União Europeia decide adiar assinatura do acordo com Mercosul

Prevista para ocorrer ainda este ano, a assinatura do acordo com Mercosul foi transferida para janeiro em meio a negociações políticas dentro da União Europeia e pressões de setores estratégicos do bloco.

A assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul foi adiada para janeiro, após divergências internas no bloco europeu. A decisão ocorreu em meio a debates políticos e pressões de setores agrícolas, que levaram a União Europeia a reavaliar o cronograma para a formalização do tratado.

UE posterga acordo com o Mercosul diante de pressões

A assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul foi adiada para janeiro, após divergências internas entre os países europeus e forte mobilização de agricultores contrários ao tratado.

A decisão foi comunicada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante a reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas.

O acordo, negociado há mais de duas décadas, prevê a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, envolvendo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, além dos países do bloco europeu.

A expectativa era que a formalização ocorresse ainda este ano, durante a cúpula do Mercosul no Brasil, mas o cenário político europeu levou à reavaliação do cronograma.

A principal resistência ao avanço imediato do tratado vem de países com forte representação do setor agrícola, como França e Itália.

Governos e entidades rurais desses países argumentam que o acordo pode ampliar a entrada de produtos agropecuários sul-americanos a preços mais competitivos, o que exigiria mecanismos adicionais de proteção aos produtores europeus.

Enquanto isso, países como Alemanha, Espanha e integrantes do Norte da Europa defendem a conclusão do tratado, avaliando que ele pode fortalecer o comércio europeu em um cenário de maior concorrência internacional e mudanças nas relações globais de comércio.

Especialistas apontam que, do ponto de vista do Mercosul, o texto do acordo já passou por diversos ajustes ao longo dos anos, restando pouca margem para novas concessões.

Ainda assim, o acordo segue sendo tratado como estratégico para ambas as partes, tanto no campo econômico quanto geopolítico.

Com o novo cronograma, janeiro passa a ser o próximo marco para a tentativa de formalização do acordo UE-Mercosul, que permanece no centro do debate político e econômico entre os dois blocos.

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