Economia e Negócios

Ocupação no comércio cresce e alcança novo recorde

Em 2023, o comércio registrou um crescimento de 2,6% na ocupação, totalizando 10,5 milhões de empregos, impulsionado principalmente pelo setor de varejo e atacado. A receita operacional líquida alcançou R$ 7,1 trilhões, com um aumento significativo nas vendas online, que quase dobraram desde 2019.

Em 2023, a ocupação no comércio formal do Brasil alcançou 10,5 milhões de pessoas, um aumento de 2,6% em relação ao ano anterior, segundo dados do IBGE. Este crescimento é impulsionado principalmente pelo setor varejista, que emprega a maior parte da força de trabalho no comércio.

Crescimento da ocupação no comércio

O ano de 2023 marcou o terceiro ano consecutivo de crescimento na ocupação no comércio brasileiro, atingindo um total de 10,5 milhões de pessoas empregadas.

Este aumento representa um crescimento de 2,6% em relação a 2022, com mais 267,8 mil pessoas integrando o mercado de trabalho formal no setor. Comparado ao período pré-pandemia, em 2019, o crescimento foi de 3,5%, resultando em 360,3 mil novos postos de trabalho.

O setor varejista foi o grande responsável por esse incremento, empregando 7,7 milhões de trabalhadores, o que corresponde a 72,7% do total de ocupados no comércio.

Essa expansão reflete a recuperação econômica e a adaptação do setor às novas demandas de consumo, especialmente após os desafios impostos pela pandemia.

Em contraste, o setor de comércio por atacado também mostrou uma recuperação significativa, empregando dois milhões de pessoas, o maior número desde 2007, representando 18,7% do total de ocupados.

Este setor tem se beneficiado de uma maior demanda por produtos alimentícios, bebidas e fumo, que registrou um aumento de 9,2% na ocupação nos últimos 10 anos.

Salários e remunerações no comércio

Em 2023, o comércio brasileiro pagou em média dois salários mínimos aos seus trabalhadores, repetindo o maior valor da série histórica desde 2007.

O setor atacadista liderou em termos de remuneração, com um salário médio de 2,9 salários mínimos, seguido pelo comércio de motocicletas, peças e veículos, com 2,1 salários mínimos.

O comércio varejista, apesar de empregar a maior parte dos trabalhadores, ofereceu um salário médio de 1,7 salários mínimos.

O destaque do setor atacadista foi a venda de combustíveis e lubrificantes, que pagou o maior salário médio de 4,6 salários mínimos, ainda que tenha registrado a maior queda nos últimos 10 anos, com uma redução de 1,7 salários mínimos.

Já as atividades de máquinas, aparelhos e equipamentos, incluindo TI e comunicação, pagaram 4,3 salários mínimos em média, enquanto o comércio de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos teve um aumento salarial de 0,4 salários mínimos, alcançando 4,0 salários mínimos.

Em termos regionais, o Sudeste ofereceu os maiores salários, com uma média de 2,1 salários mínimos, acima da média nacional.

O Sul igualou a média nacional com 2,0 salários mínimos, enquanto as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste ficaram abaixo, com 1,9, 1,7 e 1,5 salários mínimos, respectivamente.

Nos últimos 10 anos, as empresas comerciais no Sul e Centro-Oeste aumentaram o salário médio em 0,1 salários mínimos, enquanto no Norte houve uma redução de 0,1 salários mínimos.

Participação regional no comércio

Em 2023, a região Sudeste manteve sua liderança em termos de receita bruta de revenda no comércio, contribuindo com 48,9% do total nacional. No entanto, essa participação diminuiu em relação a 2014, quando o Sudeste detinha 51,6%.

Essa redução foi compensada principalmente por aumentos nas regiões Sul e Centro-Oeste, que passaram a representar 20,9% e 11,4% da receita, respectivamente.

O Sudeste também empregava o maior número de trabalhadores no comércio em 2023, com 5,2 milhões de pessoas, apesar de uma queda de 4,1% em relação a 2014. No Nordeste, havia 1,9 milhão de trabalhadores, mas também enfrentou uma redução na ocupação.

Em contraste, o Centro-Oeste registrou o maior aumento em termos absolutos, com um crescimento de 6,5% na ocupação, adicionando 57,5 mil pessoas ao mercado de trabalho formal no comércio.

O comércio por atacado foi predominante em 13 unidades da federação, enquanto nas outras 14 o comércio varejista teve maior peso.

Nos últimos 10 anos, estados como Amazonas e Mato Grosso do Sul experimentaram mudanças significativas na estrutura de receita, com o Amazonas passando a ter o varejo como setor de maior relevância, enquanto Minas Gerais e Rio Grande do Sul tiveram um movimento inverso.

Impacto das vendas online no comércio

Entre 2019 e 2023, o número de empresas que comercializaram pela internet quase dobrou, passando de 1,9 mil para 3,7 mil, um crescimento de 97,6%.

Esse aumento reflete a adaptação das empresas às mudanças nos hábitos de consumo, especialmente durante e após a pandemia, quando o comércio online ganhou maior relevância.

No setor varejista, a proporção de empresas que realizaram vendas online subiu de 4,7% em 2019 para 8,6% em 2023.

As atividades com maior participação nas vendas online em 2023 foram o comércio de informática, comunicação e artigos de uso doméstico, com 19,7%, seguido por material de construção e tecidos, vestuário, calçados e armarinho.

A receita bruta do varejo gerada pela internet também aumentou, passando de 5,3% em 2019 para 8,8% em 2023. No entanto, houve uma ligeira queda em comparação a 2022, quando a participação foi de 9,1%.

Entre as atividades que mais se beneficiaram das vendas online estão o comércio de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos, que quase triplicou sua participação, e hiper e supermercados, que também apresentaram ganhos significativos.

Romário Martins

Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends. Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transforar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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