Rasgo de chaveta
Aviso de segurança. O rasgo de chaveta transmite torque e, mal dimensionado, pode levar à ruptura da chaveta ou à falha por fadiga do eixo, projetando o componente montado. O dimensionamento sob carga (largura, profundidade e comprimento por cisalhamento e esmagamento) e a definição do ajuste devem seguir DIN 6885 e o sistema de tolerâncias da ABNT NBR 6158, com validação de engenheiro mecânico habilitado em aplicações críticas.
O que é o rasgo de chaveta e qual a sua função
O rasgo de chaveta trabalha em par com a chaveta para travar o giro relativo entre eixo e cubo, transmitindo torque sem depender apenas do atrito de um ajuste prensado. O rasgo no eixo recebe metade da altura da chaveta e o rasgo no cubo recebe a outra metade; juntos formam um encaixe positivo. É uma solução de baixo custo e alta reposição usada em redutores, motores, bombas, polias e engrenagens, onde interessa montar e desmontar o componente sem danificar o eixo.
- Rasgo no eixo: usinado na superfície externa, aloja a parte inferior da chaveta.
- Rasgo no cubo: usinado no furo do componente montado, aloja a parte superior.
- Chaveta paralela é o tipo dominante; a inclinada (de cunha) também trava axialmente.
Tipos de rasgo de chaveta: eixo, cubo, aberto, fechado e meia-lua
Além da divisão eixo/cubo, o rasgo se classifica pela geometria. O rasgo aberto (passante) atravessa toda a extremidade e é usinado com fresa de disco, deixando fundo reto. O rasgo fechado, ou tipo sled runner, tem os dois extremos com raio e é feito com fresa de topo, exigido quando o rasgo não pode chegar à ponta do eixo. Já a chaveta meia-lua (Woodruff, DIN 6888) usa um rasgo semicircular fresado com fresa própria, comum em eixos cônicos e pontas de eixo de pequeno diâmetro por se auto-alinhar. Muitas oficinas que fazem rasgo também usinam perfis correlatos de transmissão, como conjuntos de rosca sem fim.
- Aberto/passante: fresa de disco, fundo reto, chaveta sai pela extremidade.
- Fechado (sled runner): fresa de topo, extremos com raio, no meio do eixo.
- Meia-lua (Woodruff): rasgo semicircular, auto-alinhante em eixos cônicos.
- De cunha/inclinada: transmite torque e fixa a posição axial do cubo.
Processos de usinagem e quando usar cada um
A escolha do processo depende de onde está o rasgo, da dureza do material e do tamanho do lote. Para rasgo em eixo, o fresamento é a rota padrão: fresa de topo para rasgo fechado, fresa de disco para rasgo aberto. Para rasgo interno em cubo, o brochamento é o método clássico — a brocha atravessa o furo removendo o material em passes, rápido e preciso em lotes médios e grandes, mas exige a brocha do tamanho certo. Em peças já temperadas (acima de ~45 HRC), fresa e brocha não cortam bem: a eletroerosão a fio abre o rasgo sem gerar calor nem esforço mecânico, ideal para retrabalho de peças acabadas. Aplainamento e mandrilamento atendem lotes unitários ou furos muito grandes. As mesmas oficinas costumam executar outros perfis usinados, como a rosca quadrada.
- Fresamento: melhor para rasgo em eixo, lotes variados, material recozido/beneficiado.
- Brochamento: melhor para rasgo em cubo, alta repetibilidade, exige brocha dedicada.
- Eletroerosão a fio: obrigatória em peças temperadas ou de geometria delicada.
- Aplainamento/mandrilamento: unitários, furos grandes ou sem ferramental dedicado.
Dimensões, profundidade e tolerância de largura por diâmetro
A largura (b) e a altura da chaveta são definidas pela faixa de diâmetro do eixo, conforme a DIN 6885; a partir delas seguem a profundidade no eixo (t1) e no cubo (t2). A largura do rasgo é o que recebe a tolerância de ajuste: usa-se N9 no eixo e JS9 no cubo para ajuste normal, H9/D10 para ajuste livre (montagem e desmontagem frequente) e P9/P9 para ajuste apertado (cargas com choque ou reversão). Errar essa tolerância é a causa nº 1 de chaveta frouxa ou de chaveta que não entra. A tabela abaixo resume valores usuais da DIN 6885.
| Diâmetro do eixo (mm) | Chaveta b × h (mm) | Prof. no eixo t1 (mm) | Prof. no cubo t2 (mm) | Norma |
|---|---|---|---|---|
| >12 a 17 | 5 × 5 | 3,0 | 2,3 | DIN 6885 |
| >17 a 22 | 6 × 6 | 3,5 | 2,8 | DIN 6885 |
| >22 a 30 | 8 × 7 | 4,0 | 3,3 | DIN 6885 |
| >30 a 38 | 10 × 8 | 5,0 | 3,3 | DIN 6885 |
| >38 a 44 | 12 × 8 | 5,0 | 3,3 | DIN 6885 |
| >44 a 50 | 14 × 9 | 5,5 | 3,8 | DIN 6885 |
Como especificar no desenho e checklist de cotação
Uma cotação sem ambiguidade evita retrabalho e peça sucateada. O desenho deve informar largura com tolerância (ex.: b = 8 N9), profundidade t1 ou t2 medida a partir do fundo/topo, comprimento e posição do rasgo, geometria (aberto ou fechado) e o ajuste pretendido. Quando o cliente envia a própria peça em vez do desenho, o fornecedor precisa saber o material e a dureza para escolher o processo. Reúna os dados abaixo antes de pedir orçamento a vários fornecedores de usinagem.
- Desenho cotado ou modelo 3D com largura, profundidade, comprimento e ajuste.
- Se é rasgo no eixo ou no cubo (furo) e diâmetro nominal.
- Material (ex.: SAE 1045, 4140) e dureza (recozido, beneficiado ou temperado em HRC).
- Quantidade de peças e prazo — lote define fresa vs brocha e o preço unitário.
- Norma de referência (DIN 6885 ou ISO 773) e tolerâncias gerais (ISO 2768).
Modos de falha: concentração de tensão e erros comuns
O rasgo remove material e cria um canto vivo que concentra tensão; em eixos sob torque alternado, esse canto é o ponto de início de trinca por fadiga. Especificar (e cobrar) o raio de fundo do rasgo reduz esse risco — cantos absolutamente vivos são um erro comum de fabricação. Outros modos de falha frequentes: chaveta cisalhada por comprimento subdimensionado, esmagamento das faces por ajuste frouxo, e martelamento (folga que bate) em cargas reversíveis com ajuste livre onde deveria ser apertado. Em aplicações onde a fadiga é crítica, avalie soluções sem rasgo, como buchas cônicas de aperto ou o eixo expansivo, que distribuem a pressão sem enfraquecer a seção.
- Canto vivo sem raio de fundo → trinca de fadiga no eixo.
- Comprimento curto → chaveta cisalhada; largura errada → esmagamento das faces.
- Ajuste livre em carga reversível → folga, martelamento e desgaste do rasgo.
O que define o preço da usinagem de rasgo de chaveta
Não existe preço de tabela: o valor de usinar um rasgo é dominado por poucos fatores. O comprimento e a quantidade de rasgos por peça determinam o tempo de máquina; a dureza do material define o processo (peça temperada obriga eletroerosão a fio, bem mais cara que fresamento). O tamanho do lote dilui o setup — um rasgo unitário pesa muito mais que o mesmo rasgo em 500 peças, porque o preparo e, no brochamento, o custo da brocha se rateiam. Tolerâncias apertadas (P9) e exigência de laudo dimensional também elevam o custo. Peça sempre orçamento a mais de um fornecedor comparando o mesmo desenho.
- Processo (fresa/brocha vs eletroerosão) puxado pela dureza do material.
- Comprimento e número de rasgos por peça = tempo de máquina.
- Tamanho do lote dilui setup e ferramental (brocha dedicada).
- Tolerância apertada, acabamento e laudo dimensional agregam custo.
O que só a Soluções Industriais entrega neste nicho
- Fornecedores de usinagem que executam rasgo no eixo e no cubo na mesma ordem de serviço
- Tabela DIN 6885 de largura × profundidade (t1 e t2) por faixa de diâmetro do eixo
- Matriz de tolerância de largura por ajuste: N9/JS9 (normal), H9/D10 (livre), P9 (apertado)
- Comparativo de processo por dureza: fresa vs brocha vs eletroerosão a fio em peças temperadas
- Checklist de cotação com desenho cotado, material, dureza HRC e quantidade
- Fatores que movem o preço: comprimento do rasgo, dureza do material e tamanho do lote
- Risco de falha por concentração de tensão no raio de canto do rasgo em eixos sob fadiga
Perguntas frequentes
Qual a diferença de tolerância entre o rasgo no eixo e o no cubo?
Ambos recebem a mesma largura nominal (b), mas o campo de tolerância muda pelo ajuste. No ajuste normal usa-se N9 no eixo e JS9 no cubo, conforme o sistema da ABNT NBR 6158; a profundidade difere (t1 no eixo, t2 no cubo) segundo a DIN 6885. Informar qual dos dois será usinado é essencial na cotação.
Como fazer rasgo de chaveta em peça temperada?
Fresa e brocha não cortam bem material acima de cerca de 45 HRC. A rota indicada é a eletroerosão a fio (WEDM), que abre o rasgo sem esforço mecânico nem calor que revenha a peça. Informe a dureza em HRC no orçamento, pois ela muda completamente o processo e o preço.
Que tipo de ajuste devo escolher para a chaveta?
Use ajuste livre (H9/D10) quando o cubo precisa deslizar ou ser montado e desmontado com frequência; ajuste normal (N9/JS9) para a maioria das transmissões; e ajuste apertado (P9/P9) em cargas com choque ou inversão de sentido, para evitar folga e martelamento. A escolha do ajuste é definida em projeto conforme a carga.
O rasgo enfraquece o eixo?
Sim. O rasgo reduz a seção resistente e cria concentração de tensão no canto de fundo, ponto de início de trinca por fadiga em eixos rotativos. Especificar um raio de fundo e dimensionar o eixo com fator de concentração de tensão mitiga o problema; em casos críticos, isso deve ser verificado por engenheiro mecânico habilitado.
Preciso enviar a peça ou basta o desenho?
Um desenho cotado com largura (com tolerância), profundidade, comprimento, ajuste e material já permite orçar e, muitas vezes, usinar a partir de bruto. Se a peça já existe, envie-a com informação de material e dureza. Fornecer a norma de referência (DIN 6885 ou ISO 773) evita interpretações divergentes.
Rasgo aberto ou fechado: quando usar cada um?
O rasgo aberto (passante), feito com fresa de disco, é mais barato e usado quando o rasgo pode chegar à extremidade do eixo. O fechado (sled runner), feito com fresa de topo, é obrigatório quando o rasgo fica no meio do eixo e não pode ser passante; tem extremos com raio e custo um pouco maior pelo tempo de máquina.
Dá para usinar rasgo de chaveta sem desmontar o eixo?
Existem máquinas portáteis (fresadoras/aplainadoras de campo) que abrem rasgo em eixos montados ou de grande porte, comuns em manutenção de redutores e turbinas. A precisão é menor que a de brochamento em oficina, então confirme com o fornecedor a tolerância atingível e se ela atende ao ajuste especificado.
Qual norma dimensiona a chaveta meia-lua?
A chaveta meia-lua (Woodruff) e seu rasgo semicircular seguem a DIN 6888. Ela é indicada em pontas de eixo e eixos cônicos de pequeno diâmetro por se auto-alinhar, mas remove mais material localmente, o que exige atenção à resistência à fadiga do eixo.
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Página revisada pela equipe técnica de Usinagem e Serviços Mecânicos da Soluções Industriais. Última revisão: 14 de julho de 2026. Conteúdo elaborado com base nas normas técnicas brasileiras vigentes e em referências de fabricantes homologados no marketplace.
Soluções Industriais — marketplace B2B ativo desde 2014, com mais de 50 mil fornecedores, 250 mil produtos e 3 milhões de negócios intermediados. Operado por DSW Soluções Digitais LTDA, CNPJ 14.777.835/0001-67.
Fontes técnicas citadas: DIN 6885, DIN 6888, ISO 773, ISO 2768, ABNT NBR 6158.