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Rasgo de chaveta

O rasgo de chaveta é o sulco usinado longitudinalmente em um eixo (rasgo no eixo) ou no furo de um cubo (rasgo no cubo) para alojar a chaveta, o elemento mecânico que transmite torque entre o eixo e o componente montado sobre ele. Suas dimensões e tolerâncias são padronizadas por normas como a DIN 6885 (chavetas paralelas e seus rasgos) e a ISO 773 para perfis retangulares; no Brasil, o ajuste entre chaveta e rasgo referencia o sistema de tolerâncias e ajustes da ABNT NBR 6158, enquanto cotas não toleranciadas seguem a ISO 2768.

Especificar um rasgo de chaveta envolve pelo menos cinco variáveis interligadas: a largura nominal (b) e a profundidade no eixo (t1) e no cubo (t2), definidas pelo diâmetro do eixo; o comprimento do rasgo, calculado pela carga a transmitir; o ajuste desejado (livre, normal ou apertado), que fixa a tolerância da largura; e a geometria do rasgo (aberto/passante, fechado com fundo de raio ou de meia-lua). Essas escolhas condicionam a montagem de componentes como polias industriais, engrenagens e acoplamentos sobre o eixo.

Por ser um elemento de transmissão, o rasgo cria concentração de tensão no raio de canto e reduz a seção resistente do eixo, tornando-o ponto crítico de fadiga em máquinas rotativas. O dimensionamento sob carga — verificação da chaveta ao cisalhamento e ao esmagamento e do comprimento efetivo — e a definição do ajuste conforme a ABNT NBR 6158 devem ser feitos com base em cálculo de engenharia e, em aplicações críticas, validados por engenheiro mecânico habilitado, evitando ruptura da chaveta ou trinca no rasgo em serviço.

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Rasgo de chaveta

Aviso de segurança. O rasgo de chaveta transmite torque e, mal dimensionado, pode levar à ruptura da chaveta ou à falha por fadiga do eixo, projetando o componente montado. O dimensionamento sob carga (largura, profundidade e comprimento por cisalhamento e esmagamento) e a definição do ajuste devem seguir DIN 6885 e o sistema de tolerâncias da ABNT NBR 6158, com validação de engenheiro mecânico habilitado em aplicações críticas.

O que é o rasgo de chaveta e qual a sua função

O rasgo de chaveta trabalha em par com a chaveta para travar o giro relativo entre eixo e cubo, transmitindo torque sem depender apenas do atrito de um ajuste prensado. O rasgo no eixo recebe metade da altura da chaveta e o rasgo no cubo recebe a outra metade; juntos formam um encaixe positivo. É uma solução de baixo custo e alta reposição usada em redutores, motores, bombas, polias e engrenagens, onde interessa montar e desmontar o componente sem danificar o eixo.

  • Rasgo no eixo: usinado na superfície externa, aloja a parte inferior da chaveta.
  • Rasgo no cubo: usinado no furo do componente montado, aloja a parte superior.
  • Chaveta paralela é o tipo dominante; a inclinada (de cunha) também trava axialmente.

Tipos de rasgo de chaveta: eixo, cubo, aberto, fechado e meia-lua

Além da divisão eixo/cubo, o rasgo se classifica pela geometria. O rasgo aberto (passante) atravessa toda a extremidade e é usinado com fresa de disco, deixando fundo reto. O rasgo fechado, ou tipo sled runner, tem os dois extremos com raio e é feito com fresa de topo, exigido quando o rasgo não pode chegar à ponta do eixo. Já a chaveta meia-lua (Woodruff, DIN 6888) usa um rasgo semicircular fresado com fresa própria, comum em eixos cônicos e pontas de eixo de pequeno diâmetro por se auto-alinhar. Muitas oficinas que fazem rasgo também usinam perfis correlatos de transmissão, como conjuntos de rosca sem fim.

  • Aberto/passante: fresa de disco, fundo reto, chaveta sai pela extremidade.
  • Fechado (sled runner): fresa de topo, extremos com raio, no meio do eixo.
  • Meia-lua (Woodruff): rasgo semicircular, auto-alinhante em eixos cônicos.
  • De cunha/inclinada: transmite torque e fixa a posição axial do cubo.

Processos de usinagem e quando usar cada um

A escolha do processo depende de onde está o rasgo, da dureza do material e do tamanho do lote. Para rasgo em eixo, o fresamento é a rota padrão: fresa de topo para rasgo fechado, fresa de disco para rasgo aberto. Para rasgo interno em cubo, o brochamento é o método clássico — a brocha atravessa o furo removendo o material em passes, rápido e preciso em lotes médios e grandes, mas exige a brocha do tamanho certo. Em peças já temperadas (acima de ~45 HRC), fresa e brocha não cortam bem: a eletroerosão a fio abre o rasgo sem gerar calor nem esforço mecânico, ideal para retrabalho de peças acabadas. Aplainamento e mandrilamento atendem lotes unitários ou furos muito grandes. As mesmas oficinas costumam executar outros perfis usinados, como a rosca quadrada.

  • Fresamento: melhor para rasgo em eixo, lotes variados, material recozido/beneficiado.
  • Brochamento: melhor para rasgo em cubo, alta repetibilidade, exige brocha dedicada.
  • Eletroerosão a fio: obrigatória em peças temperadas ou de geometria delicada.
  • Aplainamento/mandrilamento: unitários, furos grandes ou sem ferramental dedicado.

Dimensões, profundidade e tolerância de largura por diâmetro

A largura (b) e a altura da chaveta são definidas pela faixa de diâmetro do eixo, conforme a DIN 6885; a partir delas seguem a profundidade no eixo (t1) e no cubo (t2). A largura do rasgo é o que recebe a tolerância de ajuste: usa-se N9 no eixo e JS9 no cubo para ajuste normal, H9/D10 para ajuste livre (montagem e desmontagem frequente) e P9/P9 para ajuste apertado (cargas com choque ou reversão). Errar essa tolerância é a causa nº 1 de chaveta frouxa ou de chaveta que não entra. A tabela abaixo resume valores usuais da DIN 6885.

Diâmetro do eixo (mm)Chaveta b × h (mm)Prof. no eixo t1 (mm)Prof. no cubo t2 (mm)Norma
>12 a 175 × 53,02,3DIN 6885
>17 a 226 × 63,52,8DIN 6885
>22 a 308 × 74,03,3DIN 6885
>30 a 3810 × 85,03,3DIN 6885
>38 a 4412 × 85,03,3DIN 6885
>44 a 5014 × 95,53,8DIN 6885

Como especificar no desenho e checklist de cotação

Uma cotação sem ambiguidade evita retrabalho e peça sucateada. O desenho deve informar largura com tolerância (ex.: b = 8 N9), profundidade t1 ou t2 medida a partir do fundo/topo, comprimento e posição do rasgo, geometria (aberto ou fechado) e o ajuste pretendido. Quando o cliente envia a própria peça em vez do desenho, o fornecedor precisa saber o material e a dureza para escolher o processo. Reúna os dados abaixo antes de pedir orçamento a vários fornecedores de usinagem.

  • Desenho cotado ou modelo 3D com largura, profundidade, comprimento e ajuste.
  • Se é rasgo no eixo ou no cubo (furo) e diâmetro nominal.
  • Material (ex.: SAE 1045, 4140) e dureza (recozido, beneficiado ou temperado em HRC).
  • Quantidade de peças e prazo — lote define fresa vs brocha e o preço unitário.
  • Norma de referência (DIN 6885 ou ISO 773) e tolerâncias gerais (ISO 2768).

Modos de falha: concentração de tensão e erros comuns

O rasgo remove material e cria um canto vivo que concentra tensão; em eixos sob torque alternado, esse canto é o ponto de início de trinca por fadiga. Especificar (e cobrar) o raio de fundo do rasgo reduz esse risco — cantos absolutamente vivos são um erro comum de fabricação. Outros modos de falha frequentes: chaveta cisalhada por comprimento subdimensionado, esmagamento das faces por ajuste frouxo, e martelamento (folga que bate) em cargas reversíveis com ajuste livre onde deveria ser apertado. Em aplicações onde a fadiga é crítica, avalie soluções sem rasgo, como buchas cônicas de aperto ou o eixo expansivo, que distribuem a pressão sem enfraquecer a seção.

  • Canto vivo sem raio de fundo → trinca de fadiga no eixo.
  • Comprimento curto → chaveta cisalhada; largura errada → esmagamento das faces.
  • Ajuste livre em carga reversível → folga, martelamento e desgaste do rasgo.

O que define o preço da usinagem de rasgo de chaveta

Não existe preço de tabela: o valor de usinar um rasgo é dominado por poucos fatores. O comprimento e a quantidade de rasgos por peça determinam o tempo de máquina; a dureza do material define o processo (peça temperada obriga eletroerosão a fio, bem mais cara que fresamento). O tamanho do lote dilui o setup — um rasgo unitário pesa muito mais que o mesmo rasgo em 500 peças, porque o preparo e, no brochamento, o custo da brocha se rateiam. Tolerâncias apertadas (P9) e exigência de laudo dimensional também elevam o custo. Peça sempre orçamento a mais de um fornecedor comparando o mesmo desenho.

  • Processo (fresa/brocha vs eletroerosão) puxado pela dureza do material.
  • Comprimento e número de rasgos por peça = tempo de máquina.
  • Tamanho do lote dilui setup e ferramental (brocha dedicada).
  • Tolerância apertada, acabamento e laudo dimensional agregam custo.

O que só a Soluções Industriais entrega neste nicho

  • Fornecedores de usinagem que executam rasgo no eixo e no cubo na mesma ordem de serviço
  • Tabela DIN 6885 de largura × profundidade (t1 e t2) por faixa de diâmetro do eixo
  • Matriz de tolerância de largura por ajuste: N9/JS9 (normal), H9/D10 (livre), P9 (apertado)
  • Comparativo de processo por dureza: fresa vs brocha vs eletroerosão a fio em peças temperadas
  • Checklist de cotação com desenho cotado, material, dureza HRC e quantidade
  • Fatores que movem o preço: comprimento do rasgo, dureza do material e tamanho do lote
  • Risco de falha por concentração de tensão no raio de canto do rasgo em eixos sob fadiga

Perguntas frequentes

Qual a diferença de tolerância entre o rasgo no eixo e o no cubo?

Ambos recebem a mesma largura nominal (b), mas o campo de tolerância muda pelo ajuste. No ajuste normal usa-se N9 no eixo e JS9 no cubo, conforme o sistema da ABNT NBR 6158; a profundidade difere (t1 no eixo, t2 no cubo) segundo a DIN 6885. Informar qual dos dois será usinado é essencial na cotação.

Como fazer rasgo de chaveta em peça temperada?

Fresa e brocha não cortam bem material acima de cerca de 45 HRC. A rota indicada é a eletroerosão a fio (WEDM), que abre o rasgo sem esforço mecânico nem calor que revenha a peça. Informe a dureza em HRC no orçamento, pois ela muda completamente o processo e o preço.

Que tipo de ajuste devo escolher para a chaveta?

Use ajuste livre (H9/D10) quando o cubo precisa deslizar ou ser montado e desmontado com frequência; ajuste normal (N9/JS9) para a maioria das transmissões; e ajuste apertado (P9/P9) em cargas com choque ou inversão de sentido, para evitar folga e martelamento. A escolha do ajuste é definida em projeto conforme a carga.

O rasgo enfraquece o eixo?

Sim. O rasgo reduz a seção resistente e cria concentração de tensão no canto de fundo, ponto de início de trinca por fadiga em eixos rotativos. Especificar um raio de fundo e dimensionar o eixo com fator de concentração de tensão mitiga o problema; em casos críticos, isso deve ser verificado por engenheiro mecânico habilitado.

Preciso enviar a peça ou basta o desenho?

Um desenho cotado com largura (com tolerância), profundidade, comprimento, ajuste e material já permite orçar e, muitas vezes, usinar a partir de bruto. Se a peça já existe, envie-a com informação de material e dureza. Fornecer a norma de referência (DIN 6885 ou ISO 773) evita interpretações divergentes.

Rasgo aberto ou fechado: quando usar cada um?

O rasgo aberto (passante), feito com fresa de disco, é mais barato e usado quando o rasgo pode chegar à extremidade do eixo. O fechado (sled runner), feito com fresa de topo, é obrigatório quando o rasgo fica no meio do eixo e não pode ser passante; tem extremos com raio e custo um pouco maior pelo tempo de máquina.

Dá para usinar rasgo de chaveta sem desmontar o eixo?

Existem máquinas portáteis (fresadoras/aplainadoras de campo) que abrem rasgo em eixos montados ou de grande porte, comuns em manutenção de redutores e turbinas. A precisão é menor que a de brochamento em oficina, então confirme com o fornecedor a tolerância atingível e se ela atende ao ajuste especificado.

Qual norma dimensiona a chaveta meia-lua?

A chaveta meia-lua (Woodruff) e seu rasgo semicircular seguem a DIN 6888. Ela é indicada em pontas de eixo e eixos cônicos de pequeno diâmetro por se auto-alinhar, mas remove mais material localmente, o que exige atenção à resistência à fadiga do eixo.

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Página revisada pela equipe técnica de Usinagem e Serviços Mecânicos da Soluções Industriais. Última revisão: 14 de julho de 2026. Conteúdo elaborado com base nas normas técnicas brasileiras vigentes e em referências de fabricantes homologados no marketplace.

Soluções Industriais — marketplace B2B ativo desde 2014, com mais de 50 mil fornecedores, 250 mil produtos e 3 milhões de negócios intermediados. Operado por DSW Soluções Digitais LTDA, CNPJ 14.777.835/0001-67.

Fontes técnicas citadas: DIN 6885, DIN 6888, ISO 773, ISO 2768, ABNT NBR 6158.