ZEG usa IA para detectar incêndios e reforçar conservação em Roraima

A ZEG passou a usar IA para detectar incêndios em poucos segundos, recurso que permite acionar equipes de campo antes que pequenos focos ganhem maiores proporções.

Uma área superior a 14 mil hectares de floresta amazônica em Caracaraí, Roraima, passou a concentrar uma estratégia que reúne inteligência artificial, conservação ambiental e geração de receitas associadas à manutenção da vegetação. Desenvolvido pela ZEG no projeto Vale do Rio Branco, o modelo combina monitoramento tecnológico, proteção contra incêndios, créditos de carbono e atividades extrativistas como alternativas econômicas para uma região onde mudanças regulatórias ampliaram a possibilidade de conversão legal da floresta.

IA acelera resposta contra incêndios

Durante visita de Um Só Planeta e Época Negócios ao projeto Vale do Rio Branco, em Caracaraí, a estrutura de prevenção mostrou como a tecnologia passou a ocupar uma função central na proteção da área.

No alto de uma torre de 60 metros, uma câmera acompanha a vegetação e fornece imagens para um sistema de inteligência artificial capaz de identificar sinais compatíveis com fumaça.

Quando o sistema reconhece uma possível ocorrência, um alerta chega em poucos segundos às equipes responsáveis pela resposta em campo, o que reduz o intervalo entre a identificação e a atuação no local.

Em uma propriedade que ultrapassa 14 mil hectares, essa velocidade se torna especialmente relevante, pois a dimensão territorial dificulta a identificação visual de focos ainda em estágio inicial.

A ZEG afirma ter destinado aproximadamente R$ 200 mil apenas à solução de inteligência artificial, enquanto o investimento total no projeto Vale do Rio Branco alcança cerca de R$ 20 milhões.

A tecnologia, porém, funciona como parte de uma estrutura mais ampla, que também utiliza aceiros, equipes próprias de vigilância e equipamentos distribuídos pela floresta.

O mesmo sistema de monitoramento ambiental também apoia o acompanhamento da biodiversidade, com câmeras instaladas em diferentes pontos para registrar a presença de animais.

A empresa informa que os levantamentos realizados na área já permitiram identificar 28 espécies de mamíferos e 206 espécies de aves, dados que ajudam a ampliar o conhecimento sobre a fauna preservada.

Assim, a infraestrutura tecnológica não se limita à prevenção de incêndios, porque também produz informações capazes de apoiar o acompanhamento das condições ambientais ao longo do projeto.

Essa dupla função aproxima proteção territorial e monitoramento ecológico dentro de uma mesma estratégia de conservação.

Conservação busca competir com outros usos da terra

A proposta econômica ganhou peso adicional depois que Roraima reduziu, em 2022, a exigência de reserva legal de 80% para 50%, alteração que ampliou a parcela de propriedades passível de conversão autorizada.

Diante dessa mudança, a ZEG passou a estruturar o projeto com a intenção de demonstrar que a manutenção da floresta também pode oferecer retorno financeiro.

Do total preservado, cerca de 6 mil hectares poderiam ser destinados legalmente a outros usos, mas o projeto estabelece um compromisso de conservação por 40 anos.

A lógica consiste em transformar a floresta mantida em pé em um ativo econômico capaz de disputar espaço com atividades tradicionais associadas à alteração da cobertura vegetal, como pecuária e agricultura.

Parte dessa estratégia está ligada ao mercado de carbono, já que o projeto recebeu certificação REDD+ e classificação AA.pre da BeZero Carbon.

A avaliação considera elementos como permanência da proteção, adicionalidade, contabilização das emissões evitadas e riscos relacionados à execução ao longo do período estabelecido.

Essas credenciais permitem sustentar a geração de créditos vinculados ao desmatamento que deixa de ocorrer dentro da área preservada.

Dessa forma, a conservação deixa de representar apenas uma restrição ao uso econômico da propriedade e passa a integrar um modelo que procura atribuir valor financeiro à vegetação mantida.

Carbono e castanha ampliam fontes de receita

A comercialização dos créditos de carbono deve começar em 2027, enquanto a empresa projeta volumes mais expressivos principalmente para 2030 e 2031.

A estratégia comercial tem como alvo grandes companhias globais que buscam compensar parte de suas emissões, inclusive empresas ligadas a setores intensivos em carbono, como o petróleo.

Ao mesmo tempo, a ZEG procura reduzir a dependência exclusiva desse mercado por meio de atividades capazes de gerar renda diretamente a partir dos recursos da própria floresta.

Uma dessas frentes envolve a castanha-do-Brasil e conta com parceria de uma associação local de castanheiros e de um fundo social da Vale.

A associação reúne 37 pessoas, das quais 23 participam diretamente da coleta durante a fase piloto, em uma tentativa de criar uma atividade cuja continuidade econômica dependa da preservação da vegetação.

Nesse modelo, a floresta deixa de ser vista apenas como área protegida e passa a sustentar uma cadeia produtiva ligada à renda local.

A combinação entre créditos de carbono, produtos extrativistas e monitoramento tecnológico forma a base do modelo que a ZEG pretende ampliar em Roraima.

A empresa avalia incorporar dezenas de milhares de hectares adicionais, com o objetivo de testar se a conservação pode ganhar escala como alternativa econômica diante da conversão territorial.

Fonte: Um Só Planeta e Época Negócios

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