Primeiros petroleiros iranianos cruzam zona de bloqueio dos EUA

Petroleiros iranianos voltaram a movimentar milhões de barris após semanas de restrições no tráfego marítimo. A operação foi acompanhada pelo mercado por indicar possível retomada das exportações mesmo com as sanções em vigor.

A saída de petroleiros iranianos carregados de petróleo bruto elevou a expectativa de reabertura gradual do fluxo energético no Estreito de Ormuz. A movimentação, identificada por rastreamento digital e imagens de satélite, ocorre em meio às negociações entre Estados Unidos e Irã para transformar o acordo preliminar de paz em um pacto definitivo e flexibilizar sanções impostas ao país do Oriente Médio.

Petroleiros do Irã voltam a operar

O TankerTrackers, plataforma especializada no monitoramento de remessas e armazenamento de petróleo, informou que o Irã registrou suas primeiras exportações marítimas de petróleo bruto em dois meses.

A identificação foi feita a partir de dados de rastreamento digital e imagens de satélite, que indicaram a saída de embarcações carregadas da área monitorada pelos Estados Unidos.

Segundo o site, os navios Diona e Hero 2, ligados à Companhia Nacional Iraniana de Petroleiros (NITC, na sigla em inglês), deixaram a zona de bloqueio transportando juntos cerca de 3,8 milhões de barris de petróleo iraniano.

A movimentação dessas embarcações foi registrada na terça-feira (16) e sinalizou a retomada de operações externas após semanas de restrições no fluxo marítimo da região.

Ainda conforme o serviço de rastreamento, outro petroleiro operado pela NITC cruzou a linha de bloqueio da Marinha dos Estados Unidos no Golfo de Omã transportando aproximadamente um milhão de barris de petróleo bruto.

Além da saída dos petroleiros carregados, o TankerTrackers identificou o navio Stream navegando em direção aos portos iranianos, em um deslocamento que indicava continuidade nas operações logísticas do país.

A movimentação dos petroleiros foi acompanhada de perto pelo mercado, porque o Estreito de Ormuz é uma das rotas mais importantes para o transporte internacional de petróleo.

A perspectiva de reabertura do fluxo marítimo contribuiu para reduzir a tensão sobre os preços globais da commodity, que vinham reagindo aos riscos de abastecimento na região.

Memorando pode suspender sanções ao petróleo

A saída dos petroleiros ocorre pouco antes do início de uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã, prevista para acontecer em Burgenstock, na Suíça.

As conversas devem começar após a assinatura de um memorando de entendimento e buscarão transformar o acordo preliminar entre os dois países em um pacto definitivo.

Segundo autoridades citadas nas informações divulgadas, as negociações devem durar mais de 60 dias e tratar de temas centrais para Washington e Teerã.

Entre os pontos previstos estão o programa nuclear iraniano e um plano para suspender sanções internacionais que restringem a atuação econômica do Irã.

O The Wall Street Journal informou que os Estados Unidos devem permitir que o Irã volte a vender petróleo e combustível imediatamente após a assinatura do memorando de entendimento.

A autorização também incluiria serviços necessários para viabilizar as operações, como atividades bancárias, transporte marítimo e seguros ligados às transações internacionais.

Caso o processo avance, a retomada das exportações iranianas poderá ampliar a oferta disponível no mercado internacional e reduzir parte das incertezas sobre abastecimento.

No entanto, a normalização dependerá da continuidade das negociações, da segurança nas rotas marítimas e da implementação efetiva das medidas previstas no acordo.

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