O comércio varejista apresentou desempenho negativo em setembro, com seis dos oito setores analisados em baixa. A desaceleração indica a necessidade de novas estratégias para enfrentar mudanças no consumo e oscilações econômicas.
As vendas do comércio varejista registraram uma queda de 0,3% em setembro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE). Esta variação negativa foi observada em seis dos oito setores analisados, destacando-se a queda em livros, jornais e papelaria.
Setores com desempenho negativo
Em setembro, seis dos oito setores do comércio varejista registraram desempenhos negativos. O setor de livros, jornais, revistas e papelaria apresentou a maior queda, com uma variação de -1,6%.
Este segmento vem enfrentando uma retração contínua, resultado da migração de produtos para plataformas digitais e outras atividades.
O setor de tecidos, vestuário e calçados também sofreu uma queda significativa de -1,2%, puxada pela redução nas vendas de roupas, acessórios de moda e calçados.
As categorias de combustíveis e lubrificantes e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação registraram variações de -0,9%, refletindo a diminuição na demanda por esses produtos.
Móveis e eletrodomésticos e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo tiveram quedas de -0,5% e -0,2%, respectivamente.
Esses resultados negativos indicam um cenário desafiador para o comércio, que precisa encontrar novas estratégias para estimular as vendas e se adaptar às mudanças no comportamento do consumidor.
Impacto nas unidades da federação
O desempenho do comércio varejista em setembro variou significativamente entre as unidades da federação. Dos 27 estados, 15 registraram taxas negativas na comparação mensal.
Os destaques negativos foram o Maranhão, com uma queda de -2,2%, Roraima, com -2,0%, e o Distrito Federal, com -1,7%. Essas reduções são atribuídas, em parte, ao efeito das promoções ocorridas em agosto, que diminuíram o ímpeto de compra em setembro.
Por outro lado, 11 estados apresentaram crescimento nas vendas, com Tocantins liderando com um aumento de 3,2%, seguido por Amapá com 2,9% e Bahia com 2,4%. O Rio Grande do Norte manteve-se estável, sem variação percentual.
Quando observamos o varejo ampliado, que inclui setores como veículos e materiais de construção, 14 estados mostraram resultados positivos, destacando-se Tocantins com um impressionante crescimento de 11,4%, Minas Gerais com 3,3% e Rio Grande do Sul com 2,7%.
No entanto, Paraná, São Paulo e Roraima enfrentaram declínios de -1,8%, -1,6% e -1,5%, respectivamente. Esses dados refletem as variações regionais nas condições econômicas e nas estratégias de vendas adotadas pelos comerciantes locais.
Variação mensal e anual do comércio
Em setembro, o comércio varejista apresentou uma variação negativa de 0,3% em relação a agosto, conforme os dados divulgados pelo IBGE. Esse resultado sucede uma leve alta de 0,1% em agosto, indicando uma tendência de instabilidade nas vendas.
Quando comparado a setembro de 2024, o cenário é mais positivo, com um crescimento de 0,8%, marcando o sexto mês consecutivo de aumento interanual.
No acumulado do ano, o comércio varejista registra um crescimento de 1,5%, enquanto nos últimos 12 meses, a taxa é de 2,1%, a menor desde janeiro de 2024.
Essa desaceleração no crescimento anual ressalta os desafios enfrentados pelo setor, que precisa lidar com a volatilidade econômica e as mudanças nos padrões de consumo.
O varejo ampliado, que inclui setores como veículos, motos, partes, peças, e materiais de construção, teve uma variação positiva de 0,2% em setembro na comparação mensal.
Em relação a setembro do ano anterior, o crescimento foi de 1,1%, após três meses de quedas consecutivas, evidenciando uma recuperação gradual em alguns segmentos do mercado.
