EUA acusam Brasil de ajudar China a driblar tarifas de importação

O uso de países intermediários para driblar tarifas coloca empresas multinacionais sob maior escrutínio, especialmente quando há dúvidas sobre a transformação real dos produtos.

Um relatório divulgado pelos Estados Unidos colocou o Brasil entre os países acusados de facilitar o redirecionamento de mercadorias chinesas para contornar tarifas de importação. A avaliação estadunidense amplia a pressão sobre cadeias comerciais internacionais e pode elevar o grau de fiscalização sobre produtos que passam por mercados intermediários antes de chegar aos EUA.

EUA acusam Brasil de ajudar China a driblar tarifas

Os Estados Unidos acusaram o Brasil e outros países de auxiliarem a China a contornar tarifas de importação por meio de operações classificadas como transbordo ilegal.

O relatório publicado pela Casa Branca sustenta que mercadorias chinesas passam por economias intermediárias antes de chegar ao mercado dos Estados Unidos, o que pode reduzir ou evitar cobranças tarifárias.

O Brasil foi colocado no Nível 2 da classificação, reservado a países com integração econômica relevante às cadeias chinesas de produção, logística e distribuição.

Segundo o documento, essa posição decorre da combinação entre participação em fluxos suspeitos de redirecionamento e conexão com estruturas produtivas vinculadas à China.

Também foram incluídos nesse grupo países como Turquia, Vietnã, Tailândia, Indonésia e Malásia, todos citados por sua relação com rotas comerciais chinesas.

O relatório menciona ainda o Brasil como parte de corredores latino-americanos usados para armazenagem, montagem regional e posterior envio de produtos a outros mercados.

Relatório amplia pressão sobre parceiros comerciais da China

A acusação não se limita ao Brasil e aos países de Nível 2, pois o relatório também reúne outras economias classificadas conforme o grau de exposição a rotas associadas ao redirecionamento de mercadorias.

México, Canadá, União Europeia, Japão, Israel, Taiwan, Coreia do Sul e Índia aparecem no Nível 1, categoria destinada a grandes economias com forte volume de importações chinesas e ampla capacidade exportadora.

Já o Nível 3 reúne países que, segundo Washington, podem funcionar como pontos oportunistas em operações comerciais por causa de fatores logísticos, portuários, fronteiriços ou produtivos.

Na América Latina e no Caribe, essa categoria inclui Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Panamá e Peru.

Na Ásia, aparecem Bangladesh, Camboja, Cazaquistão, Laos, Mianmar, Filipinas, Singapura, Sri Lanka e Uzbequistão.

Na Europa e no entorno eurasiático, o grupo reúne Azerbaijão, Geórgia e Suíça, enquanto Oriente Médio e África concentram Jordânia, Quênia, Marrocos, Omã e Emirados Árabes Unidos.

A classificação reforça a intenção de Washington de acompanhar com maior rigor cadeias internacionais que, na visão do governo americano, podem reduzir a efetividade das tarifas impostas contra mercadorias chinesas.

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