Os biocombustíveis feitos a partir de resíduos ganham espaço no Brasil com projetos que transformam materiais de origem animal, vegetal e industrial em novas fontes de energia renovável.
O Brasil avança em diferentes frentes para ampliar a produção de biocombustíveis sustentáveis, com projetos que aproveitam resíduos orgânicos, modernizam combustíveis já usados no transporte e buscam reduzir custos industriais. As iniciativas envolvem empresas, universidades e instituições de pesquisa, com foco em transformar passivos ambientais em novas fontes de energia renovável para setores como aviação, transporte terrestre, navegação marítima e produção de etanol.
Resíduos animais viram matéria-prima para combustíveis
A Haka Bioprocessos desenvolve uma tecnologia voltada à conversão de carcaças animais e resíduos de frigoríficos em biocombustíveis, em um projeto que reúne mais de uma década de pesquisa.
O processo permite transformar materiais que normalmente representariam custo de descarte e risco ambiental em uma matéria-prima com potencial energético.
A tecnologia utiliza resíduos de origem animal para produzir um óleo chamado biopetróleo, que pode ser refinado posteriormente e convertido em diesel verde ou combustível sustentável de aviação.
Antes dessa etapa, a matéria orgânica passa por aquecimento em reatores, onde ocorre a conversão dos resíduos em um insumo líquido adequado para processamento industrial.
A parceria com a Embrapa Agroenergia foi importante para aprimorar a qualidade do óleo produzido, evitando que impurezas comprometessem os equipamentos utilizados no refino.
Com uma planta piloto em operação e planos de expansão, a empresa busca demonstrar que resíduos complexos podem ser incorporados à cadeia de energia limpa.
Petrobras e Unicamp ampliam rotas tecnológicas para o setor
Além das soluções baseadas em resíduos animais, o país avança em combustíveis renováveis por meio de iniciativas voltadas aos setores marítimo e sucroenergético.
A Petrobras desenvolve um bunker marítimo mais sustentável, combinando combustíveis tradicionais com biodiesel para reduzir emissões em embarcações sem exigir mudanças profundas na infraestrutura existente.
Entre os projetos em andamento está o VLSFO B24, combustível marítimo que mistura óleo combustível de baixo teor de enxofre com biodiesel.
Essa alternativa pode acelerar a transição energética no transporte naval, já que aproveita sistemas já utilizados pelo setor e reduz a dependência de combustíveis fósseis convencionais.
No campo acadêmico, a Unicamp participa de pesquisas voltadas à produção de leveduras comerciais para o etanol, em parceria com empresas como a Bioinfood.
O objetivo é tornar o processo mais eficiente, reduzir custos industriais e fortalecer a competitividade brasileira em uma cadeia na qual o país já possui experiência consolidada.
Parcerias fortalecem impacto econômico e ambiental
O avanço dos biocombustíveis no Brasil depende da integração entre empresas, universidades, centros de pesquisa e apoio público, já que a inovação exige testes, validação técnica e escala produtiva.
Projetos como os da Haka Bioprocessos, Petrobras e Unicamp mostram como diferentes setores podem contribuir para diversificar a matriz energética nacional.
Do ponto de vista ambiental, essas tecnologias ajudam a reduzir emissões de gases de efeito estufa e diminuem problemas associados ao descarte inadequado de resíduos animais, vegetais e industriais.
Ao transformar materiais de baixo valor em energia renovável, os projetos também reforçam práticas ligadas à economia circular.
No aspecto econômico, a produção de biocombustíveis pode gerar empregos, atrair investimentos e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.
A expansão de soluções como SAF, diesel verde, biodiesel e combustíveis marítimos sustentáveis posiciona o Brasil em uma área estratégica da transição energética global.
Fonte: O Globo
