Em 2024, o número de milionários aumentou globalmente, com os Estados Unidos liderando com 23,8 milhões. O Brasil se destacou na América Latina com 433 mil. No entanto, a desigualdade de riqueza no país continua alta, evidenciada por um Índice de Gini de 0,82, que indica uma distribuição desigual de recursos e oportunidades.
Em 2024, o número de milionários cresceu significativamente, com os EUA adicionando 1 mil milionários por dia. O Brasil lidera na América Latina com 433 mil milionários, mas enfrenta desafios de desigualdade. O crescimento econômico global contribuiu para esse aumento, mas a distribuição de riqueza ainda é uma questão crítica.
Crescimento global de milionários
O ano de 2024 foi marcado por um aumento significativo no número de milionários em todo o mundo. Segundo o relatório do Global Wealth Report, 684 mil pessoas ingressaram nesse seleto grupo, representando um crescimento de 1,2% em relação ao ano anterior.
Esse crescimento reflete a recuperação econômica global, que continuou a se fortalecer após as dificuldades enfrentadas em 2022.
O estudo abrangeu 56 países, responsáveis por mais de 92% da riqueza mundial, destacando os Estados Unidos como o país com o maior número de milionários, totalizando 23,8 milhões. Esse número supera em muito os dados combinados da Europa Ocidental e da Grande China.
A estabilidade do dólar e o desempenho positivo dos mercados financeiros foram fatores cruciais para o aumento do número de milionários nas Américas, especialmente na América do Norte, que registrou uma expansão superior a 11%.
Além disso, a valorização de ativos financeiros e imobiliários contribuiu para o aumento da riqueza global, que cresceu 4,6% em 2024, ligeiramente acima do crescimento de 4,2% registrado no ano anterior.
No entanto, essa expansão não foi uniforme, com algumas regiões experimentando um crescimento mais acelerado do que outras, refletindo a complexidade do cenário econômico mundial.
Brasil: líder na América Latina
O Brasil se destaca como o país com o maior número de milionários na América Latina, com aproximadamente 433 mil indivíduos possuindo fortunas superiores a US$ 1 milhão.
Este dado coloca o Brasil na 19ª posição no ranking global de milionários, segundo o relatório do Global Wealth Report 2024.
Essa liderança regional é atribuída ao tamanho da economia brasileira e à concentração de riqueza em setores específicos, como agronegócio e finanças.
Apesar de ser líder em número de milionários, o Brasil enfrenta desafios significativos em termos de desigualdade de riqueza.
A média de riqueza por adulto no país é de cerca de US$ 31 mil, abaixo da média da América Latina e muito distante dos países mais ricos do mundo.
Este cenário evidencia a disparidade entre a elite econômica e a população em geral, um problema persistente que continua a ser um obstáculo para o desenvolvimento socioeconômico do país.
Além disso, o relatório destaca que a concentração de milionários no Brasil pode elevar artificialmente as médias de riqueza, não refletindo a realidade da maioria da população.
A desigualdade é ainda mais acentuada quando se considera a riqueza mediana, que é significativamente menor, apontando para uma distribuição desigual de recursos e oportunidades no país.
Desigualdade de Riqueza no Brasil
A desigualdade de riqueza no Brasil é um tema central no relatório do Global Wealth Report 2024, que destaca o país como um dos mais desiguais do mundo.
O Índice de Gini, que mede a desigualdade, foi de 0,82 no Brasil, empatando com a Rússia como os países de maior desigualdade entre os analisados.
Este índice reflete uma distribuição de riqueza extremamente desigual, onde uma pequena parcela da população detém uma grande parte dos recursos.
O relatório aponta que, embora o Brasil tenha um número expressivo de milionários, a riqueza média por adulto é de apenas US$ 31 mil, muito abaixo dos padrões internacionais.
Quando se considera a riqueza mediana, que é o ponto em que metade da população possui mais e a outra metade possui menos, o valor cai para cerca de US$ 6.482 por adulto.
Isso evidencia que a maioria dos brasileiros não compartilha da prosperidade econômica experimentada por uma minoria.
A concentração de riqueza é agravada por fatores históricos e estruturais, como a desigualdade de oportunidades e a falta de políticas eficazes de redistribuição.
O relatório sugere que, para reduzir essa disparidade, é essencial implementar reformas que promovam a inclusão social e econômica, garantindo que o crescimento econômico beneficie uma parcela maior da população.
Fonte: g1
