Apenas 1 em cada 3 funcionários tira os 30 dias de férias no Brasil

Os dados internacionais sobre descanso remunerado indicam que a existência de regras favoráveis não garante, por si só, o afastamento completo dos trabalhadores.

Embora as férias no Brasil assegurem 30 dias de descanso por ano, a maioria dos trabalhadores retorna às atividades antes de completar todo o período disponível. Dados de um levantamento da Deel indicam que somente 33% usufruem integralmente do benefício, com mediana de 20 dias, cenário que contrasta com o maior aproveitamento registrado em outros países.

Brasileiros deixam de tirar parte das férias

Apesar de a legislação brasileira assegurar até 30 dias anuais de descanso, grande parte dos profissionais não utiliza integralmente esse período ao longo do ano.

Levantamento da Deel mostra que somente 33% dos trabalhadores brasileiros chegam a aproveitar todos os dias disponíveis, enquanto a mediana nacional fica em 20 dias.

Na prática, o país utiliza cerca de 72% do período concedido, resultado que evidencia uma distância entre o direito formal e o afastamento efetivamente realizado.

O estudo avaliou mais de 1,5 milhão de solicitações em 150 países, com 993 registros relacionados ao mercado de trabalho brasileiro.

Entre os fatores associados ao aproveitamento parcial aparecem a pressão por desempenho, a dificuldade de afastamento prolongado e práticas empresariais que nem sempre valorizam o descanso completo.

Períodos longos são mais comuns do que fracionados

Embora muitos brasileiros não utilizem todos os dias disponíveis, 62% tiram pelo menos uma pausa anual com duração igual ou superior a 11 dias consecutivos.

Esse percentual coloca o Brasil em posição de destaque no uso de períodos prolongados, inclusive diante de países reconhecidos por políticas de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Pela legislação brasileira, as férias podem ser divididas em até três períodos, desde que um deles tenha ao menos 14 dias consecutivos e os demais não sejam inferiores a cinco dias consecutivos.

Apesar disso, o fracionamento em intervalos muito curtos ainda possui presença no país, com 3% das solicitações correspondendo a meio dia de ausência.

Essa modalidade aparece com maior frequência em mercados como França, Reino Unido e Alemanha, onde a flexibilidade permite acomodar compromissos pessoais sem exigir afastamentos extensos.

A França também apresenta aproveitamento superior do benefício, com utilização de 88% dos dias oferecidos, com uma média anual de 34 dias de férias.

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