Economia e Negócios

Setor de serviços mantém estabilidade em julho de 2026

Queda em informação e comunicação neutralizou altas registradas em quatro das cinco grandes atividades pesquisadas

O setor de serviços encerrou julho de 2026 sem crescimento frente ao mês anterior, em um cenário marcado por resultados distintos entre as principais atividades pesquisadas, segundo dados do IBGE. Mesmo com a estabilidade, o volume permaneceu próximo do recorde histórico e continuou muito acima do nível observado antes da pandemia.

Serviços dividem forças em julho

A estabilidade nacional refletiu uma combinação pouco uniforme entre as grandes atividades pesquisadas, já que quatro avançaram enquanto uma apresentou retração expressiva.

Informação e comunicação caiu 2,5% no mês, após acumular crescimento de 3,3% entre abril e junho, e exerceu a principal pressão sobre o resultado agregado.

Nos demais grupos, outros serviços cresceram 0,7%, enquanto serviços profissionais, administrativos e complementares avançaram 0,6% e aqueles prestados às famílias aumentaram 0,5%. Transportes também contribuíram positivamente, com expansão de 0,4% frente ao mês anterior.

Quando a comparação considera julho de 2025, o quadro muda de intensidade, porque o setor como um todo apresentou crescimento de 0,9%.

Informação e comunicação avançou 4,6%, com suporte de áreas ligadas a telecomunicações, software, tratamento de dados, hospedagem e conteúdo digital.

Serviços prestados às famílias também cresceram na comparação anual, com alta de 2,9%, enquanto o grupo profissional, administrativo e complementar avançou 2,6%.

Transportes seguiram em sentido contrário, com queda de 2,7%, e outros serviços recuaram 1,6% no mesmo intervalo.

Turismo reage e transportes divergem

As atividades turísticas ganharam força em julho, com crescimento de 2,7% frente a junho, embora o desempenho ainda estivesse abaixo dos melhores níveis recentes.

O volume ficou 9,4% acima do patamar anterior à pandemia, mas permaneceu 3,8% distante do recorde alcançado em dezembro de 2024.

Na comparação anual, entretanto, o turismo registrou queda de 2,6% e completou cinco resultados negativos consecutivos, enquanto o acumulado entre janeiro e julho mostrou retração de 1%.

O transporte de passageiros apresentou alta de 2,9% no mês, mas continuou 7,4% abaixo do volume registrado em julho de 2025.

Entre janeiro e julho, a queda acumulada chegou a 3,5%, enquanto a distância em relação ao recorde histórico de fevereiro de 2014 permaneceu em 22,1%.

Já o transporte de cargas avançou 1% em julho e operou 37,8% acima do nível de fevereiro de 2020, referência anterior à pandemia.

Mesmo assim, o segmento recuou 1,1% na comparação anual e acumulou crescimento discreto de 0,2% nos sete primeiros meses de 2026.

No conjunto do ano, o setor de serviços cresceu 1,9% entre janeiro e julho, com informação e comunicação na liderança ao avançar 6,5%.

Em 12 meses, a expansão chegou a 2,4%, abaixo dos 2,6% registrados até junho, sinal de que o setor mantém crescimento, mas em ritmo menos intenso.

Estados mostram desempenho desigual

A ausência de crescimento no país também escondeu diferenças relevantes entre as unidades da federação, já que 14 das 27 registraram queda no volume de serviços em julho.

São Paulo exerceu a maior influência negativa, com retração de 0,8%, enquanto Rio de Janeiro, Mato Grosso, Santa Catarina e Goiás também ficaram no campo negativo.

Na outra direção, o Rio Grande do Sul apresentou alta de 3% e teve a principal contribuição positiva para o resultado regional do mês.

Paraná, Bahia e Minas Gerais também registraram crescimento, o que ajudou a compensar parte das perdas observadas em outros estados.

Na comparação com julho do ano passado, 15 unidades da federação apresentaram expansão, com São Paulo entre os principais responsáveis pelo avanço nacional.

Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás apareceram entre as influências negativas nessa base de comparação.

Romário Martins

Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends. Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transforar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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