O mercado global de peças usadas alcançou US$ 197 bilhões em 2023, após crescer 18% em um ano, com projeção de chegar a US$ 350 bilhões até 2028.
O avanço das roupas de segunda mão começa a alterar a própria divisão do mercado de moda, antes concentrado quase exclusivamente na comercialização de produtos novos. As projeções indicam que as peças usadas podem representar 10% das vendas mundiais de moda, participação que transforma a revenda em uma frente relevante para consumidores, plataformas e marcas.
Mercado de usados pode alcançar 10% das vendas globais
A possibilidade de ocupar uma fatia equivalente a 10% do mercado mundial mostra que a compra de roupas usadas deixou de representar apenas uma alternativa restrita aos brechós tradicionais.
O crescimento também acompanha uma mudança na relação do consumidor com o vestuário, pois preço, variedade e possibilidade de acesso a produtos mais valorizados passaram a influenciar essas escolhas.
Em períodos de maior pressão sobre a renda, a revenda oferece uma forma de reduzir o valor necessário para renovar peças sem limitar a procura exclusivamente aos produtos mais baratos.
Ao mesmo tempo, preocupações relacionadas ao aproveitamento prolongado dos produtos acrescentaram outro argumento à escolha de itens que já tiveram um primeiro proprietário.
Internet ampliou o alcance da revenda
As plataformas digitais transformaram um mercado antes muito dependente da oferta disponível em cada região ao reunir vendedores, compradores e milhares de produtos em ambientes de busca mais amplos.
Essa estrutura facilita comparações entre preços, marcas, tamanhos e estilos, além de permitir que uma peça encontre interessados muito além do local onde foi colocada à venda.
A adesão aparece com força entre consumidores mais jovens, mas o mercado também conquistou públicos de outras faixas etárias por meio de lojas físicas e estabelecimentos especializados.
Essa combinação entre canais digitais e pontos tradicionais permite que o setor alcance perfis diferentes de consumidores sem depender de uma única experiência de compra.
Expansão cria novas oportunidades para marcas
O crescimento da revenda também modifica a relação entre fabricantes e produtos usados, porque algumas marcas passaram a observar esse mercado como parte do ciclo comercial das próprias peças.
Para as empresas, participar desse ambiente pode criar novos pontos de contato com consumidores interessados em determinados produtos, mesmo quando uma compra nova não cabe no orçamento disponível.
A ampliação do mercado também abre espaço para negócios dedicados à seleção, autenticação, exposição e intermediação de peças, atividades que acrescentam serviços ao processo tradicional de revenda.
No entanto, aumento de procura e crescimento de receita não garantem automaticamente rentabilidade, especialmente em operações que precisam administrar grande variedade de produtos individuais.
O avanço das roupas de segunda mão, portanto, combina uma mudança de comportamento com um desafio empresarial relevante, já que conquistar 10% do mercado global exigirá modelos capazes de transformar escala em resultados sustentáveis.
Fonte: The Guardian
