Dona de Habib’s e Ragazzo entra em recuperação judicial

A recuperação judicial ocorre após mudanças no comportamento do consumidor, avanço do delivery e aumento dos juros pressionarem o desempenho das operações próprias.

A crise financeira do Grupo Gennius levou a empresa a buscar proteção judicial para reorganizar um passivo de R$ 265,2 milhões sem interromper suas operações. O processo envolve lojas próprias de Habib’s, Ragazzo e Tendall e tenta criar condições para renegociar obrigações enquanto o grupo preserva sua atividade comercial.

Dívida de R$ 265,2 milhões pressiona Grupo Gennius

A Justiça de São Paulo autorizou o início da recuperação judicial do Grupo Gennius, responsável pelas operações das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall no país.

O conglomerado informou um passivo de R$ 265,2 milhões e recorreu ao mecanismo judicial para renegociar compromissos financeiros enquanto mantém suas atividades comerciais em funcionamento.

A crise financeira apresentada pelo grupo possui diferentes origens, entre elas a redução do fluxo de consumidores em pontos comerciais após as mudanças provocadas pela pandemia.

Parte relevante da estrutura havia sido direcionada para lojas instaladas em shoppings e regiões urbanas movimentadas, modelo que perdeu força após alterações importantes nos hábitos dos consumidores.

A expansão dos pedidos por delivery também modificou a dinâmica dos restaurantes, com menor presença de clientes nas unidades físicas e necessidade de adaptação a outra forma de consumo.

Ao mesmo tempo, juros elevados aumentaram o custo das obrigações financeiras e pressionaram o caixa, cenário que dificultou o cumprimento de compromissos com fornecedores.

Atualmente, o grupo administra 119 unidades próprias do Habib’s, 26 lojas do Ragazzo e seis churrascarias Tendall, além de possuir uma rede de franquias fora desse processo.

Plano de recuperação definirá próximos passos

Com o pedido aceito pela Justiça paulista, o grupo passou a contar com proteção temporária contra parte das cobranças, o que cria uma janela para reorganizar o passivo sem interrupção imediata das atividades.

A KPMG foi indicada para acompanhar a recuperação e terá a função de examinar a situação das empresas envolvidas, além de verificar como as diferentes obrigações devem ser tratadas dentro do processo.

Outro ponto importante será a consolidação da lista de credores, etapa necessária para conferir valores, identificar divergências e organizar quem terá direito a participar das negociações.

Depois dessa fase, o Grupo Gennius precisará apresentar um plano capaz de explicar como pretende reduzir o desequilíbrio financeiro e estabelecer uma proposta de pagamento para as dívidas reconhecidas.

O prazo para entrega desse documento é de 60 dias, período decisivo para demonstrar se a companhia possui condições de reorganizar suas operações e preservar o negócio.

Caso o plano não seja apresentado dentro do tempo previsto, o processo poderá avançar para uma situação mais grave, com risco de conversão da recuperação judicial em falência.

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