Mulheres ocupam apenas 5,2% dos cargos de CEO no Brasil

Mulheres ocupam pequena parcela dos cargos de CEO e enfrentam barreiras acadêmicas, profissionais e regionais para chegar à liderança máxima.

Chegar ao posto mais alto de uma empresa ainda exige das mulheres uma trajetória marcada por mais qualificações, mudanças profissionais e barreiras internas de ascensão. No Brasil, a participação feminina entre CEOs é de apenas 5,2%, segundo o Evermonte Institute, percentual que evidencia uma desigualdade persistente na formação das lideranças corporativas.

Mulheres ocupam apenas 5,2% dos cargos de CEO no Brasil

A presença feminina no comando das empresas brasileiras continua limitada, com mulheres responsáveis por apenas 5,2% dos postos de CEO identificados pelo Evermonte Institute.

O dado mostra que a chegada ao principal cargo executivo ainda ocorre de forma desigual, apesar do avanço feminino observado em outras etapas da carreira corporativa.

No cenário internacional, a situação também permanece restrita, porque levantamento da Deloitte aponta participação feminina próxima de 6% entre CEOs ao redor do mundo.

A diferença pequena entre Brasil e média global revela que a baixa representação no topo não constitui um problema isolado do mercado brasileiro.

Mesmo quando alcançam posições máximas de liderança, muitas executivas acumulam trajetórias profissionais mais extensas e credenciais acadêmicas superiores às apresentadas por colegas homens.

Esse padrão sugere que a ascensão feminina depende, com frequência, de requisitos adicionais antes que profissionais sejam consideradas aptas para disputar funções executivas estratégicas.

Formação e experiência pesam mais na trajetória feminina

As executivas brasileiras que chegam ao cargo de CEO possuem, em média, quase três MBAs ou pós-graduações, enquanto os homens apresentam pouco mais de uma qualificação equivalente.

A diferença acadêmica indica que mulheres costumam investir mais tempo e recursos em formação para construir credenciais capazes de fortalecer sua competitividade profissional.

O percurso também costuma envolver passagens por diferentes empresas, já que mudanças de emprego aparecem como uma alternativa frequente para ampliar experiência e acessar posições superiores.

Essa necessidade de buscar oportunidades fora da organização pode indicar limitações nos mecanismos internos de promoção, sobretudo quando profissionais qualificadas encontram barreiras para avançar.

Embora homens e mulheres possam levar períodos semelhantes até alcançar a presidência executiva, as exigências acumuladas durante esse percurso apresentam diferenças relevantes.

Na prática, o desafio não se resume ao tempo necessário para chegar ao topo, mas também à quantidade de etapas, qualificações e transições exigidas.

Passagem da gerência para a diretoria concentra obstáculos

Um dos principais pontos de perda de participação feminina aparece entre cargos de gerência e diretoria, etapa decisiva para profissionais que pretendem alcançar posições executivas.

Nesse momento da carreira, responsabilidades pessoais e profissionais frequentemente aumentam ao mesmo tempo, o que pode dificultar a permanência de mulheres na trajetória de ascensão.

A maternidade aparece entre os fatores capazes de afetar esse período, especialmente quando empresas oferecem estruturas insuficientes para conciliar responsabilidades familiares e evolução profissional.

A ausência de políticas flexíveis também pode ampliar diferenças, porque oportunidades estratégicas costumam exigir disponibilidade, mobilidade e participação constante em redes internas de decisão.

Programas de mentoria, planos sucessórios transparentes e critérios objetivos para promoções podem reduzir parte dessas barreiras e ampliar a presença feminina nas posições intermediárias.

A retenção nessa etapa merece atenção especial porque diretorias constituem uma das principais fontes de profissionais posteriormente consideradas para cargos de presidência executiva.

Desigualdade regional também limita acesso ao topo

A presença de mulheres em cargos máximos de liderança não ocorre de maneira uniforme pelo território brasileiro, com maior concentração nas grandes capitais empresariais.

São Paulo e Rio de Janeiro reúnem parcela relevante dessas executivas, beneficiadas pela maior presença de companhias nacionais, multinacionais e estruturas corporativas complexas.

Em regiões com menor concentração de grandes empresas, as oportunidades para construir trajetórias executivas também aparecem em número mais reduzido, o que afeta a diversidade geográfica.

Essa diferença mostra que ampliar a participação feminina depende tanto das políticas internas das companhias quanto do desenvolvimento de redes profissionais fora dos principais centros econômicos.

Iniciativas de capacitação, mentoria e conexão entre lideranças podem ampliar o acesso a oportunidades e reduzir parte das barreiras enfrentadas por profissionais de diferentes regiões.

Para as empresas, ampliar a diversidade nos níveis mais altos também significa aumentar a variedade de experiências e perspectivas presentes nas decisões estratégicas de longo prazo.

Fonte: Forbes Brasil

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