Trabalho escravo: Brasil resgata 2.772 pessoas em 2025

O trabalho escravo segue como um desafio no Brasil, que resgatou 2.772 trabalhadores em 2025, segundo dados oficiais. A maioria dos casos foi registrada em áreas urbanas, evidenciando uma mudança no perfil dessa prática ilegal.

Em 2025, o Brasil resgatou 2.772 trabalhadores em condições análogas à escravidão, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. As ações, realizadas em 1.594 operações fiscais, garantiram o pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias. Este balanço destaca uma mudança no perfil dos resgates, com maior incidência no meio urbano.

Mudança no perfil dos resgates em 2025

O cenário do combate ao trabalho em condições análogas à escravidão no Brasil apresentou mudanças relevantes em 2025.

Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostram que, pela primeira vez, a maioria dos resgates ocorreu em áreas urbanas.

Do total de trabalhadores retirados dessa situação, 68% estavam em atividades desenvolvidas nas cidades, superando os casos registrados no meio rural, historicamente predominantes.

A alteração no perfil dos resgates evidencia que o trabalho escravo contemporâneo deixou de estar concentrado apenas em atividades agropecuárias ou de exploração de recursos naturais.

Apesar da maior incidência nas cidades, atividades rurais e de exploração ambiental continuaram aparecendo de forma significativa nas operações realizadas ao longo do ano.

Casos envolvendo colheita de café, desmatamento e mineração ilegal seguiram entre os principais alvos das ações de combate, reforçando a diversidade de frentes em que esse tipo de violação ainda ocorre.

Em termos regionais, os estados com maior número de ocorrências em 2025 foram Mato Grosso, com 607 registros, seguido pela Bahia, com 482, Minas Gerais, com 393, São Paulo, com 276, e Paraíba, com 253.

No outro extremo, Alagoas e Amapá não registraram casos de trabalho escravo no período, de acordo com o balanço oficial.

As operações realizadas ao longo do ano contaram com a atuação conjunta de órgãos federais e estaduais, o que foi apontado como fator decisivo para a identificação das irregularidades e o resgate dos trabalhadores.

O avanço das ações em diferentes setores e regiões reforça a necessidade de estratégias amplas e integradas para enfrentar um problema que assume formas cada vez mais complexas no país.

Setores com maior número de resgatados

Os dados de 2025 revelaram os setores econômicos com maior número de trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão no Brasil.

O setor de obras de alvenaria liderou o ranking, com 601 trabalhadores resgatados, seguido pela administração pública em geral, que contabilizou 304 resgates. A construção de edifícios também figurou entre os setores críticos, com 186 trabalhadores libertados.

O cultivo de café, tradicionalmente associado a casos de trabalho escravo, registrou 184 resgates, enquanto a extração e britamento de pedras, com beneficiamento associado, teve 126 trabalhadores resgatados.

Esses números destacam a necessidade de monitoramento contínuo e rigoroso nas atividades agrícolas e de construção, onde as condições de trabalho precárias são mais frequentes.

Além desses setores, a fiscalização identificou trabalho escravo em áreas como a indústria têxtil e o trabalho doméstico, este último com 122 ações fiscais específicas que resultaram no resgate de 34 trabalhadores.

Esses dados reforçam a urgência de políticas públicas eficazes para proteger os direitos dos trabalhadores e erradicar o trabalho escravo em todas as suas formas.

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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