Empresas toleram chefes abusivos em nome de resultados

Chefes abusivos podem gerar custos menos visíveis para as empresas, como perda de confiança, aumento da rotatividade e redução da liberdade para discordar ou pedir ajuda.

A pressão por resultados ainda pode funcionar como justificativa informal para práticas de liderança que desgastam equipes e enfraquecem a confiança dentro das empresas. Uma pesquisa da CLA Brasil, divulgada pelo g1, mostra que muitos profissionais percebem tratamento mais tolerante para gestores que entregam metas, mesmo quando suas condutas prejudicam o ambiente de trabalho.

Alta performance pode mascarar abusos

Uma pesquisa da CLA Brasil, divulgada pelo g1, mostra que parte expressiva dos profissionais percebe uma tolerância maior com líderes que entregam resultados mesmo após episódios de conduta inadequada.

Entre os 303 participantes, 72,7% afirmam enxergar comportamentos problemáticos justificados pela alta performance, enquanto 71,8% consideram que abusos acabam relativizados diante da pressão por metas.

Esse tipo de percepção indica que algumas empresas podem criar um ambiente no qual o desempenho pesa mais do que a forma como gestores se relacionam com suas equipes.

Quando esse padrão se repete, cobranças excessivas, exposições públicas e atitudes hostis deixam de ser encaradas como exceções e passam a influenciar a cultura interna.

O custo aparece com mais clareza no médio prazo, já que 87,8% dos entrevistados acreditam que profissionais deixam cargos ou equipes por causa da maneira como são tratados.

Além da rotatividade, ambientes marcados por medo e insegurança tendem a reduzir a confiança dos funcionários para discordar, pedir ajuda ou sinalizar falhas relevantes.

Medo reduz confiança nos canais

A existência de mecanismos formais para registrar situações de assédio não significa que os trabalhadores se sintam seguros para utilizá-los dentro das organizações.

Embora 71,8% saibam como fazer uma denúncia, apenas 52,9% afirmam que confiariam nesse processo, enquanto 29,4% demonstram dúvida e 17,6% rejeitam essa possibilidade.

O receio de retaliação aparece em 94,5% das respostas, o que mostra como o medo de consequências profissionais ainda interfere de forma direta na decisão de relatar abusos.

A confiança cresce quando os funcionários acreditam que a empresa realmente apura os casos, pois 87,5% desse grupo afirmam que denunciariam uma situação de assédio.

Entre aqueles que não confiam na resposta institucional, a disposição para relatar cai para 12,9%, diferença que expõe o peso da credibilidade interna.

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