A bombinha para asma desenvolvida pela Chiesi ainda precisa receber autorização das autoridades sanitárias antes de chegar aos pacientes, inclusive no mercado brasileiro.
A busca por tratamentos respiratórios com menor impacto ambiental passou a ocupar espaço estratégico dentro da indústria farmacêutica. A Chiesi finalizou um estudo de fase 3 com um novo tipo de propelente para inaladores, tecnologia que pode reduzir em até 90% as emissões de carbono sem alterar a finalidade terapêutica do dispositivo.
Inaladores entram no debate climático
Medicamentos inaláveis usados contra doenças respiratórias passaram a receber maior atenção ambiental por causa dos gases responsáveis por impulsionar a medicação para fora dos dispositivos.
Esses propelentes possuem potencial de aquecimento muito superior ao dióxido de carbono, característica que transforma um tratamento amplamente utilizado em uma fonte relevante de impacto climático.
Pesquisas recentes publicadas na revista científica JAMA reforçaram essa preocupação ao comparar a pegada ambiental dos inaladores com emissões produzidas por centenas de milhares de veículos.
A questão possui peso particular para a Chiesi, já que os gases presentes nesses produtos representam aproximadamente 60% das emissões globais atribuídas às próprias atividades da farmacêutica.
Diante desse cenário, a empresa direcionou recursos para buscar uma alternativa capaz de preservar o tratamento respiratório sem manter o mesmo nível de impacto associado aos propelentes tradicionais.
Estudo testa nova geração de bombinhas
A resposta da farmacêutica avançou com a conclusão de um estudo de fase 3 que avaliou uma nova bombinha baseada no propelente HFA-152, considerado menos agressivo ao clima.
Mais de 800 pacientes de 15 países participaram da avaliação clínica, que recebeu aproximadamente 350 milhões de euros em investimentos destinados ao desenvolvimento da tecnologia.
Segundo os resultados apresentados pela companhia, a nova formulação manteve parâmetros de segurança e eficácia para asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) enquanto reduziu em até 90% as emissões relacionadas ao ciclo de vida do produto.
Esse desempenho cria uma possibilidade de diminuir de forma substancial a pegada ambiental dos tratamentos respiratórios sem substituir o formato de administração já utilizado por milhões de pacientes.
A conclusão da pesquisa, entretanto, representa apenas uma etapa do processo, pois o produto ainda precisa receber autorização das autoridades sanitárias antes de chegar ao mercado.
No Brasil, a Chiesi pretende apresentar a nova tecnologia à Agência Nacional de Vigilância Sanitária e estima que uma eventual aprovação possa ocorrer dentro de dois ou três anos.
Fonte: Época Negócios
