IPCA de março fica em 0,88% com pressão dos combustíveis

IPCA de março teve alta de 0,88% e reforçou o cenário de inflação pressionada. O avanço foi puxado principalmente pelos preços dos combustíveis.

A inflação no Brasil voltou a ganhar força em março, com avanço acima do esperado pelo mercado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,88%, impulsionado principalmente pelos combustíveis, em um cenário de pressões externas e reajustes internos.

Impacto dos combustíveis no IPCA

A inflação medida pelo IPCA em março foi fortemente influenciada pelo aumento dos combustíveis, que voltaram a subir após um período de queda.

A gasolina, por exemplo, passou de uma retração de 0,61% em fevereiro para uma alta de 4,59% no mês seguinte, respondendo sozinha por 0,23 ponto percentual do índice.

O diesel teve a maior variação entre os combustíveis, saltando de 0,23% para 13,90% no mesmo intervalo, enquanto o etanol avançou 0,93%. Já o gás veicular seguiu na direção oposta e recuou 0,98%, sendo a única exceção no grupo.

Esse movimento ocorre em meio a um cenário internacional mais pressionado. A guerra no Oriente Médio e o bloqueio no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o escoamento de petróleo, têm elevado a incerteza sobre a oferta global, o que sustenta a alta nos preços da commodity.

Com isso, o grupo Transportes registrou aumento de 1,64% no mês, com os combustíveis acumulando variação de 4,59%, consolidando-se como um dos principais fatores de pressão sobre a inflação no período.

Análise dos grupos do IPCA em março

O IPCA de março de 2026 avançou 0,88%, com a inflação sendo pressionada por aumentos em diversos setores da economia.

O resultado reflete um cenário de elevação de custos que impacta diretamente o orçamento das famílias, indo além da influência dos combustíveis.

Entre os destaques, o grupo de transportes registrou alta com reajustes que atingiram não apenas os combustíveis, mas também serviços.

As passagens aéreas continuaram subindo, ainda que em ritmo menor, enquanto tarifas de ônibus urbano e intermunicipal também apresentaram elevação.

Na sequência, alimentação e bebidas tiveram um dos maiores impactos no índice, com alta de 1,56%. Os alimentos consumidos em casa subiram 1,94%, puxados principalmente por itens como tomate, cebola e batata-inglesa. Em contrapartida, produtos como maçã e café moído registraram queda de preços.

O grupo de despesas pessoais apresentou avanço de 0,65%, influenciado pelo aumento nos preços de atividades culturais, como cinema e teatro, após o fim de promoções observadas no mês anterior. Já saúde e cuidados pessoais tiveram alta de 0,42%, com destaque para o reajuste dos planos de saúde.

O desempenho do índice evidencia uma inflação distribuída entre diferentes segmentos, combinando fatores sazonais e reajustes de serviços, o que contribui para manter a pressão sobre o custo de vida.

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