Estudo revela oportunidades para a tilápia brasileira no exterior
A tilápia brasileira vem ganhando espaço no cenário internacional graças à sua adaptabilidade, custo competitivo e sabor suave, características valorizadas em mercados que priorizam qualidade. Apesar desse potencial, os exportadores enfrentam desafios logísticos e de certificação para atender aos padrões internacionais.
O mercado internacional de tilápia apresenta oportunidades significativas para produtores brasileiros. Com o Brasil sendo um dos maiores produtores mundiais, há um potencial de expansão, especialmente nos mercados dos Estados Unidos e Europa. O estudo da Embrapa destaca a demanda por tilápia congelada nos EUA e produtos frescos na Europa.
Produção nacional em expansão e desafios logísticos
O Brasil consolidou-se como o quarto maior produtor mundial de tilápia, alcançando 440 mil toneladas em 2023.
O crescimento de 161% em dez anos reflete avanços tecnológicos, profissionalização dos produtores e condições naturais favoráveis.
A espécie tornou-se o principal peixe produzido e exportado pelo país, com um papel central no fortalecimento da aquicultura nacional.
Mesmo com esse avanço, o setor enfrenta barreiras para competir globalmente. A obtenção de certificações internacionais é fundamental para acessar mercados exigentes, mas envolve custos elevados e processos complexos.
A infraestrutura logística também representa um obstáculo, principalmente no transporte de produtos frescos, que exige eficiência para garantir qualidade até o destino final.
A concorrência com grandes produtores internacionais, especialmente a China, força os exportadores brasileiros a apostarem na qualidade e na rastreabilidade para se diferenciarem no mercado.
Potencial de crescimento nos Estados Unidos e na Europa
Os Estados Unidos representam um dos mercados mais promissores para a tilápia brasileira. O consumo médio é de 460 gramas por pessoa ao ano, e a espécie está amplamente presente na dieta local.
A demanda por tilápia congelada e certificada tem crescido, e o Brasil conseguiu manter participação relevante mesmo após a imposição de tarifas adicionais pelo governo americano.
Em agosto, primeiro mês de vigência do tarifaço, as exportações caíram 32% em relação ao mesmo período do ano anterior, uma queda menor do que o esperado, o que mostra a capacidade de adaptação do setor.
Na Europa, o consumo médio é de 39 gramas por pessoa ao ano e está concentrado em nichos étnicos. No entanto, a elevação dos preços da tilápia chinesa abriu espaço para os produtos brasileiros, especialmente os filés frescos, que têm boa reputação.
Investimentos em diferenciação, marketing e expansão para além dos nichos tradicionais podem aumentar a presença brasileira no continente. A boa oferta de voos internacionais também favorece a logística aérea para exportação de produtos frescos.
Crescimento mundial impulsiona novos mercados
A produção global de tilápia vem crescendo de forma constante e se consolidou como uma das principais fontes de proteína de origem aquícola.
Entre 2005 e 2020, a produção mundial mais do que dobrou, impulsionada principalmente por países asiáticos como China, Indonésia e Filipinas.
A espécie se destaca por seu custo de produção reduzido e por se adaptar bem a diferentes condições ambientais, o que facilita sua expansão em diversas regiões.
Para os produtores brasileiros, esse cenário representa uma oportunidade estratégica. Investir em sistemas de rastreabilidade e certificações reconhecidas internacionalmente, é essencial para ampliar o acesso a novos mercados e fortalecer a imagem do produto nacional.
Com planejamento, diferenciação e eficiência logística, o Brasil tem condições de aumentar de forma consistente sua participação no mercado global de tilápia.



