A prévia da inflação brasileira perdeu força em junho, mas continuou pressionada por itens essenciais do orçamento das famílias, especialmente alimentos consumidos em casa e energia elétrica residencial.
O IPCA-15 subiu 0,41% em junho, depois de avançar 0,62% em maio, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta quarta-feira (25). Apesar da desaceleração, a prévia da inflação continuou pressionada por alimentos consumidos em casa e pela energia elétrica residencial, dois itens com peso relevante no orçamento das famílias brasileiras.
Alimentos e conta de luz sustentam avanço do IPCA-15
Alimentos e conta de luz sustentaram a alta do IPCA-15 em junho, com maior influência dos grupos Alimentação e Bebidas e Habitação, que responderam por cerca de dois terços do resultado mensal.
Alimentação e Bebidas avançou 0,74% e acrescentou 0,16 ponto percentual ao índice, enquanto Habitação subiu 0,72% e contribuiu com 0,11 ponto percentual.
Mesmo com desaceleração da alimentação no domicílio, que passou de 1,73% em maio para 0,87% em junho, itens importantes da cesta doméstica continuaram pressionando o orçamento das famílias.
Entre os principais aumentos, a batata-inglesa subiu 29,42%, o tomate avançou 17,27%, o feijão-carioca teve alta de 14,29% e a cebola registrou aumento de 9,54%.
Na direção oposta, o café moído caiu 3,69% e as frutas recuaram 0,96%, ajudando a compensar parte da pressão observada nos alimentos consumidos em casa.
Em Habitação, o principal impacto veio da energia elétrica residencial, que subiu 2,04% em junho e adicionou 0,08 ponto percentual à prévia da inflação.
A alta refletiu a bandeira tarifária amarela, com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, além de reajustes aplicados em algumas áreas pesquisadas.
Apesar da pressão da energia, Habitação perdeu força em relação a maio, quando havia registrado alta de 1,03% no IPCA-15.
Saúde e cuidados pessoais também contribuíram para o resultado, com avanço de 0,47%, influenciado pelos artigos de higiene pessoal, que subiram 1,03%.
Os planos de saúde aumentaram 0,35%, incorporando parte do reajuste de 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar.
Combustíveis ajudam a limitar a alta de junho
O grupo Transportes teve leve queda de 0,03% em junho, influenciado principalmente pelo recuo dos combustíveis no período pesquisado.
Os combustíveis caíram 1,22% e retiraram 0,08 ponto percentual do índice, ajudando a compensar aumentos registrados em outros grupos.
A gasolina recuou 0,73%, o etanol caiu 5,30% e ambos reduziram em 0,04 ponto percentual o resultado geral do IPCA-15.
Também tiveram contribuição negativa o seguro voluntário de veículo, com queda de 3,40%, além do café moído e das frutas.
Mesmo com o alívio vindo dos combustíveis, alguns itens de transporte seguiram em alta e impediram uma queda mais forte do grupo.
A passagem aérea subiu 7,24%, o ônibus urbano avançou 1,18% e o automóvel novo registrou aumento de 0,42% em junho.
Brasília lidera variação entre áreas pesquisadas
Entre as 11 localidades acompanhadas pelo IBGE, Brasília registrou a maior alta mensal do IPCA-15, com avanço de 0,93%.
A capital federal foi pressionada principalmente pela passagem aérea, que subiu 11,05%, e pela gasolina, que avançou 3,62%.
Os menores resultados foram observados no Rio de Janeiro, em Curitiba e em Salvador, todos com variação de 0,28% em junho.
A diferença entre as localidades mostra que os impactos sobre o IPCA-15 variaram conforme o comportamento dos itens pesquisados em cada região.
