A desativação do sistema de monitoramento oceânico dos EUA compromete a precisão das previsões climáticas e econômicas globais, essenciais para antecipar fenômenos como furacões e tsunamis.
A proposta do governo Trump de reduzir ou desmontar parte do sistema de observação oceânica dos Estados Unidos acendeu alerta entre cientistas, que veem risco de perda na precisão das previsões climáticas e econômicas usadas para antecipar fenômenos como El Niño, furacões e tempestades tropicais, com impactos sobre setores como agricultura, pesca, seguros e cadeias globais de suprimentos.
Monitoramento oceânico sob ameaça
O sistema de observação oceânica dos Estados Unidos integra uma rede global responsável por coletar dados sobre temperatura da água, correntes marítimas, acidez dos oceanos e variações ambientais.
Essas informações são obtidas por boias, sensores submarinos e plataformas de superfície, permitindo acompanhar mudanças que influenciam diretamente o clima e os ecossistemas marinhos.
A possível redução dessa estrutura preocupa pesquisadores porque criaria lacunas em bases usadas por modelos meteorológicos e climáticos, dificultando alertas sobre eventos extremos.
Sem dados contínuos, previsões sobre tempestades, ciclones e alterações associadas ao El Niño podem perder precisão, reduzindo a capacidade de resposta de governos e setores produtivos.
O monitoramento também é essencial para avaliar os efeitos do aquecimento global sobre os oceanos, incluindo acidificação, perda de biodiversidade e impactos em recifes de coral.
Riscos para a economia
A perda de parte do sistema pode afetar atividades que dependem de previsões climáticas confiáveis para planejar operações e reduzir prejuízos.
Na agricultura, os dados ajudam produtores a antecipar períodos de seca, enchentes e mudanças no regime de chuvas, influenciando decisões sobre plantio e colheita.
No setor de seguros, as informações são usadas para calcular riscos, definir coberturas e estimar perdas associadas a desastres naturais.
Os impactos também podem ultrapassar os Estados Unidos, já que o sistema estadunidense ajuda a preencher lacunas da rede internacional de observação oceânica.
Com menos dados disponíveis, mercados de commodities, cadeias de abastecimento e políticas de adaptação climática podem enfrentar maior incerteza.
Diante desse cenário, especialistas defendem cooperação internacional para manter uma rede ampla de monitoramento dos oceanos e reduzir riscos climáticos, econômicos e ambientais.
Fonte: The Guardian
