Balança comercial tem superávit de US$ 7,7 bilhões em setembro

A balança comercial brasileira ampliou a diferença entre vendas e compras externas, embora as estimativas oficiais para exportações, importações e saldo de 2026 tenham sido reduzidas.

O comércio exterior brasileiro encerrou setembro com uma combinação incomum entre forte resultado mensal e expectativas mais moderadas para o fechamento do ano, após o superávit alcançar US$ 7,7 bilhões e superar em 146,4% o registrado no mesmo mês de 2025. A melhora ocorreu em um período de expansão das vendas externas e retração das importações, mas não impediu uma redução das projeções oficiais para 2026.

Saldo reflete ritmos opostos

As compras brasileiras no exterior recuaram 2,4% em relação a setembro de 2025 e somaram US$ 26,7 bilhões, movimento que ajudou a ampliar a diferença em relação às receitas obtidas com exportações.

No sentido contrário, os embarques nacionais chegaram a US$ 34,4 bilhões após crescimento anual de 12,9%, o que reforçou o resultado positivo do mês.

A composição das exportações mostra que o impulso não ficou distribuído de maneira uniforme entre os setores, porque a indústria extrativa registrou crescimento de 39,8% e assumiu a principal contribuição percentual.

Agropecuária e indústria de transformação também apresentaram expansão, com altas respectivas de 4,8% e 5,3% diante dos valores observados um ano antes.

O comportamento das importações seguiu outra configuração, já que produtos ligados à agropecuária registraram aumento de 9,3% e itens da indústria extrativa tiveram expansão de 7,4%.

A indústria de transformação destoou desses movimentos e apresentou redução de 3,2% nas compras externas durante a comparação com setembro do ano anterior.

Europa e Estados Unidos ganham peso

A mudança mais evidente entre os mercados compradores ocorreu fora da Ásia, porque as exportações brasileiras destinadas à Europa cresceram 51,9% na comparação anual.

Dentro desse movimento, as aquisições realizadas pela União Europeia avançaram 60,1%, percentual superior aos demais recortes regionais informados para setembro.

Os Estados Unidos também ampliaram significativamente as compras de produtos brasileiros, com crescimento de 31,9%, resultado que ajudou a elevar em 30,6% os embarques destinados ao conjunto da América do Norte.

Esse desempenho contrastou com a redução de 7,6% nas vendas para a China, principal mercado individual do comércio exterior brasileiro.

A diferença apareceu igualmente nos recortes mais amplos, porque as exportações destinadas à Ásia recuaram 2,5%, enquanto os embarques para a América do Sul permaneceram próximos do nível registrado em setembro de 2025.

Esse rearranjo mensal mostra que o crescimento das receitas externas ocorreu com contribuição maior de mercados que não lideraram tradicionalmente os avanços recentes do país.

Acumulado cresce, projeção encolhe

Nos primeiros nove meses de 2026, exportações e importações movimentaram juntas US$ 506,9 bilhões, valor 8% superior ao observado no intervalo equivalente do ano anterior.

As vendas externas responderam por US$ 284,7 bilhões desse montante, após expansão de 10,4%, enquanto as compras alcançaram US$ 222,3 bilhões e cresceram 5%.

A diferença entre esses fluxos levou o superávit acumulado até setembro a US$ 62,4 bilhões, crescimento de 34,8% em relação ao resultado registrado no mesmo intervalo de 2025.

Mesmo com esse avanço, a Secretaria de Comércio Exterior passou a trabalhar com uma expectativa menor para o fechamento das contas externas brasileiras em dezembro.

A estimativa de superávit para 2026 caiu de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões, enquanto a projeção das exportações recuou de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões.

A previsão para as importações também foi reduzida, de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões, após a atualização das premissas utilizadas pelo governo.

Com as novas estimativas, o valor esperado para toda a corrente de comércio passou de US$ 698,8 bilhões para US$ 680,6 bilhões ao longo de 2026.

O cenário combina, portanto, um desempenho acumulado superior ao de 2025 com uma expectativa oficial mais cautelosa sobre o volume financeiro que ainda poderá passar pelo comércio exterior até o fim do ano.

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