Aviso de segurança. O cimento asfáltico é manuseado entre 140 °C e 180 °C e o contato com a pele causa queimadura grave de difícil remoção; o produto é classificado como perigoso e sua movimentação exige FISPQ conforme a ABNT NBR 14725, EPI adequado e as medidas de trabalho com inflamáveis previstas na NR-20 e na NR-06. A especificação do ligante, o projeto de dosagem da mistura e a aceitação em obra devem ser conduzidos por engenheiro civil habilitado com ART registrada no CREA, seguindo a Resolução ANP nº 19/2005 e a norma DNIT 095/2006-EM. Este conteúdo é informativo e não substitui projeto, laudo laboratorial nem parecer de profissional legalmente habilitado.
O que é cimento asfáltico e onde ele é consumido
O CAP responde por algo entre 4% e 7% da massa de um concreto betuminoso usinado a quente, mas é ele que determina flexibilidade, adesividade e vida de fadiga do pavimento — os agregados apenas dão esqueleto. Seu destino majoritário é o CBUQ produzido em usina, conforme a norma DNIT 031/2006-ES, seguido de misturas descontínuas, camadas porosas de atrito e, em menor escala, aplicações industriais de impermeabilização. Como precisa chegar quente à usina e é estocado em tanque aquecido com recirculação, o CAP não é material de retirada em balcão: a compra pressupõe infraestrutura térmica instalada no destino. Por isso o comprador típico é usina de asfalto, construtora de pavimentação, prefeitura com usina própria ou indústria com pátio de grande porte.
- Concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ) em vias urbanas e rodovias.
- Camadas de ligação (binder) e camadas de rolamento.
- Pré-misturado a quente e misturas descontínuas de alto desempenho.
- Recapeamento sobre pavimento fresado e pavimento existente.
- Pisos e pátios industriais asfálticos de tráfego pesado.
Grades por penetração: como escolher entre CAP 30/45, 50/70, 85/100 e 150/200
A grade é definida pelo par clima e tráfego, não por preferência de fornecedor. Ligantes mais duros, de menor penetração, resistem melhor à deformação permanente em regiões quentes e sob tráfego pesado, mas ficam mais frágeis e sujeitos a trincamento térmico em clima frio; ligantes mais moles fazem o caminho inverso. No Brasil, o CAP 50/70 é a grade de uso geral por cobrir bem a faixa térmica da maior parte do território, enquanto o CAP 30/45 é a escolha de corredores de carga e regiões de verão severo. A tabela abaixo resume o critério de aplicação de cada grade conforme os limites de penetração da Resolução ANP nº 19/2005, medidos pela ABNT NBR 6576.
| Grade | Penetração a 25 °C (0,1 mm) | Rigidez relativa | Cenário recomendado | Risco se aplicada fora do cenário |
|---|---|---|---|---|
| CAP 30/45 | 30 a 45 | Mais duro | Tráfego pesado, corredores logísticos, clima quente | Trincamento térmico e fadiga precoce em clima frio |
| CAP 50/70 | 50 a 70 | Intermediário | Uso geral em vias urbanas e rodovias na maior parte do país | Deformação em pátios de carga muito solicitados |
| CAP 85/100 | 85 a 100 | Mais mole | Regiões de temperatura amena e tráfego leve a médio | Afundamento de trilha de roda em clima quente |
| CAP 150/200 | 150 a 200 | Muito mole | Aplicações específicas e clima frio, uso restrito | Deformação permanente severa sob tráfego pesado |
| Asfalto modificado por polímero (SBS) | Varia conforme formulação | Elastômero incorporado | Tráfego muito pesado, rampas, faixas de ônibus, pontes | Custo desnecessário em via de baixo volume |
| Asfalto-borracha | Varia conforme formulação | Elastômero de pneu moído | Resistência a trincas por reflexão e apelo ambiental | Exige usina adaptada e janela de aplicação mais estreita |
Grau de desempenho PG e o que ele muda na compra
A classificação por penetração descreve o material; o grau de desempenho descreve o serviço. No sistema PG, o ligante recebe dois números — a temperatura máxima e a mínima do pavimento que ele deve suportar — e é ensaiado em reômetro para verificar resistência à deformação em alta temperatura e ao trincamento em baixa. Na prática de compra, isso significa que dois lotes de CAP 50/70 aprovados na mesma faixa de penetração podem se comportar de forma diferente sob carga, e apenas o laudo de desempenho evidencia isso. Quando o edital ou o projeto exigir PG, peça no orçamento o relatório completo, incluindo o resultado após envelhecimento em RTFOT, que revela quanto o ligante enrijece só no processo de usinagem. Em obra de menor porte, o PG raramente é exigível, e insistir nele encarece a cotação sem ganho técnico proporcional.
CAP, emulsão asfáltica e asfalto diluído: não confundir no pedido
Boa parte dos pedidos errados nasce da confusão entre ligantes de famílias diferentes. O CAP é o ligante puro aquecido, usado para produzir massa asfáltica. A emulsão asfáltica é o mesmo asfalto disperso em água com emulsificante, aplicada fria em imprimação e pintura de ligação, e classificada em rupturas rápida, média e lenta. O asfalto diluído usa solvente derivado de petróleo e tem uso hoje bem mais restrito por questões ambientais e de emissão. Quem precisa apenas selar uma base antes do revestimento não deve comprar CAP; quem vai produzir CBUQ não resolve com emulsão. Vale lembrar que o ligante é só uma parte do sistema: a mistura depende também da granulometria e da qualidade da pedra brita e agregados minerais da faixa de projeto, e o desempenho final é sempre do conjunto.
- CAP: ligante puro aquecido, insumo da usina de massa asfáltica.
- Emulsão RR-1C e RR-2C: ruptura rápida, típica de pintura de ligação.
- Emulsão RM e RL: ruptura média e lenta, para imprimação e misturas a frio.
- Asfalto diluído: uso restrito, com solvente, sujeito a limitações ambientais.
- Ligante modificado: CAP com polímero ou borracha, para solicitação severa.
Da tonelada de ligante à tonelada de pavimento: o que move o preço
O comprador raramente precisa de CAP isolado — precisa cobrir uma área. A conta prática parte do teor de ligante do projeto de dosagem, normalmente na faixa de 4% a 7% em massa para CBUQ: em um teor de 5%, cada tonelada de CAP rende aproximadamente 20 toneladas de massa asfáltica. Convertendo para área, uma camada de rolamento de 5 cm com massa específica em torno de 2,4 t/m³ consome cerca de 0,12 tonelada de massa por metro quadrado, o que faz uma tonelada de ligante cobrir grosso modo 160 a 170 m² nesse teor. Essa é a conta que traduz um orçamento de ligante em orçamento de obra e que permite comparar propostas com bases diferentes. Sobre o preço em si, ele é indexado à cotação internacional do petróleo e ao câmbio, portanto flutua entre trimestres; o que o fornecedor efetivamente controla é a parcela logística.
- Grade e tipo de ligante: modificado por polímero custa sensivelmente mais que CAP puro.
- Distância entre a base de distribuição e a usina: frete quente é o item que mais varia no preço entregue.
- Volume do pedido: carga cheia de caminhão-tanque tem custo unitário bem menor que carga fracionada.
- Sazonalidade: período seco concentra a demanda de pavimentação e pressiona prazo e preço.
- Exigência documental: laudos de desempenho PG e ensaios adicionais por lote entram no custo.
- Câmbio e cotação do petróleo: reajustes frequentes tornam propostas de validade longa raras.
Modos de falha e erros de especificação mais comuns
O CAP falha menos por defeito de fábrica e mais por manuseio e escolha equivocada. Superaquecer o ligante no tanque, acima da faixa indicada pelo laudo de viscosidade da ABNT NBR 15184, acelera o envelhecimento e produz um asfalto quebradiço antes mesmo de a pista abrir ao tráfego. Recircular o tanque por semanas na temperatura de trabalho tem o mesmo efeito acumulado. No caso do asfalto modificado por polímero, estoque prolongado sem agitação leva à segregação da fase polimérica, e o material entregue no início e no fim do tanque deixa de ser o mesmo produto. Já a compactação fora da janela térmica de projeto gera vazios excessivos, entrada de água e desagregação em poucos meses. O erro de especificação mais caro, porém, é usar grade mole em pátio de carga ou faixa de ônibus: o afundamento de trilha de roda aparece rápido e a correção passa por fresagem e reexecução da camada, custo muito superior ao do ligante correto.
- Aquecimento acima do ponto de fulgor: risco de incêndio e degradação irreversível do ligante.
- Estoque quente prolongado: envelhecimento antecipado e perda de penetração do lote.
- Segregação de ligante modificado em tanque sem recirculação adequada.
- Compactação abaixo da temperatura de projeto: vazios altos e desagregação precoce.
- Grade mole em tráfego pesado: afundamento de trilha de roda e reexecução da camada.
- Ausência de ensaio de recebimento por lote: só se descobre o problema com a pista pronta.
Checklist de cotação e como qualificar o fornecedor
Cotar cimento asfáltico sem os dados de projeto costuma render propostas incomparáveis entre si. Antes de acionar fornecedores, reúna a grade exigida em projeto, o volume total e o parcelamento das entregas, o endereço e a distância até a usina, a existência e a capacidade do tanque aquecido no destino, a janela de execução e as exigências documentais do contratante. Do lado do fornecedor, confirme a condição de distribuidor autorizado pela ANP, a capacidade de entrega em caminhão-tanque isotérmico dentro da janela térmica e a rotina de emissão de certificado de análise por lote. Como é comum um mesmo canteiro precisar cotar em paralelo o ligante e os demais insumos da obra, incluindo o pacote de materiais de construção para pavimentação e drenagem, vale consolidar as demandas antes de disparar as solicitações.
- Grade ou grau de desempenho exigido em projeto e norma de referência aplicável.
- Volume total em toneladas e cronograma de entregas parceladas.
- Local de descarga, distância da base e acesso para caminhão-tanque.
- Capacidade e temperatura do tanque de estocagem no destino.
- Certificado de análise do lote com penetração, ponto de amolecimento e viscosidade.
- FISPQ conforme ABNT NBR 14725 e documentação de transporte de produto perigoso.
- Condição de reajuste e prazo de validade da proposta.
O que só a Soluções Industriais entrega neste nicho
- Grades CAP 30/45, 50/70, 85/100 e 150/200 comparadas por clima e tráfego, não apenas listadas.
- Conversão prática de tonelada de ligante em tonelada de massa asfáltica pelo teor de projeto.
- Janela de temperatura de usinagem e compactação derivada da viscosidade Brookfield, e não de regra fixa.
- Custo de logística quente em caminhão-tanque isotérmico como fator dominante do preço entregue.
- Checklist de cotação com grade, volume, distância da usina, laudo de lote e FISPQ.
- Modos de falha reais: ligante superaquecido, segregação de asfalto modificado em tanque e mistura fora da janela térmica.
- Diferenciação entre CAP, emulsão asfáltica e asfalto diluído no momento do pedido, que evita compra errada.
- Exigências documentais de obra pública: certificado de análise do lote e conformidade com DNIT 095/2006-EM.
Perguntas frequentes
Qual a diferença prática entre CAP 30/45 e CAP 50/70?
A diferença é a dureza medida no ensaio de penetração da ABNT NBR 6576: o CAP 30/45 penetra entre 30 e 45 décimos de milímetro e é mais rígido, enquanto o CAP 50/70 fica entre 50 e 70 e é mais flexível. O 30/45 resiste melhor à deformação permanente sob tráfego pesado e calor, mas é mais suscetível a trincamento térmico. O 50/70 é a grade de uso geral no Brasil por equilibrar os dois comportamentos na maior parte do território.
Quantos metros quadrados de pavimento uma tonelada de cimento asfáltico rende?
Depende do teor de ligante do projeto de dosagem e da espessura da camada. Com teor de 5% em massa, uma tonelada de CAP produz cerca de 20 toneladas de CBUQ; em camada de 5 cm com massa específica próxima de 2,4 t/m³, o consumo fica em torno de 0,12 tonelada por metro quadrado, o que resulta em aproximadamente 160 a 170 m² por tonelada de ligante. Essa estimativa serve para orçamento preliminar e não substitui o projeto de dosagem assinado por engenheiro.
Preciso de tanque aquecido para comprar CAP?
Sim, para volumes de usina. O cimento asfáltico é sólido à temperatura ambiente e só é bombeável entre aproximadamente 140 °C e 180 °C, faixa determinada pelo ensaio de viscosidade da ABNT NBR 15184. Sem tanque de estocagem aquecido com recirculação e sistema de bombeamento, não há como receber nem utilizar o produto. Para serviços pequenos de selagem ou imprimação, a alternativa correta é a emulsão asfáltica, aplicada fria.
Que documentos devo exigir na entrega do cimento asfáltico?
Exija o certificado de análise do lote com os resultados de penetração, ponto de amolecimento, viscosidade e ponto de fulgor, comprovando conformidade com a Resolução ANP nº 19/2005 e, em obra rodoviária, com a norma DNIT 095/2006-EM. Exija também a FISPQ conforme a ABNT NBR 14725 e a documentação de transporte de produto perigoso. Em obra pública, esses documentos costumam ser condição de aceitação do material pela fiscalização.
Quanto tempo o cimento asfáltico pode ficar estocado no tanque?
Não existe prazo único: o que degrada o ligante é o tempo acumulado em alta temperatura, não a data de fabricação. Manter o tanque na temperatura de trabalho por semanas provoca envelhecimento, queda de penetração e enrijecimento, efeito equivalente ao medido no ensaio RTFOT. A prática recomendada é reduzir a temperatura de estocagem quando não houver produção e reensaiar o lote antes de retomar a usinagem após parada longa.
Vale a pena usar asfalto modificado por polímero em vez de CAP convencional?
Vale quando a solicitação é severa: faixas exclusivas de ônibus, rampas, aproximações de semáforo, pontes e corredores de carga, onde a deformação permanente e a fadiga aparecem cedo. O ligante modificado com SBS custa significativamente mais que o CAP puro e exige usina e logística preparadas, incluindo recirculação para evitar segregação. Em via de baixo volume de tráfego, o ganho técnico raramente compensa a diferença de custo.
O que é grau de desempenho PG e quando ele é exigido?
O PG, do sistema Superpave, classifica o ligante pelas temperaturas máxima e mínima do pavimento que ele suporta em serviço, verificadas em ensaios reológicos antes e após envelhecimento. É exigido em obras de maior porte e em editais que adotam especificação por desempenho, normalmente rodovias e corredores de carga. Em obras menores, a especificação por penetração da Resolução ANP nº 19/2005 costuma ser suficiente e evita custo de ensaio desnecessário.
Quais os principais riscos de segurança no manuseio do cimento asfáltico?
O risco dominante é a queimadura térmica: o ligante é manuseado acima de 140 °C e adere à pele, agravando a lesão. Há ainda risco de incêndio se o aquecimento se aproximar do ponto de fulgor e risco de projeção violenta se houver água residual no tanque ou na tubulação. O trabalho exige EPI específico na forma da NR-06, procedimentos de inflamáveis conforme a NR-20 e treinamento da equipe de descarga.
Por que o preço do cimento asfáltico muda tanto entre orçamentos?
Porque o preço tem duas parcelas com dinâmicas distintas: o ligante em si, indexado à cotação internacional do petróleo e ao câmbio, e o frete quente em caminhão-tanque isotérmico, que varia com a distância até a base de distribuição e com o volume da carga. Carga fracionada e entrega em janela apertada elevam bastante o valor entregue. Por isso, propostas com validade longa são raras e a comparação só faz sentido se todas partirem da mesma grade, do mesmo volume e do mesmo local de descarga.
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Página revisada pela equipe técnica de Construção Civil da Soluções Industriais. Última revisão: 22 de agosto de 2026. Conteúdo elaborado com base nas normas técnicas brasileiras vigentes e em referências de fabricantes homologados no marketplace.
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Fontes técnicas citadas: Resolução ANP nº 19/2005, DNIT 095/2006-EM, DNIT 031/2006-ES, ABNT NBR 6576, ABNT NBR 6560, ABNT NBR 15184, ABNT NBR 14950, ABNT NBR 14725, NR-06, NR-20.