Número de negócios com CNPJ sobe 41% em uma década

Os negócios com CNPJ passaram de 7,45 milhões para 10,5 milhões entre 2015 e 2025, acréscimo de aproximadamente 3 milhões de empreendimentos formalizados.

O empreendedorismo brasileiro passou por uma mudança relevante na última década, com avanço da formalização e maior permanência dos trabalhadores em seus próprios negócios. Pesquisa do Sebrae mostra que o crescimento dos empreendimentos com CNPJ superou com ampla margem o ritmo observado entre os informais, embora estes ainda representem a maior parcela do universo empreendedor.

Negócios próprios ganham maior permanência

Empreender deixou de representar apenas uma saída temporária diante da falta de emprego para uma parcela crescente dos brasileiros, à medida que negócios próprios ganharam maior permanência e relevância econômica.

Dados reunidos pelo Sebrae mostram que, ao longo da última década, a formalização avançou com força, enquanto milhões de trabalhadores mantiveram suas atividades empresariais por períodos cada vez mais longos.

No quarto trimestre de 2025, 88% dos proprietários de empresas formalizadas já permaneciam na atividade havia pelo menos dois anos, proporção que também alcançava 76% entre aqueles sem CNPJ.

A presença reduzida de negócios recém-criados reforça essa característica, pois somente 0,5% dos formalizados e 3% dos informais possuíam menos de um mês de atividade.

Essa permanência modifica a leitura sobre o empreendedorismo brasileiro, especialmente entre famílias que passaram a depender diretamente da receita obtida com pequenos negócios.

Entre os informais, 54% ocupam a posição de responsáveis pelo domicílio, o que transforma o desempenho dessas atividades em componente importante para a manutenção da renda familiar.

A estrutura predominante nesse grupo, entretanto, permanece bastante enxuta, com 96% dos informais classificados como trabalhadores por conta própria.

Essa concentração reduz a presença de negócios capazes de contratar equipes e deixa parte significativa das operações diretamente vinculada à capacidade de trabalho do próprio empreendedor.

CNPJ cresce mais rápido que informalidade

A principal transformação da década aparece no ritmo de expansão das empresas formalizadas, que aumentaram 41% entre 2015 e 2025, segundo a pesquisa Empreendedorismo Informal Sob a Ótica da PNAD Contínua, elaborada pelo Sebrae.

O número de negócios com CNPJ passou de 7,45 milhões para 10,5 milhões nesse intervalo, acréscimo superior a 3 milhões de empreendimentos.

A informalidade também cresceu, mas em intensidade muito menor, com o contingente sem CNPJ saindo de 18,6 milhões para 19,7 milhões, avanço de 6%.

Dessa forma, o crescimento dos formalizados ocorreu em velocidade próxima de sete vezes aquela observada entre atividades empresariais mantidas fora do registro formal.

Essa diferença modificou a composição do empreendedorismo nacional, já que a participação dos negócios com CNPJ passou de 28,5% para 34,7% do total durante a década.

O avanço não eliminou a predominância da informalidade, mas ampliou de maneira relevante a presença de empresas submetidas a registros fiscais e regras específicas de funcionamento.

O estudo relaciona parte desse movimento a mudanças que simplificaram a abertura e a manutenção de empresas no país, com destaque para mecanismos como o Simples Nacional.

A redução de obstáculos burocráticos e tributários contribui para diminuir a distância entre uma atividade inicialmente informal e sua transformação em negócio regularizado.

Informalidade ainda concentra vulnerabilidades

Apesar da expansão do CNPJ, o Brasil terminou 2025 com um número de empreendedores informais muito superior ao de formalizados, além de diferenças importantes no perfil socioeconômico desses grupos.

Entre os proprietários sem registro empresarial, 67% são homens e 60% são pessoas negras, enquanto pessoas brancas representam 60,5% dos donos de negócios formalizados.

A idade também ganhou peso na composição da informalidade, com a participação de pessoas de 60 anos ou mais passando de 12% para 16% ao longo de dez anos.

O avanço de quatro pontos percentuais coloca o envelhecimento da população entre as transformações que começam a aparecer de forma mais clara no universo do trabalho por conta própria.

As condições de operação revelam outra diferença importante, pois 60% dos informais trabalham sem um estabelecimento fixo e parte expressiva exerce a atividade em casa ou em locais escolhidos pelos próprios clientes.

A jornada média chega a 36 horas semanais no negócio principal, aproximadamente sete horas abaixo daquela registrada entre empreendedores formalizados.

A proteção previdenciária permanece como uma das principais fragilidades desse grupo, uma vez que 80% dos trabalhadores informais não realizam contribuições para a Previdência Social.

Essa característica amplia os riscos de longo prazo para profissionais cuja renda depende diretamente da continuidade de sua própria capacidade de trabalho.

Os resultados mostram, portanto, duas transformações simultâneas no empreendedorismo brasileiro, com avanço consistente da formalização e permanência de um amplo contingente fora do CNPJ.

O desafio passa a envolver não apenas a criação de novos negócios, mas também condições que permitam transformar atividades duradouras em operações mais protegidas, estruturadas e capazes de crescer.

Fonte: Agência Sebrae

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