IPCA de agosto fica em -0,32%, primeira deflação de 2026
O IPCA de agosto mostrou que o alívio inflacionário não ficou restrito a um único segmento, embora Habitação tenha exercido a contribuição negativa mais relevante sobre o índice nacional.
A combinação entre energia elétrica mais barata, redução nas passagens aéreas e recuo de itens importantes da alimentação levou a inflação oficial brasileira ao campo negativo em agosto, com efeitos diretos sobre despesas recorrentes das famílias. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, caiu 0,32% no mês e interrompeu a alta de 0,07% registrada em julho, enquanto a taxa acumulada em 12 meses perdeu força e passou de 4,44% para 4,22%.
Energia elétrica redefine o resultado da inflação
A principal mudança de agosto apareceu dentro das despesas domésticas, porque a redução de 7,63% na energia elétrica residencial teve peso suficiente para alterar de forma expressiva o resultado geral do IPCA.
Sozinha, a conta de luz retirou 0,33 ponto percentual do índice, impacto ligeiramente superior à própria deflação de 0,32% registrada no período.
Esse comportamento esteve ligado ao crédito do Bônus de Itaipu nas faturas emitidas durante o mês, mecanismo que reduziu temporariamente o valor pago por consumidores e colocou Habitação entre os principais responsáveis pelo alívio inflacionário.
O efeito foi suficientemente forte para levar as despesas de Habitação a uma queda de 1,87%, desempenho que marcou o menor resultado desse grupo para um mês de agosto desde a implantação do Plano Real.
A redução, entretanto, não significa que todos os custos vinculados à moradia ficaram menores, porque o gás encanado subiu 1,74% e a cobrança relacionada à água e ao esgoto avançou 0,11%.
No sentido contrário ao alívio observado nas contas residenciais, Despesas pessoais exerceu a maior pressão para cima sobre a inflação, com avanço de 1,30% durante agosto e contribuição positiva de 0,13 ponto percentual.
Passagens e alimentos reforçam alívio no orçamento
A perda de força dos preços também alcançou despesas ligadas à mobilidade, com destaque para as passagens aéreas, que ficaram 13,17% mais baratas e contribuíram para uma redução de 0,86% no conjunto de Transportes.
Os combustíveis seguiram a mesma direção e recuaram 0,91% no período, embora o comportamento tenha variado entre os diferentes produtos utilizados pelos consumidores brasileiros.
O etanol apresentou a maior redução, de 3,95%, enquanto o diesel caiu 0,80% e a gasolina ficou 0,59% mais barata, cenário parcialmente compensado pela alta de 2,62% do gás veicular.
Nos supermercados e demais estabelecimentos de abastecimento doméstico, a trajetória também favoreceu o consumidor, sobretudo entre hortaliças que haviam exercido pressão relevante sobre a cesta alimentar em períodos anteriores.
A alimentação consumida dentro das residências caiu 0,61% e ajudou o grupo Alimentação e bebidas a apresentar redução de 0,34%.
Batata-inglesa, cenoura, cebola e tomate registraram quedas de dois dígitos, enquanto ovos e café moído também ficaram mais baratos, ampliando o efeito negativo da alimentação sobre o índice mensal.
Parte da cesta, porém, permaneceu sob pressão, já que leite longa vida, frutas e carnes tiveram aumentos durante agosto e impediram uma redução mais intensa no custo dos alimentos consumidos pelas famílias.
Os gastos com alimentação fora de casa continuaram em alta, mas perderam velocidade, com a taxa desse segmento reduzida de 0,55% para 0,36% entre julho e agosto.



