Exportações do Brasil aos EUA já caíram 12,2% em 2026

Exportações do Brasil aos EUA mostram perdas mais intensas em produtos como madeira de coníferas, sebo bovino, granitos trabalhados e fumo não manufaturado.

O impacto das tarifas de Trump começa a aparecer com mais clareza nos números do comércio exterior brasileiro, especialmente entre setores com menor margem para absorver custos adicionais. Entre janeiro e julho de 2026, as exportações para os Estados Unidos recuaram 12,2%, enquanto as vendas brasileiras para o conjunto dos demais mercados avançaram 10,5% no mesmo período.

Amcham aponta perda de espaço no mercado dos EUA

O Monitor do Comércio Brasil–Estados Unidos, elaborado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) a partir de dados do Comexstat, mostra que o desempenho brasileiro no mercado estadunidense se afastou da trajetória observada no restante das exportações.

Enquanto as vendas externas totais do país avançaram 10,5% entre janeiro e julho de 2026, os embarques destinados aos Estados Unidos apresentaram retração de 12,2% no mesmo intervalo.

Esse descompasso indica que a perda de competitividade não decorreu apenas de uma desaceleração geral do comércio exterior, mas atingiu de forma mais concentrada a relação bilateral.

As sobretaxas aplicadas por Washington aumentaram o custo de entrada de determinados produtos brasileiros e reduziram a atratividade de segmentos que dependem fortemente do mercado dos EUA.

Mesmo com a retração, os Estados Unidos continuam entre os principais compradores de mercadorias brasileiras, o que mantém elevada a relevância econômica de qualquer mudança nas condições de acesso.

Tarifas pesam mais sobre setores específicos

Os efeitos das barreiras comerciais aparecem com maior intensidade em categorias que já enfrentam concorrência elevada e menor capacidade de absorver custos adicionais.

A madeira de coníferas registrou uma das perdas mais severas, com redução de 59,4% nas vendas realizadas aos compradores estadunidenses durante o período analisado.

O sebo bovino também sofreu impacto expressivo, após queda de 42,5%, enquanto granitos trabalhados apresentaram retração de 42,1% nas exportações para os Estados Unidos.

O fumo não manufaturado recuou 37,7%, ao passo que portas e caixilhos perderam 35,3%, resultado que confirma a concentração das dificuldades em determinados segmentos.

Essas perdas podem comprometer receitas, planejamento produtivo e capacidade de investimento de empresas que mantêm parcela relevante de suas vendas voltada ao mercado dos EUA.

A pressão também tende a alcançar fornecedores e cadeias associadas, porque uma redução prolongada nas exportações costuma afetar produção, logística e contratação de serviços relacionados.

Diversificação reduz parte das perdas

O desempenho positivo das exportações brasileiras para outros destinos mostra que parte dos setores conseguiu encontrar demanda fora dos Estados Unidos e reduzir a dependência daquele mercado.

Petróleo bruto e produtos semimanufaturados de ferro aparecem entre as mercadorias que perderam espaço nos Estados Unidos, mas registraram resultados melhores em outras regiões.

Essa redistribuição oferece algum alívio às empresas com capacidade de redirecionar cargas, negociar novos contratos e ajustar rapidamente sua presença comercial internacional.

Para produtos mais especializados, entretanto, a substituição de compradores pode exigir certificações, novas relações comerciais e mudanças logísticas que elevam custos e prolongam a adaptação.

A expansão em outros mercados, portanto, funciona como proteção parcial, mas não elimina os efeitos das tarifas sobre setores construídos historicamente em torno da demanda estadunidense.

O cenário reforça a importância de combinar diversificação comercial com negociações capazes de reduzir barreiras e recuperar condições mais favoráveis para os exportadores brasileiros.

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