Expectativa é de que corte da Selic seja de 0,25 ponto percentual, enquanto Banco Central deve preservar cautela diante da inflação e das incertezas externas
O Copom deve reduzir a Selic de 14% para 13,75% ao ano nesta quarta-feira, com novo corte de 0,25 ponto percentual dentro da estratégia gradual adotada pelo Banco Central. A decisão pode marcar a quinta redução consecutiva da taxa básica desde março, embora o cenário de inflação e as incertezas externas ainda recomendem cautela para os próximos encontros.
Selic pode cair para 13,75%
A redução de 0,25 ponto percentual levará a taxa básica para 13,75% ao ano e preservará o ritmo moderado adotado pelo Banco Central ao longo do atual ciclo monetário.
Desde março, a Selic caiu de 15% para 14% por meio de quatro cortes consecutivos, todos com a mesma intensidade.
A estratégia reflete a intenção de retirar parte da restrição monetária sem promover uma flexibilização rápida capaz de comprometer o processo de convergência da inflação.
Mesmo após os cortes recentes, os juros permanecem em nível elevado e ainda exercem pressão sobre crédito, consumo e decisões de investimento.
O Banco Central busca levar a inflação para a meta anual de 3%, que possui intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Para alcançar esse objetivo, o Copom tem reforçado que qualquer nova redução dependerá do comportamento dos preços, das expectativas e da atividade econômica.
A reunião desta quarta-feira também será a última antes das eleições presidenciais de 2026, o que aumenta a atenção sobre a comunicação que acompanhará a decisão.
Ainda assim, a expectativa é que o Comitê evite oferecer qualquer indicação definitiva sobre o movimento previsto para novembro.
BC deve manter cautela sobre próximos cortes
Na avaliação mais recente do Banco Central, as expectativas de inflação ainda permaneciam distantes da meta, enquanto o nível elevado de incerteza exigia uma condução cuidadosa da política monetária.
Esse diagnóstico ajuda a explicar por que a instituição prefere avançar com reduções pequenas, mesmo após sucessivos sinais de desaceleração dos juros.
O cenário internacional também acrescenta riscos à decisão, principalmente por causa da valorização do petróleo associada à guerra no Oriente Médio e das dúvidas sobre os juros estadunidenses.
Alterações nessas duas frentes podem afetar preços domésticos, condições financeiras e comportamento do câmbio ao longo dos próximos meses.
A estabilidade relativa da moeda brasileira oferece algum alívio ao reduzir parte da transmissão de pressões externas para os preços internos, mas não elimina os demais fatores de risco.
Por isso, inflação, atividade, expectativas, câmbio e condições internacionais continuarão entre os principais elementos considerados pelo Copom nas próximas decisões.
Uma nova redução nesta quarta-feira, portanto, representará a continuidade de um ajuste gradual, sem compromisso antecipado com cortes adicionais na reunião prevista para novembro.
O comportamento dos indicadores até o próximo encontro deverá definir se o Banco Central terá espaço para prolongar o ciclo sem comprometer sua estratégia de controle da inflação.
