As medidas contra entidades dos EUA ampliam a resposta chinesa a políticas consideradas prejudiciais aos interesses econômicos e estratégicos de Pequim.
As tensões comerciais entre China e Estados Unidos ganharam uma nova frente após Pequim anunciar restrições sobre exportações de drones e limitar negócios com entidades estadunidenses. A reação ocorreu em resposta às medidas adotadas por Washington contra robôs humanoides chineses e elevou a disputa tecnológica entre as duas maiores economias do mundo.
China restringe envio de drones aos EUA
A China decidiu endurecer as regras para exportação de drones destinados ao mercado estadunidense, em uma medida apresentada como resposta às restrições impostas por Washington contra robôs humanoides chineses.
O novo procedimento determina que cada operação envolvendo veículos aéreos não tripulados seja submetida a avaliação individual antes da liberação para compradores localizados nos Estados Unidos.
A exigência também alcança componentes considerados estratégicos, sistemas embarcados e tecnologias relacionadas ao funcionamento dos equipamentos comercializados por fabricantes chineses.
Segundo o Ministério do Comércio da China, parte desses produtos possui aplicação civil e militar, característica que aumenta a preocupação das autoridades com possíveis usos relacionados à defesa.
O governo chinês sustenta que a análise mais rigorosa pretende impedir transferências capazes de representar riscos à segurança nacional ou prejudicar interesses considerados estratégicos pelo país.
A decisão acrescenta uma nova frente às disputas entre Pequim e Washington, que já envolvem semicondutores, inteligência artificial, robótica e outros setores de alta complexidade.
China restringe atuação de seis entidades dos EUA
A China também ampliou sua resposta às medidas de Washington ao impor restrições contra seis entidades estadunidenses ligadas a tecnologia, monitoramento de cadeias produtivas e direitos humanos.
A lista inclui Applied DNA Sciences, Stratum Reservoir, Altana Technologies, Responsible Business Alliance, Verite Group e a organização Human Rights in China.
Com a decisão, essas entidades ficam impedidas de desenvolver negócios ou manter determinadas relações com companhias chinesas dentro das condições estabelecidas pelas autoridades de Pequim.
O governo chinês apresentou a medida como reação a iniciativas dos Estados Unidos consideradas prejudiciais à soberania, à segurança e aos interesses econômicos do país.
A nova rodada de restrições se soma às disputas envolvendo drones, robótica, cadeias de fornecimento e mecanismos de fiscalização adotados por órgãos e instituições estadunidenses.
Pequim também indicou que poderá recorrer a novas sanções caso Washington amplie barreiras contra empresas chinesas ou mantenha políticas classificadas como discriminatórias.
O movimento reforça o caráter retaliatório da relação entre as duas economias, na qual medidas comerciais passaram a atingir empresas, organizações e setores tecnológicos considerados estratégicos.
