O Brasil pode enfrentar uma redução de até 33% no PIB até 2100 devido às mudanças climáticas, com eventos extremos e desafios socioeconômicos que demandam ações urgentes e eficazes.
Um novo estudo destaca o impacto econômico das mudanças climáticas no Brasil, prevendo uma redução no crescimento do PIB de até 33% até 2100. O relatório, publicado pela Christian Aid, analisa diferentes cenários de emissões e destaca a necessidade urgente de ação climática eficaz.
Desafios climáticos e econômicos para o Brasil
O Brasil está entre as nações sul-americanas mais expostas aos efeitos econômicos da crise climática, e projeções recentes mostram que o impacto sobre o crescimento do Produto Interno Bruto pode ser profundo nas próximas décadas.
Em um cenário de forte elevação das emissões, no qual a temperatura média global avançaria 3,5°C até 2100, as estimativas apontam para uma redução acumulada de 36,6% no crescimento do PIB brasileiro.
Mesmo em um caminho mais controlado, limitado a um aumento de 1,6°C, o país ainda enfrentaria uma perda significativa, calculada em 17,7% até o fim do século.
O estudo também chama atenção para a desigualdade na distribuição desses efeitos. Comunidades rurais, povos indígenas e moradores de áreas urbanas mais pobres estão entre os grupos que mais sentirão os impactos econômicos.
Além disso, o relatório mostra que o Brasil já vive um agravamento expressivo dos eventos climáticos extremos: desde a década de 1990, a ocorrência de desastres associados ao clima cresceu 460%, atingindo 92% dos municípios do país.
Enchentes, secas e tempestades têm provocado prejuízos bilionários, interrompido cadeias produtivas e ampliado os gastos públicos com ações emergenciais.
Diante desse cenário, especialistas alertam que os desafios climáticos e econômicos estão cada vez mais interligados, exigindo uma estratégia nacional consistente.
A intensificação de extremos climáticos pressiona infraestruturas frágeis, reduz a produtividade agrícola e compromete a segurança hídrica, gerando riscos adicionais para a saúde pública e para a estabilidade financeira.
Sem ações robustas de adaptação e mitigação, que incluam avanços em energia renovável, proteção de ecossistemas e políticas voltadas à redução da vulnerabilidade social, o país pode ver suas perspectivas de desenvolvimento se estreitarem.
