O acordo comercial com EUA avançou no Parlamento Europeu e agora segue para a etapa final de validação pelos países do bloco. A aprovação ocorre em meio à tentativa de reduzir incertezas para setores afetados por barreiras de acesso.
Acordo avança após meses de impasse
A aprovação no Parlamento Europeu representa um passo importante para destravar um pacto negociado em meio a tensões comerciais entre Bruxelas e Washington.
O resultado da votação, com 440 votos a favor, 151 contra e 50 abstenções, reforça a tentativa europeia de evitar uma nova rodada de atritos tarifários com os Estados Unidos.
Pelo acordo, a União Europeia passará a eliminar tarifas de importação sobre bens industriais estadunidenses e facilitará a entrada de produtos agrícolas dos Estados Unidos.
A medida beneficia segmentos como carne suína e laticínios, que devem encontrar menos barreiras para acessar consumidores europeus.
Em troca, Washington se comprometeu a limitar a 15% as tarifas sobre a maioria dos produtos europeus enviados ao mercado estadunidense.
A definição desse teto é considerada relevante para empresas que dependem de previsibilidade nas exportações, especialmente em setores mais expostos ao comércio transatlântico.
Setores europeus cobram previsibilidade
A indústria europeia acompanha a implementação com atenção, principalmente porque tarifas instáveis podem dificultar decisões de produção, contratos e investimentos.
A Associação Alemã da Indústria Automotiva pediu rapidez na aplicação das medidas, defendendo que condições operacionais confiáveis são essenciais para a competitividade das empresas.
A comissão de comércio do Parlamento Europeu afirmou que salvaguardas foram incluídas para proteger interesses do bloco durante a execução do entendimento.
A sinalização indica que Bruxelas pretende monitorar de perto os efeitos do acordo, sobretudo em setores sensíveis à concorrência estadunidense.
O pacto levou cerca de um ano para sair do papel, depois de ter sido fechado inicialmente por Donald Trump e Ursula von der Leyen em agosto do ano anterior.
A tramitação foi atrasada por indefinições legais, por uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre tarifas de Trump e por tensões políticas envolvendo ameaças relacionadas à Groenlândia.
A etapa final agora depende da ratificação dos Estados-membros da União Europeia, considerada praticamente formal porque os governos já haviam apoiado os termos durante as negociações.
Com isso, o bloco tenta cumprir o prazo estabelecido por Trump até 4 de julho, enquanto busca preservar espaço de negociação em uma relação comercial ainda sensível.
