“Maria do Couro” utiliza peles de tilápia descartadas para criar produtos de luxo, promovendo a sustentabilidade e a economia circular. Com técnicas de curtimento natural, ela reduz resíduos e inspira outras artesãs.
O couro de tilápia está revolucionando o mercado artesanal brasileiro, transformando resíduos em produtos de luxo e promovendo a sustentabilidade. Maria do Couro, uma artesã de Luziânia, é um exemplo dessa inovação. Ela converte peles de tilápia descartadas em acessórios valiosos, inspirando outras mulheres e preparando-se para expandir internacionalmente.
Transformação de resíduos em luxo
A pele de tilápia, muitas vezes tratada como descarte, tem ganhado um novo destino nas mãos de Maria do Couro, artesã de Luziânia (GO).
Com criatividade e persistência, ela encontrou na transformação desse resíduo uma forma de produzir bolsas, sapatos e acessórios de alto valor agregado, mostrando que é possível unir moda, sustentabilidade e economia circular.
A trajetória de Maria começou de forma modesta. Com apenas R$ 50 emprestados, buscou capacitação para aprender o curtimento da pele de peixe, optando por um processo com tanino natural em vez de produtos químicos agressivos.
O resultado foi um couro resistente, de textura diferenciada e acabamento sofisticado, capaz de competir com materiais tradicionalmente usados pela indústria de luxo.
O caminho, no entanto, não foi simples. A falta de espaço físico para manter os equipamentos foi um dos obstáculos enfrentados, mas a artesã encontrou alternativas para manter a produção ativa. Em momentos de dificuldade, passou a investir em sandálias, garantindo a presença de sua marca no mercado.
Com o tempo, o trabalho se consolidou e hoje serve de inspiração para outras mulheres empreendedoras que buscam inovar a partir de recursos pouco explorados.
A produção sustentável de Maria se destaca não apenas pelo apelo criativo, mas também pelo impacto ambiental positivo.
Em 2023, o Brasil produziu mais de 579 mil toneladas de tilápia, número que evidencia o volume de resíduos gerados pela atividade.
Ao reaproveitar a pele do peixe, a artesã contribui para reduzir esse passivo ambiental e ainda fortalece um modelo de economia circular em que nada é desperdiçado.
Mais do que criar peças de luxo, Maria mostra que é possível transformar resíduos em oportunidades, valorizando recursos naturais, incentivando práticas responsáveis e ampliando as perspectivas do artesanato brasileiro em mercados cada vez mais atentos à sustentabilidade.
Fonte: Agência Sebrae
