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Nokia apresenta Cognitive Operations para mineração e defesa

A Cognitive Operations reúne recursos de inteligência artificial capazes de apoiar mineração, segurança pública, serviços de emergência e defesa com análise local de dados e maior autonomia operacional.

Ambientes industriais isolados, áreas atingidas por emergências e regiões com infraestrutura limitada estão no centro de uma nova aposta tecnológica da Nokia. A companhia apresentou Cognitive Operations, uma solução que busca manter dados, comunicação e capacidade computacional disponíveis perto das equipes de campo, mesmo em situações nas quais conexões tradicionais não oferecem estabilidade suficiente.

Veículos ganham papel central em emergências

Uma das aplicações mais particulares da Cognitive Operations aparece fora dos centros de dados tradicionais, com automóveis operacionais capazes de assumir funções normalmente associadas a estruturas fixas de tecnologia.

Viaturas, ambulâncias e veículos de combate a incêndios podem estabelecer pontos próprios para troca de informações e execução de tarefas computacionais no local de uma ocorrência.

A proposta permite que diferentes equipes tenham acesso a uma representação tridimensional do ambiente, utilizem imagens captadas por câmeras e compartilhem dados mesmo quando dependem de redes distintas.

Na prática, a Nokia pretende criar uma estrutura tecnológica que acompanhe o deslocamento das equipes, em vez de exigir que toda a operação dependa de instalações permanentes ou de uma única conexão disponível na região.

A lógica também alcança o setor de defesa, no qual unidades móveis podem integrar uma estrutura de comunicação descentralizada capaz de reunir sinais originados por diferentes sensores e equipamentos.

Nesse tipo de aplicação, ferramentas de inteligência artificial podem auxiliar a interpretação de imagens, consolidar informações produzidas por diversas fontes e apontar situações que exijam atenção das equipes responsáveis pela operação.

A disponibilidade das comunicações recebe atenção adicional nesse cenário, com possibilidade de alternância ou combinação entre redes móveis de quinta geração, sistemas de rádio utilizados em operações táticas e conexões por satélite.

Mineração leva processamento para perto das máquinas

A aproximação entre infraestrutura digital e atividade física também orienta a aplicação direcionada às mineradoras, que operam frequentemente em grandes extensões territoriais e regiões afastadas dos principais centros urbanos.

Nesse segmento, informações relacionadas a máquinas, estruturas físicas, condições da rede e outros elementos da operação podem ser reunidas dentro do mesmo ambiente tecnológico.

O acesso a esses dados cria condições para reconhecer alterações relevantes antes que determinados problemas provoquem paralisações mais amplas.

Recursos de manutenção baseada em dados, interpretação automática de imagens e modelos digitais das instalações fazem parte dessa estrutura, que busca oferecer uma leitura continuamente atualizada sobre diferentes pontos de uma unidade operacional.

A Nokia prevê duas formas principais de adoção para esse mercado. Empresas podem manter a capacidade computacional dentro das próprias instalações ou recorrer à versão distribuída pelo ambiente do Microsoft Azure, alternativa que, segundo a companhia, pode reduzir significativamente o período necessário para colocar a solução em funcionamento.

Essa arquitetura procura atender uma dificuldade característica de operações industriais afastadas, nas quais o envio permanente de grandes volumes de informações para estruturas externas pode enfrentar limitações de conexão, tempo de resposta ou disponibilidade.

Equipamento concentra rede e capacidade de IA

No centro dessa estratégia está o Cognitive Edge Node, componente destinado a instalar processamento computacional diretamente em veículos, unidades remotas e outros pontos próximos das atividades que produzem informações.

O equipamento possui capacidade acelerada por unidades gráficas, o que permite executar aplicações de inteligência artificial no próprio ambiente operacional, sem concentrar necessariamente cada etapa da análise em centros computacionais externos.

A Nokia também incorporou ao sistema uma tecnologia da Rajant capaz de modificar automaticamente os caminhos utilizados pelas conexões sem fio.

Esse mecanismo permite que a rede procure alternativas conforme mudanças nas condições do local ou eventuais limitações em determinados pontos da infraestrutura.

A flexibilidade também aparece nas possibilidades de comunicação da plataforma, que não fica restrita a uma única tecnologia.

Redes móveis, Wi-Fi, sistemas especializados e conexões por satélite podem assumir funções complementares conforme as características de cada instalação ou missão.

Essa combinação busca evitar que uma falha isolada interrompa completamente o acesso aos sistemas essenciais, característica especialmente relevante para operações que não podem depender exclusivamente de uma infraestrutura convencional.

Com a Cognitive Operations, a Nokia reforça uma estratégia na qual parte da inteligência computacional deixa de permanecer concentrada em instalações distantes e passa a ocupar o próprio espaço onde máquinas, veículos, sensores e equipes executam suas atividades.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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