Alta do querosene cancela mais de 3 mil voos no Brasil

Milhares de voos no Brasil foram cancelados após o aumento do querosene de aviação, combustível essencial para a operação das companhias. A Anac afirma que não há risco de desabastecimento, mas a redução de rotas regionais já afeta passageiros.

O aumento do combustível usado na aviação já provoca reflexos na malha aérea brasileira, com 3,5 mil voos cancelados em maio, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A alta do petróleo no mercado internacional, associada à instabilidade no Oriente Médio, elevou os custos das companhias e levou governo e Petrobras a adotarem medidas temporárias para reduzir a pressão sobre o setor.

Querosene mais caro reduz malha aérea no Brasil

Mais de 3,5 mil voos foram cancelados no Brasil em maio em meio à alta do querosene de aviação, combustível que representa uma parcela relevante dos custos das companhias aéreas.

Segundo dados apresentados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mencionados pela Agência Câmara de Notícias, a previsão é que outros 2,6 mil voos sejam retirados da malha aérea em junho.

Embora nenhum destino tenha sido completamente desatendido, houve uma redução nas rotas regionais, afetando principalmente estados como Acre, Amazonas, Pernambuco, Goiás, Pará, Paraíba e Minas Gerais.

A alta do combustível foi associada ao aumento do preço do petróleo no mercado internacional, pressionado pela guerra no Oriente Médio e pela instabilidade nas cadeias globais de energia.

Com custos operacionais mais elevados, as companhias aéreas passaram a revisar a oferta de voos, priorizando rotas com maior demanda e ajustando trechos menos rentáveis.

A redução da malha aérea pode dificultar deslocamentos em regiões que dependem de conexões para acesso a grandes centros, serviços públicos, turismo e atividades econômicas.

Para os passageiros, o cenário pode resultar em menos opções de horários, remarcações mais frequentes e maior pressão sobre o valor das passagens em determinadas rotas.

Apesar dos cancelamentos, a Anac informou que não há risco atual de desabastecimento de querosene de aviação no país, diferentemente do que ocorreu em alguns mercados europeus.

A continuidade dos ajustes dependerá do comportamento dos preços do combustível e da capacidade das empresas de reorganizar suas operações sem comprometer a conectividade regional.

Medidas do governo e da Petrobras

Em resposta à crise dos combustíveis, o governo brasileiro e a Petrobras adotaram medidas para mitigar os impactos do aumento de preços no setor aéreo.

A Petrobras, principal fornecedora de querosene de aviação no país, criou um programa temporário que permite o parcelamento de parte do reajuste aplicado ao combustível em abril e maio.

Esse programa visa aliviar a pressão financeira sobre as distribuidoras e, consequentemente, sobre as companhias aéreas.

Além disso, o governo suspendeu a cobrança de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação até o final de maio, uma medida defendida pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) para ser estendida até o final do ano.

Essa suspensão visa reduzir os custos operacionais das companhias aéreas, ajudando a manter a conectividade aérea no país.

A Petrobras também anunciou planos de investimento para aumentar a produção nacional de querosene de aviação, buscando reduzir a dependência de importações e estabilizar os preços a longo prazo.

Atualmente, o Brasil importa até 30% do querosene consumido, o que torna o país vulnerável a flutuações no mercado internacional.

Apesar dessas iniciativas, a falta de medidas definitivas do Ministério da Fazenda foi criticada por parlamentares, que cobram ações mais concretas e permanentes para enfrentar a crise.

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