O calor mais intenso vem elevando a pegada hídrica no leite, já que animais precisam de mais água e lavouras essenciais sofrem com perdas de rendimento. Esses fatores exigem que produtores adotem técnicas capazes manter a viabilidade do setor.
O avanço do aquecimento global já começa a alterar de forma significativa o uso da água na produção leiteira, elevando o consumo pelos animais e reduzindo o rendimento das culturas que compõem a alimentação do rebanho. Diante desse cenário, pesquisadores têm analisado como práticas de manejo e tecnologias podem mitigar a pressão sobre a pegada hídrica e garantir a sustentabilidade das fazendas.
Impacto do clima na produção de leite
O aumento das temperaturas já provoca efeitos diretos no consumo de água e na produtividade das fazendas leiteiras.
Com o calor mais intenso, os animais demandam mais hidratação e resfriamento, o que eleva o uso de fontes superficiais e subterrâneas.
Ao mesmo tempo, culturas como milho e soja, base da alimentação bovina, apresentam queda de rendimento em cenários mais quentes e secos, ampliando o volume de água associado à produção dos insumos.
Esse conjunto de fatores pressiona a pegada hídrica e exige que propriedades adotem novos manejos para manter a sustentabilidade da atividade.
Um estudo realizado em 67 propriedades de Lajeado Tacongava, no Rio Grande do Sul, mostrou que práticas de manejo adequadas podem mitigar parte desses impactos mesmo em condições climáticas adversas.
A pesquisa avaliou fazendas de diferentes sistemas, pastagem, semi-confinamento e confinamento, e analisou cenários combinados de boas práticas e projeções climáticas.
Os resultados indicam que melhorias no uso da água, no tratamento de efluentes e na produtividade das culturas ajudam a reduzir a pegada hídrica verde, azul e cinza, que compõem o indicador total.
Cada tipo de consumo apresenta funções distintas na produção, desde a evapotranspiração das forrageiras até a água usada em limpeza e resfriamento, além do volume necessário para diluir poluentes.
Adaptação, Manejo e Sustentabilidade
A eficiência hídrica depende tanto das condições climáticas quanto da forma como cada propriedade organiza seus processos.
Fazendas baseadas em pasto utilizam mais água verde, enquanto sistemas confinados dependem intensamente de água azul para limpeza e controle térmico.
Em todos os modelos, ações como uso racional da água, irrigação eficiente, escolha de forrageiras de maior rendimento e manejo adequado dos dejetos podem reduzir significativamente o impacto hídrico da produção.
Tecnologias de precisão também vêm sendo incorporadas para monitorar o uso de água e ajustar o manejo em tempo real.
Essas práticas se alinham às metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente no que se refere ao uso responsável dos recursos hídricos.
Estratégias como compostagem de dejetos, reaproveitamento de águas residuais e captação de água da chuva fortalecem a resiliência das fazendas e diminuem a dependência de fontes externas.
Ao integrar técnicas sustentáveis e capacitar produtores, o setor leiteiro pode manter sua viabilidade econômica e ambiental diante das pressões impostas pela mudança climática.
Fonte: Embrapa
