O IPCA de junho refletiu a pressão da energia elétrica sobre o orçamento doméstico, ao mesmo tempo que a queda de alguns alimentos ajudou a conter o índice. O resultado nacional reuniu impactos desiguais entre capitais e grupos de consumo.
Queda dos alimentos limita inflação de junho
A inflação oficial apresentou avanço moderado em junho, com alta de 0,16%, após um mês marcado por pressões mais intensas sobre o orçamento das famílias.
O resultado refletiu, principalmente, a redução dos preços de alimentação e bebidas, grupo que passou de 1,33% de alta em maio para queda de 0,24% em junho.
Entre os produtos consumidos dentro das residências, café moído, frutas e carnes ficaram mais baratos e contribuíram para aliviar parte das despesas domésticas.
No entanto, esse movimento não alcançou todos os alimentos, pois o feijão-carioca avançou 8,31% e a batata-inglesa apresentou aumento de 3,57% no período.
As refeições fora de casa continuaram mais caras, embora os preços de lanches e refeições tenham avançado em ritmo menor durante junho.
Contas de moradia exercem a maior pressão do mês
Enquanto os alimentos ajudaram a reduzir o índice, os custos relacionados à habitação exerceram a principal pressão inflacionária entre os grupos pesquisados.
A categoria subiu 0,63%, com destaque para a energia elétrica residencial, responsável pelo maior impacto individual na composição do resultado mensal.
As contas de luz incorporaram reajustes tarifários em diferentes capitais, além do custo adicional associado à manutenção da bandeira amarela.
Também houve aumento nas tarifas de água e esgoto em algumas localidades, enquanto a redução do gás encanado ofereceu alívio parcial aos consumidores.
Despesas pessoais e cuidados com a saúde registraram altas mais contidas, com influência de serviços domésticos, salões de beleza, perfumes e planos médicos.
Passagens aéreas pressionam transportes
Os transportes avançaram 0,17% em junho, resultado que reuniu uma forte elevação nas passagens aéreas e uma redução generalizada nos combustíveis.
O preço das viagens de avião subiu 7,12%, enquanto etanol, óleo diesel, gás veicular e gasolina apresentaram recuos na média nacional.
Brasília teve a maior variação entre as regiões analisadas, com alta de 0,52%, influenciada pelas passagens aéreas e pelo encarecimento da gasolina.
Recife ocupou o extremo oposto, com queda de 0,04%, favorecida principalmente pelas reduções nos preços do tomate e da gasolina.
Ao final do primeiro semestre, o IPCA acumulou alta de 3,36%, enquanto a variação dos últimos doze meses ficou em 4,64%.
O resultado de junho também ficou abaixo da taxa de 0,24% registrada no mesmo mês de 2025, o que reforça a menor pressão inflacionária no período.
