Mercado ilícito causa prejuízos bilionários à indústria brasileira

Empresas brasileiras enfrentam impactos cada vez maiores provocados por práticas ilegais que afetam produção, transporte e comercialização. A CNI aponta que o combate ao problema exige mais fiscalização, inteligência e integração entre setor público e privado.

O mercado ilícito impõe um custo significativo à indústria brasileira, com perdas superiores a R$ 107 bilhões anuais. Atos ilícitos, como roubo de carga e itens sem conformidade com normas técnicas, estão entre os mais frequentes e demandam investimentos elevados em segurança. Pequenas e médias empresas são as mais afetadas, enfrentando concorrência desleal e desafios econômicos consideráveis.

Impacto do mercado ilícito na indústria

O mercado ilícito tem um impacto devastador na indústria brasileira, resultando em perdas anuais superiores a R$ 107 bilhões.

Essas perdas não se limitam apenas à receita direta, mas também incluem gastos significativos com segurança, que somam cerca de R$ 68,8 bilhões.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destaca que atos ilícitos, como o roubo de carga, são os mais frequentes e afetam diretamente as grandes indústrias.

Além disso, a não conformidade de produtos com regulamentos técnicos também é um problema significativo, especialmente para pequenas e médias empresas.

Essas práticas ilegais não apenas corroem a receita das empresas, mas também aumentam os custos operacionais e reduzem a competitividade no mercado.

Empresas menores, com estruturas financeiras mais frágeis, são particularmente vulneráveis, enfrentando desafios adicionais na manutenção de suas operações.

O estudo da CNI revela que 31% das empresas relataram prejuízos devido a atividades ilícitas, com as médias e grandes empresas sendo as mais afetadas.

O impacto negativo médio nas pequenas empresas é de 0,6% da receita líquida anual, enquanto nas médias é de 0,8% e nas grandes de 0,4%.

Roubo de carga e seus efeitos

O roubo de carga está entre os crimes que mais afetam a indústria, atingindo diretamente 32% das empresas, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria.

Além das perdas financeiras imediatas, esse tipo de ocorrência compromete o abastecimento, atrasa entregas e interfere no funcionamento de cadeias produtivas que dependem de transporte regular.

Os impactos também aparecem no aumento de custos operacionais, já que muitas empresas precisam ampliar gastos com seguros, escoltas, rastreamento, monitoramento e reforço logístico.

Quando a carga não chega ao destino, a indústria pode enfrentar interrupções na produção, descumprimento de contratos e perda de confiança por parte de clientes e parceiros comerciais.

Para reduzir esses riscos, empresas têm buscado soluções como monitoramento em tempo real, análise de rotas, integração com centrais de segurança e protocolos mais rigorosos de transporte.

O enfrentamento do problema também depende da atuação conjunta entre setor privado e poder público, com fiscalização mais eficiente, inteligência policial e ações preventivas nas principais rotas logísticas.

Estratégias de combate às ilegalidades

Para combater as ilegalidades que afetam a indústria, são necessárias estratégias abrangentes que envolvam tanto o setor privado quanto o público.

A pesquisa da CNI aponta que 77% das empresas consideram o aumento da fiscalização e controle como a principal medida para enfrentar o problema.

Além disso, 46% das empresas acreditam que investir em ações de inteligência pode ser eficaz, enquanto 36% defendem o endurecimento da legislação como uma solução viável. Essas medidas visam não apenas a prevenção, mas também a dissuasão de práticas ilícitas.

O fortalecimento dos órgãos de segurança pública, como as polícias Civil e Militar, é essencial para enfrentar o crime organizado que atua em mercados locais e nas vias de transporte.

A Polícia Federal e a Receita Federal também são vistas como cruciais para combater esquemas estruturados e proteger portos, aeroportos e fronteiras.

Empresas devem investir em segurança cibernética e patrimonial, além de adotar tecnologias de rastreamento e monitoramento para proteger suas operações. A colaboração entre empresas e autoridades é vital para criar um ambiente mais seguro e justo para a indústria.

Fonte: Portal da Indústria

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