O desemprego juvenil global atingiu 12,4% em 2025, com as regiões dos Estados Árabes e Norte da África apresentando as maiores taxas.
A inserção profissional de jovens continua sob pressão em várias partes do mundo, mesmo após a recuperação econômica observada em diferentes países pós-pandemia, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). O problema combina poucas oportunidades de entrada, exigências elevadas dos empregadores e mudanças provocadas pela inteligência artificial em funções tradicionalmente ocupadas por trabalhadores no início da carreira.
Jovens enfrentam nova deterioração no acesso ao trabalho
A dificuldade para ingressar no mercado de trabalho voltou a crescer entre pessoas mais jovens, sobretudo na faixa etária que busca a primeira experiência profissional.
Em 2025, aproximadamente 67 milhões de pessoas entre 15 e 24 anos estavam sem emprego, em um cenário global ainda marcado por recuperação desigual.
A taxa internacional ficou em 12,4%, mas o comportamento variou bastante entre as regiões, com diferenças relacionadas à estrutura econômica e à capacidade local de criação de vagas.
Nas regiões Árabes e no Norte da África, os índices permaneceram entre os mais elevados, com 26,2% e 22,6%, respectivamente.
A América do Norte também apresentou piora relevante, pois o indicador passou de 8,3% para 9,8% entre 2023 e 2025.
Em partes da Europa, a situação continuou desfavorável, com taxas próximas de 15% em mercados que ainda enfrentam dificuldades para absorver novos trabalhadores.
O levantamento da Organização Internacional do Trabalho mostra que 105 países registraram aumento do desemprego entre jovens, enquanto somente 58 conseguiram reduzir esse indicador.
Esse quadro evidencia uma pressão estrutural sobre a entrada no mercado, que combina baixa oferta de oportunidades, desigualdade educacional e exigências crescentes dos empregadores.
IA muda o perfil das oportunidades iniciais
A transformação tecnológica adiciona outro obstáculo ao ingresso profissional, principalmente em funções que tradicionalmente serviam como porta de entrada para trabalhadores sem experiência.
Segundo a OIT, cerca de 6,1% das ocupações exercidas por pessoas de 15 a 29 anos apresentam exposição elevada a mudanças associadas à inteligência artificial.
As atividades administrativas aparecem entre as mais sensíveis, porque muitas tarefas repetitivas podem receber apoio de sistemas automatizados ou passar por reorganização interna.
Ao mesmo tempo, novas oportunidades podem surgir em áreas técnicas, científicas e de saúde, desde que os jovens tenham formação compatível com as exigências desses setores.
Outro problema aparece quando empresas pedem experiência relevante para vagas classificadas como iniciais, o que reduz as chances de quem ainda tenta construir histórico profissional.
A combinação entre automação e barreiras de entrada pode ampliar a distância entre qualificação e emprego, principalmente em países com poucos programas de transição para o trabalho.
Para reduzir esse desequilíbrio, a OIT defende políticas de educação mais consistentes, expansão de empregos de qualidade e regras para uso responsável da inteligência artificial.
