O Rock in Rio passou a usar informações de consumo e desempenho para ajustar processos durante o festival e tornar a operação mais precisa em áreas sujeitas a grandes variações de demanda.
No Rock in Rio, a sustentabilidade passou a influenciar decisões que envolvem compras, alimentação, infraestrutura, consumo de energia e destinação de materiais ao longo de toda a operação. A proposta busca antecipar desperdícios antes que eles ocorram e transformar recursos temporários em elementos com maior aproveitamento econômico e ambiental.
Circularidade entra no planejamento do festival
A lógica adotada parte da ideia de que estruturas utilizadas por poucos dias não precisam ser concebidas exclusivamente para um único ciclo de uso.
Materiais e componentes podem ser preservados, reaproveitados ou reincorporados em novas edições, o que reduz a necessidade de novas aquisições e diminui o volume destinado ao descarte.
Esse princípio também interfere no desenho dos espaços, com escolhas capazes de reduzir o consumo energético sem comprometer as necessidades da operação.
Soluções que aproveitam ventilação natural, por exemplo, ajudam a limitar o uso de climatização artificial às áreas em que esse recurso realmente se torna necessário.
A desmontagem também passa a fazer parte do planejamento ambiental, porque resíduos gerados nessa etapa recebem destinos definidos antes do encerramento do evento.
Metais, plásticos e chapas utilizadas na infraestrutura podem seguir diferentes rotas de reaproveitamento, o que reduz a quantidade encaminhada para aterros.
Nesse modelo, a infraestrutura deixa de ser vista apenas como uma despesa temporária e passa a representar um conjunto de ativos que podem conservar valor depois do festival.
Essa mudança aproxima sustentabilidade de eficiência financeira, principalmente quando a reutilização reduz compras, transporte e descarte em edições futuras.
Alimentação exige decisões em tempo real
O setor de alimentos concentra outro desafio relevante porque grandes eventos precisam abastecer milhares de pessoas sem conhecer antecipadamente a distribuição exata da demanda.
Estoques muito reduzidos aumentam o risco de falta, enquanto margens excessivas podem transformar segurança operacional em desperdício.
O acompanhamento das vendas e do consumo permite corrigir esse equilíbrio durante o próprio festival, com ajustes nas quantidades preparadas e na distribuição dos produtos entre diferentes pontos.
Dessa forma, decisões deixam de depender exclusivamente de projeções feitas antes da abertura e passam a incorporar o comportamento real do público.
A produção em volumes menores ao longo do dia também oferece maior flexibilidade para acompanhar mudanças na procura, enquanto ingredientes com diferentes possibilidades de uso reduzem perdas provocadas por alterações nas preferências dos consumidores.
Mesmo com planejamento mais preciso, parte dos alimentos pode permanecer disponível ao final das atividades, o que exige uma rede preparada para dar destino adequado a esses produtos.
Organizações receptoras, transporte, embalagens e requisitos sanitários precisam estar definidos previamente para que a doação seja viável dentro do tempo disponível.
Os dados reunidos durante cada edição ajudam a aperfeiçoar esse sistema, porque informações sobre compras, preparo, consumo, doações e descarte formam uma referência para decisões futuras.
Quanto maior a qualidade desse histórico, menor tende a ser a margem necessária para compensar incertezas operacionais.
A economia circular passa, assim, a integrar a própria gestão do Rock in Rio, com efeitos que ultrapassam a redução de resíduos.
O modelo pode diminuir custos, melhorar o uso de recursos, estimular soluções operacionais mais eficientes e fortalecer a reputação ambiental de organizadores e marcas associadas ao festival.
Fonte: Um Só Planeta
