As atividades agropecuárias ocupam 32% do território nacional e seguem avançando sobre áreas de vegetação nativa, segundo novo levantamento do MapBiomas. A expansão da soja é um dos principais vetores dessa transformação.
O MapBiomas Brasil lançou um novo levantamento que detalha a agropecuária no país, revelando que 32% do território é ocupado por atividades agropecuárias. O estudo destaca a intensificação do uso do solo, com 56,7% de pastagens e 23% de áreas agrícolas. Este mapeamento é essencial para entender o impacto ambiental e econômico da agropecuária.
Levantamento detalha uso do solo no Brasil
O levantamento realizado pelo MapBiomas fornece uma visão abrangente sobre o uso do solo no Brasil, destacando a significativa ocupação por atividades agropecuárias.
De acordo com os dados, 32% do território brasileiro é destinado à agropecuária, sendo que mais da metade dessa área é composta por pastagens plantadas.
A análise indica que 56,7% das terras agropecuárias são utilizadas para pastagens, enquanto 23% são destinadas à agricultura.
Essa ocupação intensiva reflete a importância econômica do setor agropecuário para o Brasil, mas também levanta preocupações sobre o impacto ambiental, especialmente em relação à conservação de vegetação nativa.
O estudo ressalta a intensificação do uso do solo, com 64% das lavouras temporárias apresentando múltiplos ciclos de cultivo.
Isso demonstra um aumento na produtividade, mas também pode levar à degradação do solo se práticas de manejo sustentáveis não forem adotadas.
A pesquisa do MapBiomas é crucial para orientar políticas públicas e estratégias de conservação que equilibrem a produção agrícola com a preservação ambiental.
Evolução das culturas agrícolas no Brasil
O levantamento do MapBiomas revela uma evolução significativa das culturas agrícolas no Brasil ao longo das últimas décadas.
A soja, por exemplo, experimentou um crescimento notável, passando de 4,5 milhões de hectares em 1985 para 40,7 milhões de hectares em 2024. Este aumento reflete a importância da soja como uma das principais commodities agrícolas do país.
Além da soja, outras culturas também apresentaram expansão expressiva. As áreas de cana-de-açúcar cresceram de 2,2 milhões de hectares em 1985 para 10,1 milhões de hectares em 2024, enquanto o arroz passou de 390 mil hectares para 1,1 milhão de hectares no mesmo período.
O dendê, embora menos expressivo em área total, passou de 10 mil hectares para 240 mil hectares, concentrando-se principalmente no estado do Pará.
Essa evolução das culturas agrícolas no Brasil está diretamente ligada à demanda global por alimentos e biocombustíveis, além de avanços em tecnologias agrícolas que aumentaram a produtividade.
No entanto, o crescimento das áreas agrícolas também levanta preocupações sobre a sustentabilidade, especialmente em relação à conversão de vegetação nativa e ao manejo adequado do solo para evitar a degradação ambiental.
Vigor e produção das pastagens brasileiras
O vigor e a produção das pastagens brasileiras são indicadores essenciais para entender a capacidade de suporte e a sustentabilidade do setor agropecuário.
De acordo com o levantamento do MapBiomas, as pastagens no Brasil apresentam, em sua maioria, condições de médio a alto vigor, o que indica uma boa capacidade de produção de forragem. Em 2024, as pastagens produziram cerca de 3,63 gigatoneladas de biomassa, refletindo a vitalidade do setor.
A Amazônia destacou-se como o bioma com a maior produtividade de biomassa de pastagem, superando 25 toneladas por hectare ao ano.
No Cerrado e Pantanal, a produtividade varia entre 15 e 20 toneladas por hectare ao ano, enquanto na Caatinga, geralmente, é inferior a 15 toneladas por hectare ao ano.
Apesar dos bons indicadores, cerca de 22% das pastagens plantadas foram mapeadas como de baixo vigor, sugerindo degradação severa.
Esta área representa uma oportunidade para a conversão de terras para outros usos, em linha com o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas.
Melhorar o manejo das pastagens é crucial para aumentar a produção sustentável e mitigar impactos ambientais.
Fonte: MapBiomas
