Queda mensal de 0,1% convive com turismo em alta, avanço de atividades digitais e diferenças relevantes entre segmentos e regiões do país
O setor de serviços chegou a agosto praticamente sem avanço adicional, apesar de permanecer em um patamar historicamente elevado na economia brasileira. Segundo dados divulgados pelo IBGE, o volume caiu 0,1% frente a julho, ficou apenas 0,3% abaixo do recorde de outubro de 2025 e ainda superou em 19,9% o nível registrado antes da pandemia.
Setor perde impulso perto do pico
A pequena retração nacional resultou de movimentos distintos entre as principais atividades, o que impede interpretar agosto como uma queda homogênea da demanda por serviços.
Três dos cinco grandes grupos perderam volume, enquanto um apresentou crescimento relevante e outro permaneceu praticamente no mesmo nível do mês anterior.
Outros serviços registrou a redução mais acentuada, de 1,0%, enquanto transportes e atividades profissionais, administrativas e complementares recuaram 0,2% em cada caso.
Esses resultados foram parcialmente compensados pelos serviços destinados às famílias, que avançaram 2,1% e acumularam crescimento de 2,9% em dois meses.
Informação e comunicação não apresentou variação na passagem mensal, comportamento que ajudou a limitar a queda do conjunto num período sem direção clara.
A média móvel trimestral também ficou estável, reforçando um quadro no qual o setor preserva nível elevado, mas encontra dificuldade para ampliar esse patamar.
Turismo avança em cenário desigual
O turismo destoou do resultado agregado ao crescer 2,5% em agosto, com a segunda alta mensal consecutiva e recuperação superior à observada no conjunto dos serviços.
O índice específico ficou 12,4% acima do nível anterior à pandemia, embora ainda permanecesse 1,1% abaixo do recorde alcançado em dezembro de 2024.
O transporte de passageiros teve aumento de apenas 0,1% frente a julho, enquanto o transporte de cargas registrou queda de 0,9% no mesmo intervalo.
Na comparação anual, entretanto, ambos apresentaram retração, com recuos de 6,3% entre passageiros e 1,9% entre as atividades ligadas ao transporte de cargas.
As diferenças territoriais também foram expressivas, porque 12 das 27 unidades da Federação apresentaram redução do volume de serviços em relação ao mês anterior.
A Bahia teve a principal contribuição negativa, com queda de 4,8%, enquanto o Distrito Federal exerceu o maior impacto positivo após crescimento de 3,7%.
Tecnologia sustenta o resultado do ano
A comparação com agosto de 2025 mostra um quadro mais favorável do que o retrato mensal, com expansão de 0,6% e manutenção de uma sequência prolongada de resultados positivos.
Informação e comunicação liderou esse movimento ao crescer 4,3%, com apoio de telecomunicações, hospedagem digital, tratamento de dados, software e consultoria em tecnologia.
Serviços destinados às famílias também apresentaram desempenho relevante nessa base de comparação, com alta de 4,4%, enquanto atividades profissionais avançaram 1,7% frente ao mesmo mês do ano anterior.
Transportes e outros serviços caminharam em direção oposta, com quedas de 2,8% e 2,5%, respectivamente, o que reduziu a intensidade do avanço geral.
Entre janeiro e agosto, o setor acumulou crescimento de 1,7%, resultado que continua bastante dependente das atividades de informação e comunicação, cuja expansão chegou a 6,2%.
Serviços profissionais e aqueles voltados às famílias cresceram 2,4% cada, enquanto transportes acumularam retração de 1,5% e outros serviços recuaram 0,3%.
Nos 12 meses encerrados em agosto, a expansão ficou em 2,2%, abaixo dos 2,4% observados até julho, sinal de alguma perda de velocidade no horizonte mais longo.
O dado reforça um cenário no qual o setor permanece próximo do recorde histórico, mas avança de forma seletiva, com tecnologia, turismo e consumo das famílias em posição melhor do que transportes e outras atividades.
