Tubo fixo inclinado a 45° | Todas as posições, em chapa e em tubo |
| 6GR | Tubo a 45° com anel de restrição | Todas as posições, incluindo juntas de nós tubulares com acesso restrito |
Ensaios do cupom: visual, dobramento, macrografia e radiografia
O corpo de prova soldado passa primeiro por inspeção visual, que já reprova mordeduras, falta de fusão aparente, sobreposição e reforço fora de tolerância. Aprovado no visual, o cupom vai para ensaio destrutivo — normalmente dobramento de raiz e face em chapa, ou dobramento lateral em espessuras maiores — e a macrografia é usada em juntas em ângulo para verificar penetração e perna de solda. Vários códigos admitem radiografia industrial no lugar do dobramento em determinadas condições, o que muda prazo e custo do serviço; quem interpreta o filme precisa ser certificado conforme ABNT NBR ISO 9712, sob pena de o laudo ser recusado na auditoria. Toda essa etapa depende de rastreabilidade: o controle exige etiquetas de identificação em cada corpo de prova, ligando o cupom ao soldador, à junta, à EPS e ao lote de consumível.
- Inspeção visual conforme critérios do código adotado, feita antes de qualquer ensaio destrutivo.
- Dobramento de raiz, face ou lateral, conforme espessura do cupom.
- Macrografia para juntas em ângulo e verificação de penetração.
- Radiografia como alternativa ao dobramento, quando permitida, com laudo assinado por profissional certificado em END.
- Registro fotográfico e rastreabilidade do consumível por lote e certificado do fabricante.
Validade, continuidade e os erros que derrubam o certificado na auditoria
A maior parte das requalificações que passam pelo marketplace não vem de reprovação técnica, e sim de perda de continuidade. Códigos como o ASME BPVC Seção IX tratam como suspensa a qualificação do soldador que passa mais de seis meses sem executar o processo qualificado, e a ISO 9606-1:2012 condiciona a manutenção do certificado à confirmação periódica pelo empregador, com registros que comprovem soldagem contínua. Isso significa que o certificado não é um documento que se guarda na gaveta: ele precisa de um controle de continuidade alimentado mês a mês, com evidência de produção. Os erros mais caros são previsíveis e todos aparecem em auditoria de contratante.
- Não manter registro mensal de continuidade por soldador e por processo, invalidando certificados válidos no papel.
- Qualificar contra uma EPS que ainda não tinha RQPS aprovado, o que anula toda a campanha.
- Testar em posição ou espessura inferior à do serviço real e descobrir a limitação só na inspeção.
- Trocar o consumível em produção para um F-Number fora da faixa qualificada.
- Usar cobre-junta no teste e soldar sem backing em produção, condição que costuma ser variável essencial.
- Aceitar relatório de ensaio sem identificação do laboratório, do operador de END e da norma de aceitação.
O que define o preço de uma campanha de qualificação
Não existe preço único porque o custo é montado por combinação, não por cabeça: o multiplicador real é o número de soldadores vezes o número de processos vezes o número de posições, e cada corpo de prova adicional carrega usinagem, ensaio e emissão de relatório. Material base é o segundo fator — inox, duplex, alumínio e ligas de níquel custam mais em consumível, exigem cuidado maior de preparação e podem demandar ensaio de impacto. Depois vêm ensaios adicionais, emissão por terceira parte, relatório bilíngue e urgência. Local também pesa: fazer o teste na própria fábrica evita deslocamento de equipe e parada de produção, mas exige cabine, gás, energia e um responsável técnico presente; oficinas que já fazem serviço de calandra para conformar chapas e montagem de virolas costumam ter estrutura pronta para receber os cupons e reduzem o custo logístico.
- Quantidade de soldadores e de combinações processo x posição por soldador.
- Grupo do metal base e espessura, que definem consumível, preparação e ensaios exigidos.
- Tipo de ensaio: dobramento e macrografia custam menos que radiografia com laudo de nível certificado.
- Execução in company ou em laboratório externo, com ou sem deslocamento de inspetor.
- Emissão por organismo de terceira parte e necessidade de documento bilíngue.
- Prazo: campanha emergencial antes de parada programada tende a elevar o valor da hora técnica.
Checklist de cotação e o que exigir do fornecedor
Cotação de qualificação de soldadores só fica comparável quando todos os fornecedores recebem o mesmo escopo técnico. Antes de pedir orçamento, reúna código exigido pelo contrato, EPS aplicável (ou a informação de que ela ainda precisa ser qualificada), quantidade de soldadores, processos, posições, material base com espessura e diâmetro, tipo de junta com ou sem cobre-junta e a lista de ensaios exigidos pelo cliente final. Do lado do fornecedor, verifique se os ensaios serão feitos em laboratório acreditado conforme ABNT NBR ISO/IEC 17025, quem assina a ART do serviço, qual a certificação do inspetor de soldagem conforme ABNT NBR 14842 e do pessoal de END conforme ABNT NBR ISO 9712. Empresas que executam solda pesada em estruturas e equipamentos de grande porte costumam manter cabines, dispositivos e inspetores próprios, o que encurta prazo. Peça sempre o dossiê completo como entregável, não apenas o certificado de uma página.
- Escopo técnico fechado: código, EPS, processos, posições, material, espessura e diâmetro.
- Comprovação de acreditação do laboratório de ensaios e certificados do pessoal envolvido.
- ART do responsável técnico e identificação do inspetor que acompanha os testes.
- Dossiê com EPS, RQPS, registros individuais, relatórios de ensaio, certificados de consumível e rastreabilidade dos cupons.
- Critério e custo de reteste em caso de reprovação, definidos por escrito na proposta.
- Prazo de emissão dos documentos e formato de entrega aceito pelo cliente final.
O que só a Soluções Industriais entrega neste nicho
- Demanda concentrada em campanhas de 3 a 20 soldadores antes de parada de manutenção ou início de contrato, com prazo curto.
- Compradores que chegam pedindo qualificação de soldador e ainda não têm EPS qualificada, o que obriga a rodar o RQPS antes.
- Pedidos com exigência explícita de relatório de ensaio emitido por laboratório acreditado, não apenas por oficina.
- Concentração de solicitações em ASME IX e AWS D1.1 no mercado interno, e em ISO 9606-1 quando o cliente final é engenharia estrangeira.
- Recorrência de requalificação por perda de continuidade de processo, e não por reprovação técnica no teste.
- Cotações que somam qualificação de soldador, ensaios não destrutivos e emissão de dossiê no mesmo escopo.
- Aumento de pedidos de qualificação de operador de soldagem mecanizada e orbital em obras de tubulação de processo.
Perguntas frequentes
Qualificar o soldador dispensa qualificar o procedimento de soldagem?
Não. O soldador é sempre testado contra uma EPS que já tenha um registro de qualificação de procedimento aprovado, conforme ISO 15614-1:2017 ou ASME BPVC Seção IX. Se a empresa não tem RQPS válido, é preciso qualificar o procedimento primeiro, o que soma ensaios mecânicos como tração, dobramento e, em muitos casos, impacto. Cotar apenas o teste do soldador nessa situação leva a retrabalho e a perda do prazo de inspeção.
Quanto tempo vale o certificado de qualificação de soldador?
Depende do código e, principalmente, da continuidade de uso. Pelo ASME BPVC Seção IX, a qualificação fica suspensa quando o soldador passa mais de seis meses sem soldar com aquele processo. A ISO 9606-1:2012 exige confirmação periódica pelo empregador, com registros que comprovem soldagem no período, e prevê condições específicas de prorrogação. Sem controle de continuidade documentado, o certificado é questionado em auditoria mesmo dentro do prazo nominal.
Um soldador qualificado em eletrodo revestido pode soldar com TIG ou arame tubular?
Não. O processo de soldagem é variável essencial em todos os códigos usuais, então SMAW, GTAW, GMAW, FCAW e SAW exigem qualificações separadas. É por isso que o orçamento cresce por combinação: cada processo adicional significa novo cupom, novo ensaio e novo registro. Vale mapear o que a produção realmente vai executar antes de fechar o plano de testes.
Preciso de qualificação de soldadores para atender a NR-13?
A NR-13 vincula fabricação, alteração e reparo de caldeiras, vasos de pressão e tubulações ao código de projeto adotado, e esses códigos exigem procedimentos e soldadores qualificados, com rastreabilidade documental. Na prática, sem os registros a intervenção não é aceita pelo profissional habilitado que assina o serviço nem pela inspeção do contratante. O responsável técnico deve ter ART registrada no CREA.
Soldagem robotizada ou orbital também exige qualificação de pessoal?
Sim, mas por outra via. A ISO 14732:2013 trata da qualificação de operadores de soldagem e de ajustadores para processos mecanizados, automáticos e robotizados, avaliando a capacidade de preparar e operar o equipamento, não a habilidade manual. O procedimento continua precisando de qualificação própria conforme o código aplicável.
O ensaio pode ser feito dentro da minha fábrica ou tem de ser em laboratório?
A soldagem do cupom normalmente pode ser feita nas instalações do contratante, com cabine, gás, energia e acompanhamento do inspetor de soldagem. Os ensaios destrutivos e a radiografia costumam seguir para laboratório, e vale exigir que ele seja acreditado conforme ABNT NBR ISO/IEC 17025 para que o relatório seja aceito sem discussão. Executar no local reduz deslocamento e parada de produção, mas exige infraestrutura mínima.
O que deve vir no dossiê entregue ao final da qualificação?
O pacote mínimo inclui a EPS, o RQPS que a sustenta, o registro individual de cada soldador com a faixa qualificada, os relatórios de ensaio com norma de aceitação, os certificados dos consumíveis, a identificação rastreável dos corpos de prova e o registro do inspetor responsável, certificado conforme ABNT NBR 14842. Laudos de ensaios não destrutivos devem estar assinados por profissional certificado conforme ABNT NBR ISO 9712.
E se o soldador reprovar no teste?
Os códigos preveem possibilidade de reteste, em geral com número definido de novos corpos de prova ou após treinamento comprovado, conforme as regras do código adotado. O ponto comercial é combinar isso antes: peça na proposta o critério de reteste e o custo unitário do cupom adicional, porque campanhas com muitos soldadores costumam ter alguma reprovação, sobretudo em posições 5G e 6G.
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Página revisada pela equipe técnica de Serviços Industriais e Soldagem da Soluções Industriais. Última revisão: 22 de agosto de 2026. Conteúdo elaborado com base nas normas técnicas brasileiras vigentes e em referências de fabricantes homologados no marketplace.
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Fontes técnicas citadas: ASME BPVC Seção IX, ISO 9606-1:2012, ISO 15614-1:2017, ISO 14732:2013, AWS D1.1/D1.1M, API 1104, ABNT NBR ISO 3834-2, ABNT NBR 14842, ABNT NBR ISO 9712, ABNT NBR ISO/IEC 17025, NR-13, NR-18, NR-33, NR-34, NR-35.