Milhares de voos no Brasil foram cancelados após o aumento do querosene de aviação, combustível essencial para a operação das companhias. A Anac afirma que não há risco de desabastecimento, mas a redução de rotas regionais já afeta passageiros.
Querosene mais caro reduz malha aérea no Brasil
Mais de 3,5 mil voos foram cancelados no Brasil em maio em meio à alta do querosene de aviação, combustível que representa uma parcela relevante dos custos das companhias aéreas.
Segundo dados apresentados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mencionados pela Agência Câmara de Notícias, a previsão é que outros 2,6 mil voos sejam retirados da malha aérea em junho.
Embora nenhum destino tenha sido completamente desatendido, houve uma redução nas rotas regionais, afetando principalmente estados como Acre, Amazonas, Pernambuco, Goiás, Pará, Paraíba e Minas Gerais.
Medidas do governo e da Petrobras
Em resposta à crise dos combustíveis, o governo brasileiro e a Petrobras adotaram medidas para mitigar os impactos do aumento de preços no setor aéreo.
A Petrobras, principal fornecedora de querosene de aviação no país, criou um programa temporário que permite o parcelamento de parte do reajuste aplicado ao combustível em abril e maio.
Esse programa visa aliviar a pressão financeira sobre as distribuidoras e, consequentemente, sobre as companhias aéreas.
Além disso, o governo suspendeu a cobrança de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação até o final de maio, uma medida defendida pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) para ser estendida até o final do ano.
Essa suspensão visa reduzir os custos operacionais das companhias aéreas, ajudando a manter a conectividade aérea no país.
A Petrobras também anunciou planos de investimento para aumentar a produção nacional de querosene de aviação, buscando reduzir a dependência de importações e estabilizar os preços a longo prazo.
Atualmente, o Brasil importa até 30% do querosene consumido, o que torna o país vulnerável a flutuações no mercado internacional.
Apesar dessas iniciativas, a falta de medidas definitivas do Ministério da Fazenda foi criticada por parlamentares, que cobram ações mais concretas e permanentes para enfrentar a crise.
