O Grupo Pão de Açúcar terá até 60 dias corridos para emitir novas debêntures que substituirão títulos incluídos no plano de recuperação extrajudicial.
Credores do GPA passaram a ter novos prazos e restrições sobre títulos depois que a Justiça de São Paulo tornou efetivo o acordo de recuperação extrajudicial da companhia. Controlador do Pão de Açúcar, o grupo pretende reorganizar cerca de R$ 4,6 bilhões em compromissos financeiros após acumular prejuízos anuais desde 2022.
Títulos entram em período de transição
Parte dos papéis incluídos na negociação ficará temporariamente fora do mercado enquanto o GPA prepara os instrumentos financeiros que substituirão as obrigações atualmente existentes.
A B3 bloqueará os títulos antigos abrangidos pelo acordo, impedindo operações como venda, cessão, transferência ou aluguel até que a substituição prevista seja concluída.
O GPA terá até 60 dias corridos para emitir e entregar novas debêntures aos credores, etapa que alcança papéis das 18ª e 20ª emissões da companhia.
Também fazem parte da reorganização determinados certificados de recebíveis imobiliários emitidos pela Virgo Companhia de Securitização e vinculados às obrigações abrangidas pelo plano.
Os credores que escolheram fornecer recursos adicionais terão um prazo menor, de até 30 dias corridos, para efetuar os aportes depois do cumprimento das condições previstas.
Esse mesmo intervalo será aplicado às mudanças contratuais relacionadas a dívidas em moeda estrangeira quando os respectivos credores tiverem aderido à alternativa oferecida pela companhia.
Pão de Açúcar busca reorganizar pressão financeira
A recuperação extrajudicial permite que empresas negociem diretamente com credores antes de levar o acordo à Justiça, alternativa utilizada para ajustar dívidas sem recorrer a uma recuperação judicial tradicional.
Para o grupo responsável pelo Pão de Açúcar, a renegociação ocorre após vários exercícios consecutivos no vermelho e em meio a diferentes pressões sobre sua estrutura financeira.
Juros elevados aumentaram o custo das obrigações, enquanto pagamentos relacionados a passivos fiscais e trabalhistas também consumiram recursos durante um período de resultados operacionais mais frágeis.
Mudanças na gestão e unidades com desempenho abaixo do esperado acrescentaram outras despesas, ao mesmo tempo que a redução do consumo dificultou uma recuperação mais rápida das receitas.
Com a decisão judicial já publicada, o avanço da reestruturação dependerá agora do cumprimento dessas etapas financeiras e contratuais dentro dos prazos estabelecidos com os credores.
