As vendas do varejo recuaram em abril e evidenciaram um ambiente de consumo mais seletivo no país. O desempenho regional mostra que parte dos estados enfrentou retração, enquanto poucos mercados conseguiram manter crescimento no período.
O comércio varejista brasileiro perdeu força em abril, após um início de ano marcado por resultados positivos e avanço no patamar de vendas. Segundo a Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada pelo IBGE, o volume vendido recuou 1,5% em relação a março, já descontados os efeitos sazonais, com queda espalhada pela maioria das atividades pesquisadas e forte influência do setor de combustíveis e lubrificantes.
Varejo recua após sequência de resultados positivos
O resultado de abril interrompeu o ritmo de crescimento observado nos primeiros meses de 2026, período em que o varejo havia acumulado desempenho suficiente para alcançar nível recorde na série histórica.
Em março, o comércio varejista havia avançado 0,5%, enquanto a média móvel trimestral também mostrava expansão antes de ficar estável no trimestre encerrado em abril.
A queda mensal de 1,5% indica uma devolução parcial dos ganhos recentes, especialmente em atividades que vinham sustentando o crescimento do setor nos meses anteriores.
Mesmo com o recuo na comparação mensal, o varejo ainda apresentou alta de 1,0% frente a abril de 2025, além de crescimento de 2,0% no acumulado do ano.
Nos últimos 12 meses, o setor acumula avanço de 1,5%, mostrando que a retração de abril não elimina totalmente o desempenho positivo em bases mais longas.
Combustíveis e outros segmentos puxam queda mensal
A atividade de “Combustíveis e lubrificantes” teve o principal peso negativo no resultado de abril, ao registrar queda de 6,2% frente ao mês anterior.
Esse recuo influenciou diretamente o desempenho geral do varejo, já que o segmento tem relevância para o consumo das famílias e para a movimentação econômica cotidiana.
Além dos combustíveis, “Outros artigos de uso pessoal e doméstico” caíram 4,6%, enquanto “Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação” recuaram 4,5%.
Também houve retração em “Móveis e eletrodomésticos“, com queda de 0,8%, além de leves recuos em “Tecidos, vestuário e calçados” e em “Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria”.
Entre as oito atividades pesquisadas, apenas “Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo“, com alta de 1,3%, e “Livros, jornais, revistas e papelaria“, com 1,1%, avançaram no mês.
Comparação anual mostra desempenho mais favorável
Na comparação com abril de 2025, o varejo apresentou um quadro diferente, com crescimento em cinco das oito atividades acompanhadas pelo IBGE.
O maior avanço anual ocorreu em “Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação“, que cresceram 6,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
“Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria” também mantiveram trajetória positiva, com alta de 4,5% e 38º resultado consecutivo no campo de crescimento.
“Móveis e eletrodomésticos” avançaram 2,6%, “Combustíveis e lubrificantes” cresceram 1,6% e “Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo” subiram 0,9%.
Na direção oposta, “Tecidos, vestuário e calçados” caíram 2,5%, enquanto “Outros artigos de uso pessoal e doméstico” tiveram retração de 3,0%.
No varejo ampliado, veículos, motos, partes e peças avançaram 2,6%, atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo cresceu 2,0% e material de construção ficou estável.
Queda atinge a maioria dos estados
O recuo de abril também apareceu de forma ampla no desempenho regional, com taxas negativas em 20 das 27 Unidades da Federação na passagem de março para abril.
Entre os principais resultados negativos no varejo restrito, ficaram Piauí, com queda de 3,9%, Goiás, com 3,8%, Santa Catarina e Amazonas, ambos com retração de 3,6%.
No campo positivo, seis estados registraram crescimento, com destaque para Roraima, que avançou 1,8%, Tocantins, com 1,6%, e São Paulo, com 1,3%.
O Rio Grande do Sul apresentou estabilidade no varejo restrito, sem variação na comparação com o mês anterior.
No varejo ampliado, o movimento negativo também alcançou 20 Unidades da Federação, com quedas mais intensas em Rondônia, Amazonas, Tocantins e Paraná.
Entre os resultados positivos do varejo ampliado, Rio Grande do Sul, Goiás e Maranhão se destacaram, mostrando que o desempenho regional variou conforme a composição econômica de cada estado.
