A expansão do continente americano na oferta de petróleo pode reduzir a vulnerabilidade de compradores expostos a interrupções em corredores estratégicos do Oriente Médio.
A configuração do setor energético mundial ficou mais complexa em 2025, com regiões tradicionais perdendo participação relativa enquanto novos polos de produção e consumo ganharam relevância. As Américas superaram o Oriente Médio em aproximadamente 20% na produção de petróleo, diferença que evidencia uma mudança estrutural na geografia desse mercado. Paralelamente, a expansão das fontes renováveis e o aumento da demanda por eletricidade em data centers ampliaram a pressão sobre redes, geração e investimentos de longo prazo.
Produção de petróleo ganha novo equilíbrio entre regiões
A oferta de petróleo cru passou por uma mudança relevante em 2025, com o continente americano alcançando um volume significativamente superior ao registrado pelos países do Oriente Médio.
As Américas produziram aproximadamente 37,6 milhões de barris diários, enquanto a produção do Oriente Médio ficou próxima de 31 milhões, diferença equivalente a cerca de 20%.
Os números fazem parte do “Statistical Review of World Energy 2026”, levantamento elaborado pelo Energy Institute (EI) sobre as principais transformações observadas no sistema energético internacional.
O avanço americano ganhou força com diferentes polos produtores, o que diminuiu o peso relativo de uma região historicamente associada à maior concentração de oferta petrolífera mundial.
Na América do Sul, a produção alcançou média de 8,5 milhões de barris por dia, com expansão de 10% em relação ao resultado do ano anterior.
Brasil, Guiana, Venezuela e Argentina tiveram participação relevante nesse crescimento, o que reforçou a importância sul-americana dentro da nova configuração internacional da oferta.
As tensões no Oriente Médio também podem aumentar a relevância dessa mudança em 2026, sobretudo diante das dificuldades que atingem rotas estratégicas para o transporte internacional.
América do Sul combina exportação fóssil e avanço renovável
O crescimento da produção de petróleo não significa que o consumo regional siga a mesma direção, especialmente nas economias da América Central e da América do Sul.
Nessas regiões, o uso de combustíveis fósseis caiu 4%, ao mesmo tempo em que fontes renováveis ampliaram participação em mercados com forte presença de hidrelétricas.
A geração hídrica responde por 48% da eletricidade regional, condição que diferencia esses países de sistemas mais dependentes de carvão ou gás natural.
No Brasil, o petróleo ainda ocupa parcela importante da oferta total de energia, mas fontes renováveis também mantêm presença expressiva na composição nacional.
Essa combinação cria uma situação singular, porque o país pode ampliar exportações de petróleo enquanto preserva uma base elétrica com alta participação de fontes de baixo carbono.
O movimento também mostra que crescimento da produção e transição energética não seguem necessariamente trajetórias opostas dentro da mesma economia.
Renováveis ganham espaço, mas fósseis seguem relevantes
O relatório do Energy Institute também mostra que a expansão da oferta mundial de energia recebeu contribuição inédita das fontes renováveis ao longo de 2025.
A demanda global cresceu 1,7%, enquanto a energia solar respondeu por parcela dominante desse aumento e avançou com velocidade superior às fontes tradicionais.
A geração solar subiu 30% e a capacidade de armazenamento em baterias cresceu 66%, resultados que reforçam a aceleração dos investimentos em novas tecnologias.
Mesmo assim, o consumo de petróleo, gás natural e carvão também aumentou, o que impediu uma redução mais ampla das emissões associadas ao setor energético.
Esse contraste resume uma das principais características do mercado atual: renováveis crescem rapidamente, mas ainda convivem com uma base fóssil muito relevante para produção, transporte e indústria.
Data centers passam a pesar mais na demanda elétrica
O avanço da inteligência artificial e da infraestrutura digital criou uma nova fonte de pressão sobre os sistemas elétricos, com data centers cada vez mais relevantes no consumo global.
Em 2025, essas instalações utilizaram cerca de 788 TWh de eletricidade, volume que evidencia a escala energética necessária para sustentar processamento, armazenamento e serviços digitais.
Os Estados Unidos concentraram aproximadamente 40% dessa demanda, reflexo da forte presença de grandes plataformas de computação e infraestrutura dedicada a aplicações de inteligência artificial.
O aumento do consumo dos data centers ocorreu ao lado da expansão dos veículos elétricos e de outras cargas intensivas, que contribuíram para elevar a procura mundial por eletricidade.
Esse movimento exige investimentos adicionais em geração, redes e armazenamento, especialmente em mercados que já enfrentam o desafio de ampliar capacidade sem aumentar emissões na mesma proporção.
A nova pressão também reforça a importância de fontes capazes de entregar energia em grande escala, ao mesmo tempo em que governos e empresas aceleram a incorporação de alternativas renováveis.
Fonte: Observatório do Clima
