Energia solar é gerada a 10 metros de profundidade no mar

A energia solar produzida debaixo d’água alcançou 324 mWh em duas horas no teste realizado na maior profundidade avaliada pelos pesquisadores.

Pesquisadores conseguiram produzir eletricidade com painéis solares instalados a 10 metros de profundidade no Mar da China Meridional, faixa na qual a geração fotovoltaica era considerada pouco prática até agora. O experimento utiliza células de perovskita ajustadas para aproveitar principalmente a luz azul e verde que atravessa a água, o que abre espaço para aplicações em sensores, câmeras e equipamentos de comunicação submarinos.

Luz azul e verde sustentam a geração

A principal dificuldade para produzir eletricidade abaixo da superfície está na perda rápida de parte da radiação solar conforme a profundidade aumenta.

A solução testada explora justamente as faixas azul e verde do espectro, que atravessam a água com maior eficiência do que outros comprimentos de onda.

Para aproveitar essa característica, os pesquisadores utilizaram células de perovskita, material que permite ajustar a absorção de luz de acordo com as condições previstas para cada aplicação.

Essa capacidade oferece uma vantagem sobre painéis convencionais de silício, menos flexíveis para responder à composição específica da luz disponível em ambientes submersos.

Nos experimentos que reproduziram condições equivalentes às encontradas a 10 metros, aproximadamente 35% da radiação que alcançou as células foi convertida em eletricidade.

A produção também foi confirmada fora do laboratório, com módulos de 115 cm² instalados no mar e avaliados em diferentes níveis abaixo da superfície.

Durante duas horas de operação, o sistema produziu 324 mWh a 10 metros, quantidade inferior à observada a 2 metros, mas suficiente para comprovar geração elétrica naquela profundidade.

Durabilidade amplia potencial de uso no oceano

A possibilidade de manter equipamentos ativos por longos períodos depende não apenas da geração elétrica, mas também da resistência dos materiais ao ambiente submerso.

Nesse aspecto, as células apresentaram estabilidade elevada após 1.160 horas de testes simulados, sem perda relevante de desempenho ao longo da avaliação.

Com base nesse comportamento, os pesquisadores estimaram uma vida operacional próxima de cinco anos e meio para sistemas mantidos continuamente a 10 metros abaixo da superfície.

Essa duração pode ser especialmente importante para dispositivos de monitoramento oceânico instalados em locais nos quais a manutenção frequente possui custo elevado ou exige operações complexas.

O trabalho também ultrapassa uma barreira das pesquisas anteriores, que haviam concentrado demonstrações práticas em profundidades próximas de 2 metros.

Agora, o próximo limite a ser testado está mais abaixo na coluna d’água, já que os pesquisadores pretendem verificar até qual profundidade a quantidade restante de luz continua suficiente para produzir eletricidade de forma útil.

Fonte: EuroNews

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