IPCA-15 sobe 0,70% em setembro com pressão de energia e passagens aéreas

A aceleração do IPCA-15 refletiu sobretudo o avanço de despesas ligadas à moradia, aos transportes e ao consumo pessoal, com destaque para energia, passagens e cigarros.

O IPCA-15 subiu 0,70% em setembro, após recuo de 0,40% em agosto, resultado que colocou a prévia da inflação 1,10 ponto percentual acima da leitura anterior. Com a nova taxa, o indicador acumula 3,82% em 2026 e 4,47% em 12 meses, ante 4,24% até agosto, enquanto todos os nove grupos e as 11 regiões pesquisadas apresentaram variações positivas.

Habitação lidera altas entre os grupos

Entre as nove categorias acompanhadas, Habitação apresentou a maior variação de setembro, com avanço de 2,07% e contribuição de 0,31 ponto percentual para o índice nacional.

Na sequência apareceram Despesas pessoais, com 0,96%, Transportes, com 0,60%, Artigos de residência, com 0,55%, Comunicação, com 0,54%, Vestuário, com 0,41%, e Alimentação e bebidas, com 0,40%.

As menores variações positivas ficaram com Saúde e cuidados pessoais, que apresentou 0,13%, e Educação, que avançou apenas 0,03% no período analisado.

Essa distribuição mostra que a alta de setembro não ficou restrita a poucos componentes, embora algumas categorias tenham exercido influência muito superior sobre o resultado nacional.

Dentro de Habitação, a energia elétrica residencial apresentou a maior elevação, com 7,42%, e acrescentou 0,29 ponto percentual ao IPCA-15 de setembro.

O resultado ocorreu após uma redução de 6,25% em agosto, mês no qual a conta de luz recebeu os efeitos do Bônus de Itaipu.

Despesas pessoais ocupou a segunda posição entre os grupos, principalmente por causa dos cigarros, cujo preço aumentou 14% no mês analisado.

O movimento contribuiu para que a categoria alcançasse variação próxima de 1%, bastante acima da maioria dos demais conjuntos pesquisados.

Passagens puxam Transportes e alimentos voltam a subir

Em Transportes, as passagens aéreas tiveram a maior variação entre os componentes destacados, com alta de 9,82%, resultado que ajudou o grupo a avançar 0,60%. Depois apareceram o gás veicular, com aumento de 1,56%, e a gasolina, cujo preço subiu 0,30% no período.

Na média, os combustíveis tiveram elevação de 0,22%, mas o comportamento não foi uniforme entre os produtos analisados pela pesquisa.

Enquanto gasolina e gás veicular ficaram mais caros, o etanol apresentou redução de 0,22% e o óleo diesel recuou 0,78%.

Alimentação e bebidas apresentou alta de 0,40%, após mudanças importantes na direção dos preços consumidos dentro e fora das residências.

Entre os alimentos destacados, o tomate ocupou a primeira posição, com avanço de 20,76%, seguido pelo arroz, com 2,39%, e pelas carnes, com 1,30%.

A alimentação fora do domicílio aumentou 0,44%, mesma variação observada para os lanches, enquanto as refeições tiveram acréscimo de 0,38%.

Já a alimentação no domicílio também avançou 0,38%, após ter apresentado queda de 0,97% na leitura referente a agosto.

Na parte inferior dessa categoria apareceram produtos que ajudaram a limitar uma pressão maior sobre o orçamento das famílias durante setembro.

O café moído caiu 1,36%, a cebola apresentou retração de 4,41% e o feijão carioca teve a maior redução entre os alimentos citados, com 6,33%.

Goiânia registra a maior inflação regional

Entre as regiões destacadas, Goiânia apresentou a maior taxa do IPCA-15 em setembro, com avanço de 0,95%, sob influência principalmente dos preços dos cigarros e da energia elétrica residencial.

Belo Horizonte apareceu depois, com 0,79%, enquanto o Rio de Janeiro apresentou 0,77% e Brasília alcançou 0,76%.

Porto Alegre teve alta de 0,75%, seguida por São Paulo, que registrou 0,73% e possui a maior participação na composição do índice nacional.

Na extremidade inferior entre as regiões informadas, Recife apresentou inflação de 0,44%, com reduções em frutas e gasolina que ajudaram a conter o resultado local.

Além da aceleração mensal, o IPCA-15 de setembro ficou acima dos 0,48% observados no mesmo mês de 2025, enquanto a taxa acumulada em 12 meses passou de 4,24% para 4,47%.

Já o IPCA-E, que reúne as leituras trimestrais do indicador, alcançou 0,36%, abaixo dos 0,67% apurados no período equivalente do ano anterior.

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