Durante a Copa do Mundo, o consumo no Brasil é afetado por aumentos de preços, levando a mudanças na cesta de compras e adaptações às condições econômicas, com a alta demanda e a inflação sendo os principais fatores destacados por especialistas.
A Copa do Mundo deve pesar mais no bolso dos brasileiros, especialmente para quem pretende reunir amigos e familiares para acompanhar os jogos em casa. Segundo estimativa da Scanntech, feita a pedido da BBC News Brasil, produtos tradicionalmente consumidos durante as partidas, como cerveja, refrigerante, carnes e petiscos, registram aumento de preços e podem tornar as confraternizações mais caras ao longo do torneio.
Alimentos e bebidas ficam mais caros desde a última Copa
A preparação para a Copa do Mundo ocorre em um cenário de alimentos e bebidas mais caros, especialmente entre produtos tradicionais nas reuniões para assistir aos jogos.
Desde a Copa de 2022, a carne bovina acumulou alta de cerca de 9%, enquanto a cerveja subiu 19% no mesmo intervalo.
Os reajustes foram ainda mais fortes em bebidas não alcoólicas, com aumento de 30% nos refrigerantes e avanço de 32% nos sucos.
O encarecimento reflete uma combinação de inflação acumulada, custos de produção mais elevados e despesas maiores com transporte, embalagens e insumos industriais.
No caso das bebidas, materiais como alumínio e vidro também pressionam a cadeia, já que parte desses custos chega ao preço final nas prateleiras.
A carne bovina ainda sente efeitos de oferta mais limitada no mercado interno, em um ambiente marcado por exportações aquecidas e preços mais competitivos no exterior.
Consumidor adapta compras para manter confraternizações
Mesmo com preços mais altos, a expectativa do comércio é que o consumo ligado aos jogos siga aquecido pela tradição de reunir amigos e familiares.
A mudança mais visível está na composição da cesta, já que consumidores buscam alternativas para preservar o encontro sem comprometer tanto o orçamento.
O frango ganhou espaço como substituto parcial da carne bovina nos churrascos, embora também tenha acumulado alta de 18% desde a última Copa.
Marcas mais econômicas, embalagens promocionais e produtos em oferta tendem a ser mais procurados por consumidores atentos ao custo total das reuniões.
Nas bebidas, cervejas light aparecem como opção para parte do público, apesar do preço maior, porque costumam ser consumidas em menor quantidade.
A escolha por itens mais acessíveis mostra que o consumo não desaparece, mas passa a ser reorganizado conforme renda, preço e prioridade familiar.
Mercado aposta em demanda resiliente durante a Copa
Especialistas avaliam que a Copa costuma gerar um consumo sazonal relevante, com maior procura por carnes, bebidas, petiscos e itens de conveniência.
A demanda tende a crescer especialmente em jogos realizados em horários que facilitam encontros, como períodos noturnos ou finais de semana.
Para supermercados, bares e pequenos comerciantes, o desafio será equilibrar preços elevados com ofertas capazes de atrair consumidores mais cautelosos.
Analistas apontam que a inflação reduziu o poder de compra, mas não eliminou o interesse dos brasileiros por confraternizações em torno da seleção.
O cenário deve favorecer empresas que ajustarem portfólio, ampliarem promoções e oferecerem opções mais baratas sem perder volume de vendas.
Assim, o mercado espera uma Copa com consumo forte, porém mais racional, marcada por substituições, busca por descontos e maior atenção ao orçamento.
